Herpes, sentindo na pele

O vírus do herpes existe em três formas e pode muito bem estar aí, latente, sem você saber, esperando por uma queda na sua resistência imunológica para se manifestar. Cura não existe, mas a manutenção da saúde previne bastante.
por admin

A Ciência ainda não decidiu se os vírus são seres vivos ou meramente partículas de material genético. Classificações à parte, um ponto é unânime: seja via oral, aérea ou sexual, uma vez alojados nas nossas células, eles têm o potencial de afetar, e muito, a saúde pelas inúmeras doenças que provocam. Dentre elas, se encontra o herpes, uma patologia viral infecto-contagiosa que aparece em qualquer parte do corpo - até mesmo nos órgãos genitais –, comprometendo a pele com vesículas e bolhas. O vírus do herpes existe em três formas e pode muito bem estar aí, latente, sem você saber, esperando por uma queda na sua resistência imunológica para se manifestar. Mas o pior ainda está por vir, ou, se bobear, já se encontra dentro de você: a doença não escolhe um alvo específico e, em sua forma simples, surge diversas vezes, sem meios de prevenção e muito menos cura.

Contágio

O herpes, doença manifestada por feridas na pele, é provocado pelo vírus da catapora ou herpes vírus. Ele ataca grande parte da população, apesar de nem sempre o paciente apresentar sintomas ou saber que o possui. Isso porque o vírus, que fica incubado em um gânglio nervoso, pode ficar latente a vida inteira. "O indivíduo entra em contato com o vírus por outra pessoa que esteja com lesões cutâneas em atividade (presença de vesículas), através de contato direto como beijo, relação sexual, objetos de uso pessoal e manipulação das próprias lesões. Tudo depende do local por onde o germe penetrou no organismo", explica o dermatologista Otávio R. Macedo. Há três tipos de herpes: herpes simples tipo I e II – este, mais conhecido como genital – e o herpes zoster, todos diferenciados pela localização, o tipo de lesão e o tratamento.

Sintomas

Coceira, queimação, vermelhidão, feridas no corpo. Tudo indica que se trata de uma mera irritação, certo? Pode não ser bem assim. Esses são os sintomas do herpes simples, causado pelos vírus do tipo I e Il. “O herpes simples é menos grave, menos extenso e menos doloroso. Ele pode ser diagnosticado por ardência, calor e dor um dia antes de aparecerem vesículas ou bolhas pequenas agrupadas e cercadas por halos de vermelhidão que se rompem facilmente, originando feridas”, informa a dermatologista Denise Steiner, acrescentando que o processo dura em torno de uma semana e não costuma deixar cicatrizes. Enquanto o vírus do tipo I provoca feridas em qualquer parte da pele, sobretudo no contorno dos lábios e no rosto, o do tipo II aparece na região genital e nádegas.

Agora, se o diagnóstico for de muita dor em um local específico, dois ou três dias antes do aparecimento das tais vesículas e bolhas e, posteriormente, das feridas, certamente se trata de um caso de herpes zoster. “A doença é mais grave e mais extensa. Pode comprometer a região dos olhos e causa muita dor, podendo ser confundida com enxaqueca ou com infarto do miocárdio, conforme o local de aparecimento”, ilustra a dermatologista Denise Steiner, colocando que ele é provocado pelo mesmo vírus que causa a catapora ou varicela. “O herpes zoster tem atração junto ao nervo, com maior ocorrência no nervo trigêmeo – próximo da orelha até a testa – e no abdômen, seguindo o trajeto dos nervos intercostais”, acrescenta o dermatologista Otávio R. Macedo.

Ocorrência

Enquanto o herpes simples aparece constantemente, e pode comprometer uma pessoa sem que ela apresente sintomas, o zoster, apesar de mais grave, ataca apenas uma vez. “Os vírus herpes simples I e II têm recorrências freqüentes  ou não, dependendo da imunidade geral. Há indivíduos com um surto a cada três anos e outros com manifestação todos os meses, sempre no mesmo local do corpo onde tudo começou”, ensina a dermatologista Denise Steiner. De acordo com a dermatologista, não há um perfil específico de quem irá contrair a doença. “Provavelmente, certas pessoas têm mais susceptibilidade genética”, avalia.

É difícil determinar ao certo quando a doença vai se manifestar ou até se as feridas irão tornar a ocorrer, tudo depende de uma baixa da resistência imunológica, que está relacionada a diversos fatores. “Podem cooperar para esta: choques emocionais, estresse agudo e crônico, desnutrição, uso de drogas, doenças infecciosas, alterações metabólicas, digestivas e sol intenso”, diz Denise Steiner, aconselhando que, se um indivíduo tem herpes zoster (principalmente o idoso), é importante investigar a causa da baixa imunidade, pois há riscos de ela ser decorrente de outras doenças, como câncer, diabetes e até AIDS. Outros estímulos contribuem para as lesões na pele. “O cansaço, a ingestão de bebidas alcoólicas e o cigarro também fazem com que o vírus saia da latência”, adiciona o dermatologista Otávio Macedo.

Herpes e Gravidez

Se uma mulher for portadora do herpes, principalmente o simples tipo II (herpes genital), existe o risco de o bebê ser contaminado na hora do parto, contraindo o herpes neonatal – comprometimento do recém-nascido no primeiro mês de vida. “Uma mãe recém-infectada (no último trimestre de gravidez) ainda não produziu anticorpos suficientes contra o vírus, de modo que não existe praticamente nenhuma proteção natural para o bebê antes do nascimento e durante o mesmo”, explica o dermatologista Otávio Macedo, justificando ser provável que o vírus esteja presente no canal de parto durante o processo. “Se ocorrer herpes genital o parto normal é contra-indicado para evitar a contaminação do bebê. Além disso, é necessário evitar o contato após o nascimento”, indica Denise Steiner.

Tratamento e Cura

O tratamento é preconizado mediante ao diagnóstico médico, dependendo do caso e do paciente. “Ele é feito através de drogas antiinflamatórias, analgésicos e antivirais. Geralmente, esses remédios são administrados sob a forma de comprimidos”, informa o Dr. Otávio Macedo, avisando que existem médicos que questionam a eficácia de pomadas ou cremes para tratar a doença. Por ser mais brando, o herpes simples necessita de medicação em doses menores. “Ambos são combatidos com antivirais como o acilovir e o valaciclovir em doses de ataque. No caso do herpes simples, utiliza-se também o aminoácido L-lisina para conter crises freqüentes”, exemplifica Denise Steiner.

Como o herpes zoster só é contraído uma única vez, pode-se considerar que exista cura. No entanto, mesmo com os avanços terapêuticos atuais, ainda não foi identificada a solução definitiva para o herpes simples. “Esses remédios têm o poder de controlar e abortar as crises, mas não de destruir os vírus latentes. Entretanto, quanto antes for iniciada a terapia, menor a duração e menos doloroso será o surto. É possível prevenir a doença fortalecendo o sistema imunológico, evitando tomar muito sol e mantendo um estilo de vida saudável”, aconselha o Dr. Otávio Macedo.

Matérias Recomendadas

Facebook Comments