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Por Isabella Tartari, ginecologista*
Quando a mulher recebe a confirmação da gravidez, ela deve se preparar para uma série de exames que deverão ser realizados do primeiro ao último mês de gestação. Esses testes são essenciais para garantir que esse período tão importante transcorra com tranquilidade, evitando surpresas e riscos para a saúde da futura mamãe e do bebê. O primeiro passo é escolher um médico de confiança, já que vocês vão conviver muito durante esses meses, e que possa te orientar da melhor maneira.
Sobre os exames, existem os de rotina para todas as gestantes e os específicos, que investigam malformações ou doenças congênitas e são recomendados de acordo com o perfil de cada pessoa: mulheres acima dos 35 anos, com histórico familiar de doenças genéticas ou problemas de saúde, como diabetes e hipertensão. Tudo isso, além das avaliações clínicas. Não descuidem da saúde e sigam à risca as orientações do seu obstetra!
No primeiro trimestre, as grávidas devem realizar exames de sangue, fezes e urina que funcionam como um check-up para ver como está a saúde da mãe. Eles devem identificar também se a mulher tem ou já teve doenças que possam prejudicar o desenvolvimento do feto, como: rubéola, toxoplasmose, citomegalovírus, herpes, HIV ou hepatites. É importante ainda verificar o funcionamento da tireóide, glândula muito comprometida com a gestação.
Nesses três primeiros meses são recomendadas duas ultrassonografias. A primeira é realizada para identificar se o embrião é único ou se é uma gestação de múltiplos e se ele está implantado corretamente do útero (em alguns casos, ele pode se implantar nas trompas de falópio, acarretando riscos). A segunda ultrassonografia, chamada de Translucência Nucal, é feita entre a 11ª semana e a 13ª semana de gravidez e calcula, além do desenvolvimento, o tamanho do edema da nuca do bebê (daí, o nome do exame) e a medida do osso nasal, parâmetros que indicam o risco de Síndrome de Down. Eu costumo pedir para as minhas pacientes, junto com a Translucência Nucal, o Teste Integrado de Sangue para afastar com mais segurança o risco de cromossomopatias.
Iniciando o segundo trimestre, começa uma nova rodada de exames. Com 16 semanas, a mulher deve fazer uma nova ultrassonografia e a segunda fase do Teste Integrado. Entre 22 e 24 semanas, é a vez do ultrassom morfológico, que analisa a anatomia do feto e mede o tamanho dos ossos e dos órgãos. Esse exame diagnostica 90% das malformações. Em geral, as imagens são tridimensionais, o que favorece o diagnóstico, mas os papais podem curtir ver a carinha do bebê pela primeira vez, ainda dentro do útero. Nesse mesmo período, a gestante deve repetir os exames de sangue e urina para afastar os riscos de contaminação de doenças infecciosas.
Com 25 semanas, o Ecocardiograma Fetal com Doppler analisa detalhes morfológicos (formação das estruturas) e funcionais (função cardíaca e circulatória) do coração do feto. Este exame é realizado para afastar qualquer problema cardíaco que o bebê possa ter e, por isso, é realizado por um especialista em Cardiologia Pediátrica e não por um ultrassonografista obstétrico.
Nesta fase, faz-se também o Teste de Tolerância à Glicose, um exame de sangue para avaliar o nível de glicose no organismo que irá diagnosticar (ou não) o diabetes gestacional. Em seguida, por volta de 27 semanas, a grávida deve fazer a Dopplerfluxometria, que verifica a transferência de nutrientes da mãe para o bebê através da placenta. Esse exame pode ser indicado durante toda a gestação para mães hipertensas ou com doença que impede o bom funcionamento da placenta.
Por fim, no último trimestre, é realizada mais uma ultra, em torno de 30 semanas, para avaliar a placenta, o líquido amniótico e o desenvolvimento fetal. Mais pertinho do parto, entre 35 e 36 semanas, deve-se fazer a pesquisa por Streptococcus Grupo B para evitar as infecções neonatais. Se a bactéria for encontrada, ela deve ser eliminada, pois o bebê pode ser contaminado no nascimento ao passar pelo canal vaginal. Entre os exames pré-parto, incluem-se ainda os exames de laboratório, que devem ser repetidos mais uma vez, juntamente com o coagulograma para afastar os riscos de trombofilia.
Finalmente, a última ultrassonografia é realizada com 37 semanas em conjunto com a cardiotocografia que, na reta final da gravidez, é o exame utilizado para observar a regularidade das contrações uterinas e as oscilações na frequência cardíaca do bebê.
Para as mulheres com sangue Rh negativo, é importante fazer o teste de Coombs para determinar se o organismo produz anticorpos contra o feto (se o pai do bebê também for Rh negativo, não há problema).
Mamães, não se assustem com a quantidade de exames! Eles são necessários para garantir uma gravidez saudável e sem sustos. Não podemos esquecer que cada gestação tem suas particularidades e os exames são recomendados de acordo com o perfil da paciente. Por isso, é extremamente importante fazer um pré-natal consistente, com visitas regulares ao médico, que saberá identificar os exames adequados para cada caso.
*A ginecologista e obstetra carioca Isabella Tartari Proença é especializada em Gestação de Alto Risco e defensora do Parto Humanizado, realizado com menor agressão possível à mãe e ao bebê. Com um histórico de mais de cinco mil partos e cerca de 20 mil consultas realizadas, a médica fez especialização em Obstetrícia no Hospital Maternidade Carmela Dutra e em Ginecologia no Hospital de Ipanema. Durante 11 anos trabalhou como Chefe de Clínica e de Serviço da maternidade do Instituto Fernandes Figueira (Fiocruz), especializada em Gestação de Alto Risco. Há 28 anos, é obstetra do Hospital Maternidade Carmela Dutra (Ministério da Saúde).
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