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Não ter a tal torneirinha não é uma desvantagem só na hora de fazer pipi, não. Pelas diferenças anatômicas, as mulheres levam a pior também na hora de contrair uma cistite, uma infecção que costuma causar incômodo e muita dor.

por Redação

Nós, mulheres, sabemos de cor e salteado as desvantagens de não termos a chamada torneirinha, o instrumento masculino que os facilita, e muito, na hora de fazer pipi. Não existe mulher nesse mundo que não tenha passado grandes perrengues devido a essas diferenças anatômicas. Como se já não bastasse ter que ficar com o traseiro ao vento, em casos de emergência, ou enfrentar filas gigantes na porta dos banheiros, nós ainda sofremos com uma doença infecciosa bastante comum na fatia feminina da população. Estamos falando da cistite, causada pela infiltração de qualquer agente patogênico – bactérias, fungos ou vírus – na bexiga, gerando inflamação e muita, mas muita dor. Se você está sentindo vontade de ir ao banheiro a todo momento e com muita urgência, ardência ao fazer xixi e dor na pélvis e nas costas, a chance de estar com cistite é imeeeensa! É possível que ela cure sozinha, mas não cometa o erro de não procurar um médico. Se não tratar, a probabilidade de que a cistite retorne entre dois e seis meses é de 50%.

Estima-se que uma em cada duas mulheres terá ou teve um episódio de cistite durante a vida. Os homens não estão imunes a ela, mas correm um risco imensamente menor de contrair uma infecção na bexiga. Isso porque, mais uma vez, as nossas características anatômicas levam desvantagem. Na mulher, o ânus, a vagina e a entrada da uretra estão muito próximos. “O períneo da mulher, região entre o ânus e a vagina, é mais facilmente contaminado por bactérias do trato gastrintestinal, que não são ofensivas ao intestino, mas à bexiga, sim. Uma higiene inadequada, uma relação sexual ou mesmo uma roupa mais apertada já é suficiente para provocar uma infecção”, esclarece o urologista Luís Henrique Tanure, do Hospital Paulistano, de São Paulo. Além disso, outra característica que facilita o aparecimento de cistite nas mulheres é o cumprimento da uretra. “Em média, a uretra das mulheres mede de quatro a cinco centímetros. Já a dos homens é três vezes maior, de 12 a 15 centímetros. Caso ele venha a se infeccionar, é mais fácil que tenha uma uretrite ou uma prostatite, inflamação da uretra e da próstata, respectivamente”, diz o urologista Mario Augusto Delgado, do Hospital Santa Paula, também de São Paulo.

Se você já não sentiu isso na própria carne, basta perguntar para as mulheres ao seu redor. Amigas, mãe, tias, conhecidas… É praticamente certo que, não só uma, como algumas delas conheçam de perto a dor de uma cistite. “Quando eu tive, começou como se fosse uma cólica, bem lá embaixo. Ardia por dentro. Aí, quando fui fazer xixi, ardeu muito, a ponto de eu não conseguir continuar. Só que quanto mais eu prendia, maior era a dor”, conta assistente administrativa Érika Pacheco, de 23 anos, que tratou logo de marcar uma consulta com um médico urologista. “Comecei o tratamento e acho que depois de uma semana estava boa. Eu nunca mais tive. Minha mãe e a Paulinha, minha amiga, tiveram agora, por esses dias”, relata Érika.

Não é difícil descobrir uma cistite. Os sintomas são explícitos e tão incômodos que já se desconfia do que se trata. “É uma vontade de fazer xixi de um em um minuto. Você vai correndo pro banheiro, mas simplesmente não sai quase nada!”, afirma a jornalista Iara Gonçalves. É exatamente isso. Além de aumentar a freqüência urinária e a quantidade expelida diminuir, a cistite provoca também uma sensação de urgência para urinar e ardência forte. “Ocorre também uma alteração na cor, que fica mais escura, e o odor fica mais forte. É possível também que saia sangue na urina, o que chamamos de hematúria terminal, pelo fato do sangue sair no finalzinho da micção. O que acontece é que a bexiga se encontra machucada e quando é contraída, expele sangue”, explica Luís Henrique Tanure, lembrando que a paciente também pode apresentar febre. “A febre é sinal de uma infecção grave, mas ocorre raramente”, diz ele.

Principais causas

Para fazer o diagnóstico, além de levar em consideração o quadro clínico da paciente, o urologista também pede um exame de urina do tipo 1 (aquele feito com a primeira urina da manhã) e um exame de cultura, para identificar o que exatamente está causando a infecção. A maioria das cistites é causada por bactérias. Sendo que dentro dessa maioria, a bactéria campeã é a Escherichia coli, presente nas fezes. “A infecção, 99% das vezes, é causada por bactérias já existentes no corpo”, afirma Luís Henrique Tanure. A cistite causada por fungos ou por vírus acomete paciente já bastante debilitados. “São infecções oportunistas. Existem autores, por exemplo, que defendem que a cistite fúngica nem deve ser tratada, pois quando o quadro do paciente melhora, ele já elimina a infecção sozinho”, explica Luís Henrique.

O mecanismo de infecção das cistites mais comuns é chamada de via ascendente: bactérias freqüentemente encontradas na região perianal atingem o trato urinário por via ascendente, através da uretra. Os motivos para que isso aconteça variam. Higiene inadequada, relações sexuais sem os cuidados necessários, uso de vestimentas que estimulam a multiplicação bacteriana, retenção de urina por períodos prolongados e até retenção das fezes. Na verdade, uma lista de fatores pode levar à infecção da bexiga. Assim, tomando os devidos cuidados, pode-se diminuir consideravelmente as chances de se contrair uma.

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