Sua
cabeça vive
latejando? Suas
costas tiram você do sério? Suas
pernas deixam você exausta ao final do dia? Se você se identificou com algum dos casos, é provável que sofra de
dor crônica. Segundo dados da
Organização Mundial de Saúde, 30% da população mundial convive com alguma sensação dolorosa constante. Em
São Paulo, por exemplo, três em cada dez paulistanos convivem com ela, mas, segundo especialistas, são principalmente as
mulheres que devem ter atenção redobrada: dos 28% que sofrem com dores, a maioria pertence à ala feminina.
De acordo com o ex-presidente da
Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED)
Onofre Alves Neto, as dores podem ser classificadas em três tipos:
nociceptivas,
neuropáticas ou
mistas. "As nociceptivas são aquelas causadas por alguma
inflamação, com liberação de determinadas
substâncias. As neuropáticas têm origem num nervo, que pode ser lesado diretamente ou não", explica o
anestesista especialista em dor, que cita as mais comuns: "As dores mais frequentes no mundo são dor nas costas, dor de cabeça, dor por
câncer e a
fibromialgia, entre outras".
O problema pode ter ainda fontes aguda e crônica. "A primeira acontece subitamente, inesperadamente. Dor de
dente, dor de
parto, dor por
acidente e
apendicite são exemplos. A segunda dura por mais de três meses continuamente. Antigamente pensava-se que a dor era apenas um ‘sinal' de alguma doença. Hoje, pesquisadores consideram a dor crônica uma
doença em si. É um verdadeiro problema de
saúde pública, atingindo muito mais pessoas do que
acidentes de carro e outras causas comuns de
sofrimento", destaca.
Nos
Estados Unidos, a dor acarreta um prejuízo anual de 550 milhões de dias de trabalho perdidos. Este número fez com que as autoridades norte-americanas da saúde considerassem esta como sendo a década da dor. O curioso é que a maioria dos que sofrem com o problema são mulheres. Segundo Neto, os
hormônios e a
rotina de trabalho estão entre os mais fortes motivos. "Por interferência hormonal as mulheres são mais propícias às dores crônicas. Mas também a sobrecarga de trabalho comum nas mulheres, que trabalham o dia inteiro fora e ainda fazem terceiro turno em casa, propicia uma maior exposição a agentes traumáticos. Isso também se explica pelo fato de procurarem menos ajuda quando sofrem do que os próprios
homens", ressalta.
A fibromialgia, termo referente a uma condição dolorosa generalizada e crônica, é de sete a oito vezes mais frequente em mulheres do que em homens. "Não se sabe exatamente o porquê disso e a cura ainda não existe, já que não se conhece muito bem este tipo de doença, suas causas e sua
fisiopatologia. Mas existe o
controle: atualmente o objetivo dos estudiosos é controlá-la, orientando e medicando até onde for possível e eficaz", diz.
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