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A partir desta terça-feira, 4, o Brasil se veste de rosa na luta pelo câncer de mama. Começou o “Outubro Rosa”, movimento promovido no país pela ONG Femama (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama) para divulgar e garantir políticas públicas de tratamento adequado para as mulheres brasileiras. Junto com a Femama, mais de 50 organizações atuam na campanha deste ano: "Mamografia. Se não fizer por você, faça por mim".
No Rio de Janeiro, o Cristo Redentor e o tradicional Santuário Nossa Senhora da Penha ficarão iluminados por todo o mês com a cor da campanha. Pela primeira vez, o Congresso Nacional também vai ganhar um novo colorido. “Espero que assim os políticos que não aprovam a nossa luta se conscientizem da importância dos investimentos”, comentou a presidente da Femama, Maira Caleffi.
Todos os anos, 50 mil novos casos de câncer são diagnosticados no país. Mas, para a maioria das mulheres, as chances de cura ainda são pequenas. Isso porque, além da falta de conhecimento sobre o autoexame, falta acesso ao exame de mamografia, oferecido pelo Sistema Único de Saúde, o SUS, de forma muito precária.
“Só 13% das mulheres conseguem fazer mamografia através do SUS”, alerta Maira Caleffi. Os dados são mesmo preocupantes. Entre as pacientes da rede pública de saúde, o tempo para começar o tratamento após o diagnóstico é de quatro a seis meses. Entre as mulheres que podem pagar um plano de saúde, não há demora: entre sete e 21 dias é iniciado o tratamento.
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“Esta é uma causa muito nobre e eu sinto muito por essas pessoas que não têm acesso ao tratamento adequado”, lamenta Luisa Thomé, que apoia a campanha - lançada nesta terça-feira, 4, no Rio de Janeiro - e vai protagonizar a peça “Uma assim e outra assando”, que fala sobre a relação de uma filha otimista e uma mãe que está com câncer. “Vamos mostrar o tratamento de outra forma. Ela encara de outra maneira, como uma nova forma de renascer mesmo”, explica Luisa.
As metas do Femama para 2011 e 2012 visam a atingir a marca de 95% de cura das pacientes. A ONG espera conseguir que até 2015 o governo brasileiro garanta, pelo menos, 75% de cobertura de tratamento no país, com mamógrafos em perfeito estado e profissionais classificados, além de garantir o início do tratamento depois de 30 dias do diagnóstico da doença. No primeiro semestre de 2011, foi anunciado pelo Ministério da Saúde um novo pacote com medidas preventivas contra o câncer de mama, entre elas a capacitação de novos profissionais e a compra de novos mamógrafos. Até 2014, serão investidos R$ 1,25 bilhão nas novas medidas.
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De acordo com um estudo realizado pela Universidade de Harvard, a cada um milímetro de crescimento do tumor, as chances de cura diminuem 1%. Para aumentar a sobrevida das pacientes assintomáticas - que ainda não têm os sintomas – e daquelas que ainda não foram diagnosticadas, é preciso conscientizar sobre a importância do autoexame, sempre aliado à consulta médica. “Só o autoexame não previne as mortes. Uma pesquisa da Universidade de Campinas mostrou que apenas 7,4% das brasileiras sabe fazer o exame corretamente”, explicou Maira Caleffi.
Em 2004, o governo brasileiro promulgou uma lei que garante a todas as mulheres acima de 40 anos o acesso a mamografia, mas ela não tem sido cumprida. A determinação do INCA (Instituto Nacional do Câncer) é que seja feito um “rastreamento mamográfico”, a exemplo de outros países.“É feito o acompanhamento de um grupo de mulheres que ainda não têm os sintomas, seja de um em um ano, ou de dois em dois anos. Assim, é possível detectar a doença ainda no estágio inicial e as chances de cura aumentam para até 95%. O governo tem que disponibilizar isso. Não há um plano de rastreamento, mesmo com a determinação do INCA”, afirmou Maira.
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