Como vai o seu coração? Não, não estamos falando da sua vida sentimental, mas desse órgão que é vital para o funcionamento do nosso organismo. Se você é mulher, é bom ficar de olho: doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre mulheres acima de 35 anos e matam seis vezes mais do que o câncer de mama. E tem mais: há cerca de vinte anos, a taxa anual de mortalidade por doenças do coração no Brasil é maior entre elas do que entre os homens. Essa diferença se deve, em parte, às dificuldades de diagnóstico do problema, já que são raras as campanhas de prevenção de doenças cardíacas voltadas ao público feminino. Mas engana-se quem pensa que só é preciso começar a se preocupar com isso após os trinta anos. Que nada! Com a saúde do coração não se brinca. Os cuidados, portanto, devem começar desde cedo.
Mas afinal, o que é o sistema cardiovascular? Trata-se do nosso aparato circulatório, formado pelo coração e pelos vasos sangüíneos. Esses vasos, divididos em artérias e veias, fazem trabalhos diferentes. Enquanto as artérias levam o sangue oxigenado até às células do organismo, as veias fazem o trajeto inverso, devolvendo ao coração o sangue, que volta cheio de dióxido de carbono. Qualquer obstáculo que prejudique o bom andamento dessas tarefas se transforma em fator de risco para as doenças cardíacas.
Alvos principaisDe acordo com o cardiologista Bruno Hellmuth, da Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro, as mulheres possuem uma proteção natural nas artérias: o hormônio estrogênio. Em média, até a quinta década de vida, as mulheres tendem a exibir menos colesterol no sangue do que os homens, além de valores mais altos de lipoproteínas de alta densidade, como o HDL, também chamado de "bom colesterol". Ele protege contra a formação de placas nas artérias. Porém, a partir da menopausa, as coisas mudam. "É nessa época que acontece a queda do estrogênio. Observa-se, então, um aumento do colesterol total no sangue, diminuição do HDL, além de um aumento dos níveis da pressão arterial, tornando a mulher mais exposta aos fatores de risco clássicos. Isso explica o crescimento da incidência de doenças coronarianas e mesmo de acidentes vasculares cerebrais a partir de metade da sexta década de vida", descreve o médico. Por isso, a partir da menopausa, deve-se fazer a verificação pelo menos anualmente e iniciar o tratamento corretivo assim que for indicado.
Mulheres em idade fértil, geralmente, não precisam fazer controle freqüente do colesterol, principalmente se exames eporádicos demonstrarem lipidograma normal. Todavia, há casos de mulheres mais jovens que devem sempre se submeter a esse controle: portadoras de distúrbios hereditários do metabolismo do colesterol, diabéticas ou que sofrem de "Síndrome Metabólica", doença que afeta o metabolismo da glicose. "Essas situações, se acompanhadas de hipertensão arterial ou tabagismo, estão associadas ao aparecimento mais precoce de problemas cardiovasculares ou cerebrovasculares. Então, da mesma forma que as dosagens de colesterol, as visitas ao cardiologista ou ao clínico geral, além da realização de exames cardiológicos, devem se tornar mais regulares nessas condições de risco", recomenda o Dr. Bruno.
Fatores agravantesOs chamados fatores de risco - isto é, as situações que grandes estudos estatísticos demonstraram estar relacionadas ao desenvolvimento da aterosclerose – são hoje em grande número. Os principais são a hipertensão arterial, tabagismo, diabetes, colesterol alto, nível baixo de HDL e também níveis elevados no sangue de uma substância chamada homocisteína.
O diabetes melito e o HDL baixo parecem exercer um efeito mais deletério nas mulheres do que nos homens. O stress também tem culpa no cartório. Segundo o médico, pessoas expostas permanentemente a tensões emocionais tendem a ser mais sedentárias, a desenvolver distúrbios metabólicos ligados a maus hábitos alimentares e a ter níveis mais altos de pressão arterial. Se você fuma, um alerta: mulheres fumantes apresentam um risco seis a nove vezes mais alto de sofrer um infarto do miocárdio ou um acidente vascular encefálico do que as não-fumantes. Se fuma e ainda toma pílula anticoncepcional, o perigo aumenta ainda mais. "A combinação de tabagismo com o uso de contraceptivos orais parece que é particularmente potente para aumentar o risco de tromboses arteriais. Os cigarros têm um efeito antiestrogênico, promovem alterações desfavoráveis no metabolismo das gorduras e anulam a proteção com que a natureza privilegiou o sexo feminino", alerta o Dr. Bruno Hellmuth.
