Medicamentos para emagrecer podem causar infarto

Consumo deve ser feito somente com acompanhamento médico

por Mariana Bueno

Na busca incansável pela perda de peso, muitas pessoas acabam recorrendo aos inibidores de apetite, vistos como um caminho mais fácil e rápido para o emagrecimento. Mas os remédios podem ser perigosos e causarem efeitos colaterais sérios. O endocrinologista Ricardo Mendes Martins, do Instituto Nacional de Cardiologia, não é contrário ao uso de medicamentos, mas lembra que são necessários alguns cuidados. “Infelizmente muitas pessoas colocam todas as suas esperanças em emagrecer nestas substâncias. Não compreendem que não existe mágica. Provavelmente nunca haverá nenhuma “droga mágica” que, ao ser tomada, fará o paciente perder peso sem nenhum esforço e sem riscos de efeitos colaterais”, afirma.

Leia também:
Guia das vitaminas: conheça as mais importantes e saiba consumir
Distúrbios da tireoide: saiba quais são e como tratar
É possível conquistar uma ‘barriga negativa’?

Os medicamentos mais comuns – e também os mais polêmicos – são aqueles a base de sibutramina, cuja venda já chegou a ser suspensa, especialmente por causar risco de infarto, mas voltou a ser autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária no final de maio de 2013. “Recomendo o uso da sibutramina apenas para pacientes que encontram dificuldades em perder peso, mesmo após estarem corretamente inseridos em um programa de mudanças de hábitos alimentares e em práticas regulares de atividades físicas. E só quando eles não possuem nenhum risco cardiovascular. Sempre deve ser usada como um auxiliar no processo de perda de peso e nunca como um tratamento isolado”, diz o médico.

Segundo ele, entre os principais riscos para a saúde estão o aumento da pressão arterial, aumento da frequência cardíaca, dores de cabeça, agitação e agressividade. Os efeitos colaterais são mais comuns no início do tratamento, embora possam ocorrer a qualquer momento. “Os pacientes portadores de doenças cardíacas (infarto, derrame, etc.) ou com risco cardiovascular elevado (hipertensão, diabetes, problemas de colesterol, tabagismo, etc.) não podem utilizar tal medicação, pois os riscos são maiores que os possíveis benefícios”, alerta.

O grande problema é que há muita gente que consome o medicamento sem nenhum tipo de orientação médica. Mas para alcançar bons resultados e evitar qualquer tipo de risco, é fundamental que haja um acompanhamento médico rigoroso. Somente o profissional poderá indicar o tratamento. “É fundamental nestes casos (como em qualquer tratamento medicamentoso) que o médico saiba selecionar com muito cuidado quais pacientes podem usar ou não tal substância. E os pacientes devem compreender que o uso desta medicação é apenas um auxiliar no processo de emagrecimento“, afirma.

É importante ressaltar também que nenhum medicamento faz milagres e que depois de terminado o tratamento, se não houver uma continuidade dos bons hábitos, o peso pode voltar. “A pessoa voltará a ganhar peso caso abandone os principais responsáveis pelo seu emagrecimento: mudança de hábitos alimentares e prática regular de atividades físicas“.

×
Faça do Bolsa de Mulher
sua página incial
E também acompanhe: Newsletter