Gastroenterite

Esta infecção causa mais do que mal-estar: pode levar à morte
por admin

"Hmmm… Deve ter sido algo que eu comi e me fez mal". Quantas vezes dizemos esta frase quando apresentamos algum problema digestivo? Desconforto abdominal, náuseas, vômito, diarréia leve ou intensa, cólica, fadiga extrema, dor de cabeça, dores musculares e até mesmo febre – estes são os sintomas que costumam nos fazer pensar desta forma. Mas, na verdade, pode haver algo mais por trás disso: uma gastroenterite, infecção aguda, inflamatória e infecciosa que acomete o estômago e o intestino. Esta doença é causada por bactérias, protozoários ou vírus adquiridos através de água, alimentos contaminados ou contato com fluidos corporais de pessoas que já estejam apresentando o problema. E não pense que é um mal-estar qualquer: precisa ser tratado com muita atenção, pois – dependendo da gravidade - pode levar à desidratação severa e até mesmo à morte.

Causas

Infelizmente, nem todas as pessoas têm a higiene adequada no manuseio e na preparação dos alimentos. Muitas vezes, eles ficam suscetíveis aos microorganismos, que se infiltram na comida e, depois de ingeridos, passeiam pelo aparelho digestivo, fazendo o maior estrago. Isso também acontece com a água não-tratada. Bactérias como Escherichia coli, Campylobacter, Shigella e Salmonella, uma vez dentro do organismo, produzem toxinas que lesam as células do estômago e do intestino, causando pequenas ulcerações, que sangram e provocam perda de líquidos que contêm proteínas, eletrólitos e água. "Esse tipo de contaminação costuma acontecer com maior freqüência no verão, pois o calor costuma estragar com mais facilidade os alimentos", observa a gastroenterologista Ana Maria Pereira César, do Instituto do Aparelho Digestivo, em Curitiba.

Mas não são só elas as responsáveis pela doença. Ela também pode ter origem virótica. O vírus penetra no estômago e no intestino, inflama as mucosas destes órgãos e faz com que os sintomas apareçam. Esse tipo de contaminação acontece por meio do contato com pessoas que já sejam portadoras do vírus, principalmente através da saliva e do compartilhamento de copos, pratos e talheres. Segundo estudos, a gastroenterite também pode ser provocada pela ingestão de substâncias químicas tóxicas encontradas em frutos do mar e plantas. A intolerância à lactose, ou seja, a incapacidade de absorção e digestão dos açúcares presentes no leite, também vem sendo apontada como causadora da doença.

De acordo com a Dra. Ana Maria, existem grupos de pessoas que podem ser mais suscetíveis à gastroenterite. "Pessoas com condições higieno-dietéticas mais precárias entram mais em contato com os agentes causadores da doença. Mas ela também tem maior incidência sobre pessoas com imunidade baixa - como idosos, crianças pequenas e diabéticos – ou que usam medicamentos corticóides. Nelas, a gastroenterite pode se apresentar com maior gravidade ou duração", ressalta.

Breve, mas complicada

A gastroenterite costuma ser uma doença de curta duração: um a três dias. Em geral, os sinais aparecem subitamente, com náusea, vômito e perda de apetite. Também podem surgir ruídos intestinais, cólicas e acúmulo de gases. Na fase crítica, começa a diarréia que pode ser leve ou intensa, com ou sem sangue. E a diarréia, assim como o vômito excessivo, são os sintomas que mais merecem cuidados, pois podem levar a uma grave desidratação. Porém, cada caso é um caso: os sintomas dependem da quantidade de microorgranismos presentes no aparelho digestivo e também variam de acordo com a resistência da pessoa à doença.

Hidratação

Quando vomitamos ou temos diarréia, eliminamos muito líquido. Com ele, vão embora elementos importantes para a nossa saúde, como sódio e potássio. Havendo desequilíbrio na quantidade deles em nosso sangue, as conseqüências são potencialmente graves. Por isso, é muito importante a reidratação imediata. Pequenas quantidades de líquido, ingeridas nos intervalos das crises, podem ajudar a interromper o vômito. Mas o ideal é apelar para os soros – caseiros, comprados em farmácia ou aplicados no hospital, por via intravenosa. Eles fazem a reposição eletrolítica, evitam o agravamento da perda de líquidos e ajudam no restabelecimento das funções do aparelho digestivo. "A hidratação com soro deve ser iniciada precocemente, porque a desidratação é a complicação mais temida e mais grave, podendo, às vezes, levar os pacientes mais debilitados à morte", destaca a Dra. Ana Maria.

Os líquidos mais indicados para o tratamento devem ser leves, como sucos e sopas. Eles devem ser ingeridos sempre em pequenas quantidades. As crianças, que desidratam mais rapidamente, devem receber líquidos com mistura adequada de sais e açúcares. Bebês com gastroenterite não devem deixar de ser amamentados, pois o leite materno contém água, sais minerais e anticorpos. Mas, para todas as idades, as recomendações são as mesmas: nada de bebidas ácidas, como suco de laranja, ou cafeinadas, que podem piorar ainda mais a situação. Refrigerantes, por causa da grande quantidade de gases e açúcares, também devem ficar de fora da lista. Leite, que tem difícil digestão durante as crises, é outra bebida que deve ser evitada. Ah, em tempo: água não adianta nada. Sozinha, não repõe sais minerais e nem ajuda a interromper os vômitos e a diarréia.

Alimentação

Por causa do mal-estar, o melhor é descansar o estômago e o intestino, bebendo apenas líquidos leves no início das crises. Quando houver alguma melhora, já se pode retomar a alimentação, que deve ser composta de comidas leves e de digestão fácil – como, por exemplo, arroz, purê de batata, maçã e banana. Alimentos ácidos, gordurosos, temperados ou fibrosos – como grãos, vegetais e carnes - devem ficar de fora do cardápio até que a situação se normalize. Em geral, é recomendada a manutenção da dieta por mais alguns dias após a recuperação total.

Recuperação

Diante do quadro, a primeira atitude a tomar é consultar o médico. O tratamento para a gastroenterite é focado no combate dos sintomas, melhorando o estado geral do paciente e evitando assim a desidratação.

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