Dossiê menstruação

Mulher é bicho esquisito, todo mês sangra. Apesar disso, a menstruação ainda é cercada de dúvidas. Por isso, preparamos uma matéria com tudo o que você sempre quis saber sobre ela, mas estava com muita cólica para perguntar.
por admin

Se um belo dia naves espaciais descessem na Terra e seus tripulantes resolvessem conhecer melhor a nossa espécie, com certeza, por mais evoluídos que fossem, os ETs ficariam intrigados com muita coisa. Ainda mais se resolvessem estudar o organismo da mulher, esse bicho esquisito que todo santo mês sangra deliberadamente e não morre por causa disso. Mas, para nós terráqueos, isso é o que há de mais normal: odiada, irregular, ignorada, dolorosa – mas, cá entre nós, nunca adorada – a menstruação faz parte da vida de todos nós, homens e mulheres. Afinal, ela tem um papel fundamental na nossa existência e até na nossa convivência.

Apesar de ser um acontecimento corriqueiro, muitas mulheres não sabem ao certo o que acontece no organismo "naqueles dias" e, por isso, algumas vezes, sobra filosofia e falta informação. "A menstruação são as lágrimas de um útero que chora pela falta de um bebê", emociona-se a poética secretária Karen Pinheiro. "Na realidade, a menstruação faz parte da preparação pela qual o organismo feminino passa para engravidar", esclarece mais objetivamente o ginecologista Eduardo Teixeira. Para esperar que o óvulo seja fecundado, a mucosa que reveste o útero vai engrossando. Se não acontece a fecundação, a mucosa fica sem função e se desfaz, saindo do organismo numa mistura de sangue, óvulos e outras substâncias. Aí, acontece a menstruação.

Em geral, ela acontece pela primeira vez na vida de uma mulher entre os 9 e 16 anos, mais freqüentemente na faixa dos 10 aos 12. "Antigamente, a menstruação ocorria lá pelos 17, 18 anos. Era até comum mulheres de 20 anos que ainda não tinham menstruado. Não se sabe dizer exatamente porque ela se tornou mais precoce mas, muito provavelmente, isso se deve a fatores nutricionais", comenta o Dr. Eduardo. Desde a Idade da Pedra, essa foi a única mudança orgânica pela qual a menstruação passou. As transformações ficaram mais no campo comportamental. "Com o tempo, ela passou a ser vista de uma outra maneira. Os antigos, ao verem as mulheres sangrando sem morrer, acreditavam que aquele líquido da menstruação era sagrado. Depois, já nas civilizações modernas, as mulheres que menstruavam eram recolhidas, não saíam de casa, isso cercava a menstruação de muito mistério. E até os anos 50, as funcionárias públicas brasileiras tinham direito a uma folga de três dias por mês para ficar de repouso", conta o ginecologista.

Muito das mudanças na maneira de encarar a menstruação se deve ao advento dos absorventes íntimos, que tornaram aqueles fatídicos dias de goteira praticamente iguais aos outros para a mulher menstruada. "Não consigo imaginar como eram aquelas tais toalhinhas que se usavam antes de o modess aparecer. Hoje em dia, a menstruação é seca", comenta a dentista Sandra Oliveira. "Era uma coisa terrível, vazava. E conforme as toalhinhas eram lavadas, elas iam ficando duras, arranhavam. Mesmo os primeiros absorventes eram horríveis, uns trambolhos enormes, desconfortáveis. Não dava vontade de fazer nada com aquilo amarrado na gente", lembra a dona de casa Hilda Rabelo.

Com os avanços da tecnologia, nos dias de hoje, felizmente os problemas da menstruação se resumem ao tenebroso período que a antecede. "Durante o período menstrual, acontece um aumento muito grande da produção de hormônios. A progesterona aumenta e o estrógeno diminui. É essa alteração que mexe com o humor da mulher no caso da TPM, que bate uns cinco dias antes, fazem os seios doerem, aparecerem espinhas no rosto. No caso das cólicas, a responsável por elas é uma substância chamada prostaglandina, que contrai o útero para expulsar o sangue menstrual. Não é à toa que muitas mulheres se sentem como se estivessem sendo espremidas por dentro. É mais ou menos isso que acontece mesmo", explica o Dr. Eduardo.

Como fugir da menstruação é fugir do próprio corpo, o melhor a fazer para se ver livre dos incômodos é se ater aos desesperadores sintomas que vêm com ela de brinde. O Dr. Eduardo garante que isso pode ser feito durante as refeições e aconselha alimentos que devem ser consumidos para amenizar os desconfortos. "Durante toda o período menstrual, é bom evitar o sal em excesso, que aumenta o inchaço. Na primeira semana, para diminuir as cólicas, alimentos com alta concentração de zinco, como vegetais verde-escuros, e de cálcio, como o leite ou um chá de camomila devem ser consumidos. A soja também pode ajudar a diminuir os efeitos da TPM, já que ela tem substâncias com a mesma função do estrógeno", recomenda. Ele também lembra que um bom condicionamento físico tonifica os músculos e diminui as dores.

Entretanto, mesmo com tanto sofrimento, a menstruação é sinal de saúde. Por mais que a sua chegada não seja exatamente comemorada com fogos e bandinha de música, ela é absolutamente necessária para o funcionamento do organismo. Portanto, se há algo de errado com ela, não deixe de procurar um especialista. "Existe um número grande de mulheres que param de menstruar por alguma disfunção e não vão ao médico porque encaram a menstruação como um suplício. É preciso vê-la como uma manifestação saudável e procurar diminuir ao máximo os incômodos, o que é perfeitamente possível adotando um estilo de vida ativo", comenta o Dr. Eduardo. Para conviver com a menstruação, só sendo muito mulher mesmo.

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