Sem regra

Com os novos métodos para suspender a menstruação, só fica naqueles dias quem quer. Mas parar de menstruar é realmente a solução dos problemas ou, pelo contrário, sarna pra se coçar?
por admin

Cólica, dor de cabeça, corpo inchado e péssimo humor. Droga, a menstruação desceu. Para algumas mulheres, estar naqueles dias é sinônimo de castigo, desgaste físico e emocional. Em vez de distribuir patadas ou rezar para nascer homem na próxima encarnação, vale a pena conhecer os tratamentos disponíveis para quem quer parar de menstruar. O tema é polêmico: as opiniões dos especialistas variam radicalmente e os resultados nas pacientes, idem.

Há quatro métodos para suspender a menstruação. O ideal é conversar com o médico e descobrir qual é o mais indicado para cada caso. Um deles é anticoncepcional de uso contínuo: pílulas desenvolvidas especialmente para tomar sem intervalo e, portanto, sem sangramento. Algumas mulheres, doidas para aposentar os absorventes, tomam pílula comum sem período de repouso. É o caso de Roberta L. de 26 anos. Há um ano, ela resolveu emendar uma cartela de pílula na outra sem consultar o médico. "Já me disseram que faz mal e que deixa a pessoa inchada, mas, por enquanto, não notei nada”, diz. A Dr. Sônia Valetim condena o comportamento de Roberta. “Emendar pílula comum não é legal. É preciso usar uma pílula específica”, ensina. Ela explica que as pílulas de uso contínuo têm apenas progesterona e provocam a atrofia do endométrio, responsável pela ausência de sangramento. “Quem toma pílula normal sem parar, mantém o crescimento do endométrio e pode sofrer uma hemorragia a qualquer momento”, alerta.

Para quem não tem medo de agulha, uma boa alternativa são as injeções de 90 dias. Cada injeção garante três meses sem risco de gravidez ou menstruação e ainda libera a mulher da obrigação de tomar remédio todos os dias – no caso da ingestão oral, muitas acabam esquecendo e comprometendo a eficácia do tratamento. Do mesmo modo, o implante no braço é à prova de esquecimento e muito prático: promete até três anos sem sangramento. A advogada Daniela Nery, de 28 anos, testou e aprovou. “Quando eu coloquei, era a maior novidade. Resolvi experimentar e me dei bem”, conta. Para ela, ficar menstruada era como pagar uma penitência. “Hoje não tenho mais cólica, dor de cabeça ou corpo mole”, conta. Três anos depois, está na hora de renovar o implante. “Estou doida para fazer de novo, mas é caro”, pondera.

Já no caso de Ana Cristina, 24 anos, houve um problema. “No início, foi uma maravilha: parei de sangrar de imediato, não tive mais dor de cabeça, cólica , nada. Só que depois de três meses,  fui obrigada a usar absorvente todo dia porque escapava um pouco de sangue”. Essa situação durou seis meses, até que Ana Cristina achou melhor desistir. “Doeu mais pra tirar do que pra colocar, mas nada insuportável”, conta. Ao tirar, o médico notou que o tubo estava rachado: a quantidade de hormônio recebida estava descontrolada e não foi suficiente para bloquear a menstruação. Atualmente, Ana toma pílula comum e menstrua a cada 28 dias. “Fiquei traumatizada”, desabafa.

Indicado para as mulheres que já tiveram bebê, o DIU com hormônio, chamado Mireva, é uma bela opção. A vantagem é que trata-se de ação local, uma vez que atua direto no endométrio. O procedimento para colocar é rápido, no próprio consultório, e os resultados duram cerca de cinco anos. O custo, assim como o do implante, é mais caro em relação aos demais. A própria Dr. Sônia escolheu usar este DIU e confessa não querer saber de outra coisa. “Os benefícios para a saúde são excelentes: suspendendo a menstruação, me previno contra endometriose, câncer de mama e ovário. Além disso, a TPM sumiu”, conta.

Parece o céu: adeus ao sangramento, nada de TPM e saúde perfeita. Antes de ligar correndo para o médico e exterminar a menstruação, é bom saber que essa alternativa ainda é controvertida. Muitos médicos questionam os efeitos colaterais e não indicam  o tratamento para suas pacientes de jeito nenhum. A Dr. Tereza Andrade, por exemplo, é radicalmente contra, alegando ser anti-natural. “A natureza da mulher é menstruar mensalmente, no caso do óvulo não ser fecundado. Recebendo hormônios todos os dias, o organismo está sendo obrigado a trabalhar na contra-mão da natureza”, alerta. Outro senão é que alguns métodos estão no mercado há pouco tempo e ainda não houve tempo de averiguar todas as conseqüências que o uso contínuo e prolongado dos remédios pode gerar.

Os entusiastas da suspensão têm resposta pra tudo. Segundo a Dr. Sônia, o único inconveniente do tratamento é aguardar a atrofia do endométrio. “Ele é o causador da menstruação. Pode demorar alguns meses até a menstruação realmente acabar”.  Em 40% dos casos, há escape sanguíneo, semelhante à borra de café, que  pode durar até 3 meses a partir do início do tratamento. “É preciso ter paciência”, avisa. “Mas, depois, é fantástico: TPM, dores na mama e cólicas, nunca mais”, conta.

A polêmica não tem fim. Os especialistas ainda não chegaram a um consenso sobre o assunto. De um lado, alguns defendem a suspensão com o pretexto de poupar a mulher do desgaste físico e emocional da menstruação e, principalmente, prevenir doenças futuras. Do outro, muitos médicos alegam que o procedimento é uma agressão ao corpo e pode gerar diversos efeitos colaterais indesejados a curto e longo prazo. As pacientes não servem como garantia de nada, já que o método dá certo para algumas e fracassa em outras. Parece que só o tempo vai mostrar quem está certo.

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