DiagnósticoSegundo o Dr. Bruno Hellmuth, o médico pode, em muitos casos, suspeitar – e com grande possibilidade de acerto – da presença de uma doença coronariana obstrutiva apenas pela anamnese. Determinadas características de uma dor ou mal-estar no peito ou uma sensação de cansaço exagerado causado por um pequeno esforço levam ao diagnóstico de angina do peito, que é o sintoma da doença em questão. A suspeita pode ser confirmada por um simples eletrocardiograma ou por alterações provocadas em um teste ergométrico. Se o médico achar necessário, podem ser feitos exames mais complexos, como a cintilografia, o ecocardiograma com esforço ou o cateterismo cardíaco com injeções de contraste nas artérias coronárias. "Esse exame permite a visualização das obstruções arteriais, suas exatas localizações e o grau de gravidade", explica o cardiologista. Em muitos casos, entretanto, pessoas portadoras da doença não apresentam qualquer sintoma, mesmo durante grande esforço físico. "Nestes casos, a suspeita pode ser levantada pelas alterações observadas no teste ergométrico realizado no contexto de um check-up ou indicada pelo médico com base nos fatores de risco identificados", observa.
ColesterolTem fama de vilão, mas é o principal tipo de gordura no organismo. Além de ser encontrado em uma série de alimentos de origem animal, nosso corpo também é capaz de produzi-lo, principalmente através do fígado. É essencial para a saúde, pois trabalha na produção de alguns hormônios, vitamina D e ácidos biliares. Só que, em excesso, pode provocar doenças no coração. É por isso que o controle de seus níveis é fundamental. Considera-se ideal, para ambos os sexos, ter o colesterol total abaixo de 200mg/dl, o HDL acima de 50mg/dl e o colesterol ligado a proteínas de baixa densidade (LDL) abaixo de 100mg/dl. Para pessoas consideradas de baixo risco para problemas cardiovasculares, tolera-se valores de até 240 mg/dl para o colesterol total e até 160mg/dl de LDL. "Para pacientes classificados como de alto risco, como aquelas que já são portadoras de doença arterial, ou as diabéticas, estabelecem-se as metas mais rigorosas", assinala o médico.
Normalmente o controle dos níveis de
colesterol pode ser feito exclusivamente através de uma dieta saudável, isto é, com pouca gordura animal e rica em fibras. Entretanto, as pacientes classificadas como de maior risco, como as diabéticas e as que já foram acometidas por doença cardiovascular devem, além da dieta, fazer uso de medicamentos, as chamadas estatinas. Malhar, claro, continua figurando entre as principais recomendações médicas para a prevenção de doenças do coração. "A prática regular de exercícios físicos traz inúmeros benefícios para a saúde, tendo particular importância na prevenção e no controle do diabetes e da pressão arterial. A busca de melhor condicionamento físico também favorece o aumento do colesterol bom (HDL). Porém, infelizmente, o efeito sobre o colesterol total e sobre o colesterol ruim (LDL), em geral, não é significativo", comenta o cardiologista.
Combatendo o malAlém de manter os exames em dia, o importante ainda é manter a saúde equilibrada – independentemente da idade. Por isso, é bom começar desde já a prevenir as doenças cardio e cerebrovasculares. "O ideal é manter hábitos saudáveis de vida, abstendo-se de fumar, praticando exercícios regularmente, comendo pouca gordura e mantendo o peso ideal", conclui o Dr. Bruno Hellmuth. Afinal, é no futuro que a gente colhe o que planta hoje.
Para saber mais sobre prevenção de doenças cardíacas:
Campanha Coração de Mulher -
www.coracaodemulher.com.brCardioclick -
www.cardioclick.com.br
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