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Corpo e Bem-estar

Síndrome do intestino irritável

Problemas no intestino não são nada agradáveis, acabam com o humor de qualquer um, e principalmente qualquer uma, já que a síndrome do intestino irritável afeta mais as mulheres.

Por Anna Mocellin • 16/08/2005

De repente, dá uma dor no abdômen, como se fosse uma cólica. Também pode dar a sensação de "estufamento", sinal de um monte de gases acumulados. Na hora de ir ao banheiro, vem o resultado: fezes amolecidas, como se fosse uma diarréia. Ou então o contrário: todos esses sintomas, mas o intestino preso, dificultando cada vez mais a evacuação. Já pensou viver incomodada com essa rotina? Pois esses são alguns dos sintomas da síndrome do intestino irritável, uma doença crônica e desconfortável, que não tem cura. Adivinha quem são as principais vítimas? Nós, mulheres, principalmente na idade adulta.

A síndrome do intestino irritável é caracterizada por alteração no hábito intestinal, associada a dor e/ ou distensão abdominal. Ainda não se sabe quais as causas do problema, porém estudos recentes apontam alterações no movimento intestinal, hipersensibilidade visceral e participação de alguns neuro-transmissores - principalmente a serotonina – na gênese dos sintomas. Segundo estudos, esses sintomas se agravam após as refeições ou em períodos de turbulência emocional. Na maioria dos pacientes, as fezes são moles, como se fosse uma diarréia. Muitas vezes, as pessoas sentem uma vontade urgente de ir ao banheiro, aumentando a freqüência de evacuações. Em outros casos acontece o contrário: as fezes são duras e é preciso fazer muito esforço para defecar. Com isso, a pessoa acaba indo bem menos ao banheiro, liberando fezes fragmentadas e ficando – além do desconforto – com a sensação de que a evacuação não foi completa.

Alimentação

De acordo com a médica gastroenterologista Ana Maria Pereira César, muitos portadores da síndrome do intestino irritável referem o início da crise ou a piora dos sintomas associados à ingestão de algum alimento – geralmente os que produzem gases, como feijão, brócolis, couve-flor e repolho – além de bebidas com álcool e cafeína. "Alimentos do tipo condimentos, cítricos e fermentativos devem ser evitados. Porém, a dieta deve ser individualizada, pois não há um alimento específico que provoque sintomas em todos os pacientes. Cada um saberá dizer qual deles causa mais desconforto ou induz à crise", destaca Ana Maria. Uma boa idéia é fazer um diário alimentar, registrando quais alimentos provocam ou pioram as crises. De posse dessas anotações, é possível estabelecer regras quanto ao consumo deles. Mas o melhor, mesmo, é evitá-los sempre que possível.

Cuidados

Diante dos episódios de irritação do intestino, nada de apelar para a automedicação! Lançar mão de laxantes ou medicamentos para prender o intestino só pioram as coisas. O melhor é consultar um médico, assim que aparecerem os primeiros sintomas. "Só o médico poderá diagnosticar precisamente a síndrome do intestino irritável, solicitar os exames necessários e instituir um tratamento adequado e personalizado, indicando o que é melhor para cada paciente", diz a gastroenterologista.

Durante a consulta, o médico realiza uma anamnese, ou seja, um estudo dos sintomas e sinais da doença no paciente. "Existem alguns exames complementares que podem ser solicitados para afastar a presença de outras doenças que possuem sintomas semelhantes", lembra a gastroenterologista.

Prevenir é o melhor remédio

Como cada pessoa reage de determinada maneira à síndrome, o tratamento vai ser indicado de acordo com a natureza e a gravidade dos sintomas. Existem medicamentos específicos, mas só eles não bastam: é preciso mudar pra valer os hábitos alimentares e o estilo de vida. Afinal, como a doença não é curável, o jeito é prevenir as crises. " O tratamento é capaz de manter o paciente sem crises e com uma ótima qualidade de vida. E o controle do stress e os cuidados dietéticos ajudam não só a amenizar as crises, mas também a evitá-las", tranqüiliza a Dra. Ana Maria.


Anna Mocellin   Leia mais deste autor.





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