Foi em uma tarde de verão do ano passado, folheando um álbum de fotografias recentes, que a publicitária Renata Garcez, 29 anos, tomou um belo susto. Ao ver uma de suas imagens, percebeu que a sua guerra contra a balança estava quase perdida. Depois de passar a vida toda tentando emagrecer sem sucesso, viu que o peso estava lá em cima, e a auto-estima lá embaixo. "Eu não conseguia fazer a coisa direito. Entrei e saí de várias dietas, tomei alguns medicamentos perigosos, parei de comer besteira. Mesmo assim, ali estava a minha foto, e eu estava enorme. Então, eu pensei: preciso emagrecer definitivamente. Porque, se eu olho no espelho e vejo algo que não me agrada, eu fico com ódio de mim", conta.
Renata é apenas uma entre milhares de garotas que sonham com um corpo mais magro - e, por que não dizer, perfeito. Para muitas delas, ser magra significa não só ter uma imagem mais bonita, como também alcançar a felicidade e o sucesso. Por isso, buscam as mais variadas alternativas para mandar embora aqueles quilinhos indesejáveis. Ainda assim, precisam lidar com os altos e baixos da auto-imagem.
"Quando estou muito acima do peso, minha relação com as pessoas muda. Me escondo, fico meio corcundinha, como se quisesse sumir. Mas isso depende muito mais da minha cabeça do que do peso. Tanto que, quando decidi emagrecer de verdade, minha atitude mudou. Eu estava mais motivada e, a cada quilo perdido, eu me sentia melhor, e isso se refletia para os outros. Tanto que, logo depois de tomar a decisão, eu já estava até de namorado novo", revela Renata.
“Eu não saía de casa. Cheguei a um ponto em que não queria que as pessoas me vissem, então quase larguei a faculdade. Tive até síndrome do pânico”
A solução encontrada por ela? Uma boa orientação médica, com tudo o que a boa forma tem direito: alimentação equilibrada, dieta e muitos exercícios físicos. Porém, enquanto umas optam pelo bom senso, outras enveredam por caminhos obscuros no processo de emagrecimento, contraindo doenças como a anorexia e a bulimia. Durante quase dois anos, a estudante Michelle Rosa tentou se livrar dos quilos extras vomitando tudo o que comia. "O resultado foi que eu realmente emagreci, mas fiquei doente, fraca, com a garganta inflamada de tanto forçar o vômito e sem energia para coisa alguma. Mas consegui sair dessa e me recuperar antes que acontecesse algo mais sério", diz.
A pressão da sociedade É fato que pessoas acima do peso sofrem um tremendo preconceito ao longo da vida. Na escola, entre amigos, no trabalho, não há quem não tenha sido alvo de apelidos jocosos, piadinhas sem graça ou de exclusão em determinadas atividades. Isso, por si só, já provoca um estrago imenso na auto-estima dos gordinhos. Mas a pressão vinda de fora também é muito grande. Basta dar uma olhada nas imagens estampadas em jornais, revistas, televisão,
outdoors e na tela do cinema. As mulheres são lindas e magras; os homens são fortes e musculosos. Sem falar na grande quantidade de publicações voltadas à beleza e à boa forma, no crescente número de academias de ginástica espalhadas pelo país, na variedade imensa de produtos que prometem resultados "rápidos" e "milagrosos" contra estrias, celulite e gordura localizada.
"É uma espécie de bombardeio, em que os ataques vêm de todo lado. A impressão que se tem é que, se você não for magra, bonita e sarada, nunca será alguém na vida", critica Michelle. Segundo ela, os próprios homens desejam ter namoradas perfeitas. "É difícil encontrar namorado em um mundo onde até as magrinhas levam bronca quando começam a ficar mais rechonchudas", afirma.
O sentimento de inadequação das gordinhas é tanto que acaba afetando também a vida pessoal e profissional. Deixam de ir à praia, a festas, ao trabalho e até a entrevistas de emprego por não estarem em paz com o espelho. Renata que o diga. "Eu não saía de casa. Cheguei a um ponto em que não queria que as pessoas me vissem, então quase larguei a faculdade. Tive até síndrome do pânico. Mas hoje noto que o preconceito que eu sentia era mais meu próprio do que das outras pessoas. Elas me tratavam melhor do que eu mesma", conta Michelle.
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