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Corpo e Bem-estar

Insônia - 02/06/2009

Carolina Mouta

Vira para cá, vira para lá, conta carneirinhos e o sono não chega. Uma vez ou outra, isso não é problema. Mas quando se torna constante, ai, ai, ai. A insônia é a incapacidade de iniciar ou manter o sono. Só quem convive com ela sabe que o reflexo de uma noite mal dormida dura o dia seguinte inteiro. A pessoa fica cansada, indisposta, irritada, com baixa concentração e muita sonolência. Para dar um jeito na situação, só há um caminho: acorde para o problema!

Insônia não é simplesmente “perder o sono” e ficar em vigília. Também é caracterizada pela dificuldade de iniciá-lo, mantê-lo continuamente durante a noite ou o despertar antes do horário desejado. Podemos dizer que estamos com insônia quando percebemos que o sono está inadequado e nem chá de alface ou maracujá dão jeito. Uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira do Sono revela que quase metade dos brasileiros passa por situações assim. Isso mesmo! Cerca de 43% da população sofre com algum distúrbio do sono, incluindo a insônia, que atinge 20 milhões de pessoas. De modo geral, a insônia acomete mais o sexo feminino. A boa notícia é que pode ser tratada e a pessoa curada.

[olho]Algumas pessoas têm maior propensão à insônia e, quando são submetidas a situações de estresse, doenças ou mudança de hábitos, não conseguem ter uma boa noite de sono[/olho]

Se você tem dificuldades para dormir, seu organismo acaba sendo prejudicado e sente as conseqüências da falta de um repouso ideal, tanto em quantidade, quanto em qualidade (que é o mais importante). Durante o sono reparador há produção de importantes hormônios, fixação da memória e diminuição dos movimentos corporais e das freqüências cardíaca e respiratória. Se o ciclo não funciona direito, surgem sintomas como cansaço, irritabilidade, déficit de memória e de raciocínio, piora do desempenho sexual, redução da capacidade produtiva, entre outros.

Tipos de insônia

A insônia pode ser classificada em três tipos diferentes: transitório, de curto prazo e crônica. Segundo o Dr. Shigueo Yonekura, neurologista do Instituto de Medicina e Sono de Campinas e Piracicaba, independente da categoria, pode ser tratada e curada, o que gera um alívio para quem sofre desse mal.

O tipo transitório é a mais comum e geralmente se manifesta em momentos que antecedem um acontecimento importante como, por exemplo, uma entrevista de trabalho. Nesse caso, a ansiedade e a expectativa em relação a algum acontecimento contam muito. A segunda classe, insônia de curto prazo, surge em situações de estresse como dias que antecedem uma reunião de trabalho ou uma prova importante e pode persistir durante várias semanas.

Já a insônia crônica pode trazer transtornos e sofrimento por meses e até anos. De acordo com a National Commission Sleep Disorders Research, pessoas que sofrem com esse tipo de distúrbio são mais propensas a desenvolver diversos tipos de problemas psiquiátricos e apresentam maior número de sintomas físicos. “Este tipo acomete aproximadamente 10% dos pacientes”, alerta o especialista em Medicina do Sono, Dr. Fábio Lorenzetti.


Origem: estresse e ansiedade

Segundo estudos recentes, a insônia não é de origem orgânica, mas tem a ver com as emoções e o comportamento. Algumas pessoas têm maior propensão à insônia e, quando são submetidas a situações de estresse, doenças ou mudança de hábitos, não conseguem ter uma boa noite de sono.

Tânia Varella, de 25 anos é assim. Qualquer pormenor é motivo para que a estudante de Direito perca o sono. “Toda vez que algo vai acontecer, eu me desestabilizo e não consigo dormir. Sou muito ansiosa e, por isso, provas, viagens, festas, mudanças, ou qualquer outra coisa que me tire da rotina fazem com que meu sono fique prejudicado. Às vezes até consigo tirar cochilinhos durante a madrugada mas o recorrente é que eu não consiga dormir”, diz.


Os fatores que levam aos quadros de insônia estão associados a diversos motivos. Por exemplo: uma atenção exagerada aos barulhos do ambiente e a hipervalorização dos ruídos pode levar o indivíduo a perder o sono. A pior parte é saber que esses fatores podem se associar a outros e aparecerão somados em um mesmo paciente.

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