Hormônio do prazer

Ela acalma, relaxa e provoca aquela sensação de que nada pode nos tirar do sério. E olha que não estamos falando de nenhum guru zen-budista. No caso, é a endorfina, um hormônio muito comentado, mas pouco conhecido.
por admin

Quem pratica exercícios sabe bem qual a sensação. Um sorriso de orelha a orelha, cabeça na lua, e pernas flutuando. A volta da academia é um momento sublime, meditativo, quase iogue. Tudo isso porque bastam alguns minutos de atividade física para nosso corpo ser inundado por endorfina, um hormônio que provoca sensação de bem-estar, euforia e relaxamento. É exatamente este alívio que a malhação provoca o que faz com que tenhamos vontade de praticá-la com freqüência, como qualquer outra atividade que nos dê prazer. O responsável por todo esse êxtase é o cérebro, que reage à prática de exercícios liberando o poderoso neuro-hormônio.

Da mesma forma que produzimos adrenalina em momentos de tensão e tristeza, nosso corpo também reage a estímulos positivos. E é em resposta ao prazer que o cérebro produz a endorfina. Este hormônio chega a ser 400 vezes mais forte que a morfina, provocando sensações de anestesia e alívio. Não é necessário correr como um maratonista para usufruir de seus benefícios. Geralmente dez ou quinze minutos de atividade física são suficientes para se sentir os primeiros efeitos. Sergio Dias, fisiologista e especialista em medicina esportiva, explica como ocorre o processo: "Os primeiros minutos de qualquer exercício são sempre enfadonhos e desmotivantes, mas basta superá-los para entrar no embalo. É quando sentimos o bem-estar que a endorfina causa", explica. Mas nada de caminhar apreciando o visual. O ritmo é importante, e um pouco de esforço deve ser feito.

Os efeitos do poderoso hormônio no nosso organismo são muitos, e todos positivos. Analgésico, calmante, regulador do sono, controlador dos ataques à geladeira, inibidor do estresse e da ansiedade. Com tantas vantagens, não é de se estranhar que existam pessoas dependentes dele. A fotógrafa Claudia Esperança é uma das que assumem o vício. Malhando há 18 anos, não consegue viver sem exercícios. "Já fiz ginástica em ritmo muito mais intenso do que faço hoje. Só que, mesmo sem tempo, não abro mão de ir à academia pelo menos três vezes por semana. Uns dias parada bastam para que eu me sinta mal-humorada, feia e ansiosa. Nada como uma aula de spinning. Saio flutuando, em êxtase. Nessas horas, não há o que me irrite", jura a fotógrafa, esbanjando uma forma invejável aos 32 anos.

Como todo vício, o da endorfina também deve estar sob controle. "Atletas que realizam atividades físicas com freqüência passam a necessitar de quantidades cada vez maiores de endorfina no sangue para se sentirem saciados, pois podem desenvolver resistência", atenta o fisiologista Sergio Dias. "Além disso, existem outros benefícios do exercício, como a ativação do metabolismo - que passa a funcionar de forma mais harmônica –, assim como a melhora da circulação, e, conseqüentemente, de outras funções do corpo", acrescenta o fisiologista.

Endorfina para preguiçosos

Apesar de muito comentada entre os amantes de esportes, pouca gente sabe que existem outras formas de se liberar endorfina. Praticamente tudo o que dá prazer faz com que nosso cérebro libere o neuro-hormônio. Se de um lado está a prática saudável de suar a camisa, do outro, nos deparamos com o pecado da gula. Sim, refeições saborosas, de dar água na boca, têm o mesmo efeito, sendo o chocolate o alimento mais eficaz para se alcançar o bem-estar hormonal. Campeão na a ala feminina, a delícia, feita de cacau, é escolha certa em quadros de tristeza, TPM e solteirice. Se você está de olho na balança, e não é muito chegada numa academia, apele para a malhação a dois. O sexo faz com que o cérebro libere endorfina, proporcionando prazer e leveza – com o perdão do trocadilho – orgásmicos.

E as formas de se desfrutar do hormônio não ficam por aí. Recentemente, cientistas americanos realizaram um estudo que sugere que a exposição ao sol possa ser outro fator desencadeante da liberação de endorfina. Voluntários convidados a deitar-se em camas de bronzeamento artificial optavam, sem saber, por retornar exatamente às camas que emitiam raios ultravioletas, presentes nos raios solares. De acordo com os voluntários, essas camas ajudavam a relaxar o corpo, o que leva os cientistas a acreditar que o bronzeamento libere endorfina na corrente sanguínea. O estudo, liderado por Steven Feldman, por enquanto não passa de uma suposição, mas não faltam amantes da praia para provar a teoria.

Se os efeitos da endorfina são agradáveis, o que provoca sua liberação na corrente sanguínea sem sempre é recomendável. Assim como a exposição prolongada aos raios solares pode acarretar câncer de pele e envelhecimento precoce, outros hábitos, nada saudáveis, dão prazer, inundando nossa corrente sanguínea com o hormônio. O fisiologista e professor da Universidade Federal de São Paulo Turíbio Barros Neto diferencia: "A pessoa não fica viciada em exercícios físicos, mas na sensação que eles provocam no organismo. Há teorias, por exemplo, que explicam a ação da beta-endorfina na situação de dependência, como por chocolates e nicotina", atenta, alertando que, na busca pelo prazer, deve-se agir com moderação. Os excessos, seja de exercícios, comida ou drogas, nunca são benéficos.

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