Corpo e Bem-estar

Cerveja no tribunal

por Fernando Puga | 27/12/2005

Para muita gente, é difícil passar o verão sem ela. Mas, sob denúncias que pretendem sujar de vez a sua ficha, a cerveja vai ao tribunal para provar que é inocente.




Cerveja no tribunal

Geladinha, refrescante, saborosa, quem olha a suposta inocência dessa loura bem torneada pelas formas de uma tulipa, não consegue resistir a um gole, ainda mais em clima de festa. Livre de quaisquer preconceitos, ela exerce uma atração quase incontrolável sobre mulheres, homens, jovens, velhos, ricos, pobres, cristãos e ateus. Mas a questão é que chegou a hora de a cerveja, a nossa boa e velha cervejinha, responder às severas acusações que andam lhe sendo imputadas por médicos, curiosos e beberrões de plantão. E o momento do julgamento não poderia ser mais propício: o calorento verão.

Fria, como manda o bom figurino, a cerveja chega ao tribunal para responder primeiramente às acusações de que estaria seduzindo para depois engordar homens e mulheres indiscriminada e impiedosamente. O nutricionista Albino Portela sai em sua defesa, dizendo que a pobre loura não passa, na verdade, de um bode espiatório. “Todo alimento engorda se não for injerido de maneira e em quantidades corretas. A cerveja é calórica sim, ela é rica em carboidrato. Mas umas duas latinhas de cerveja por dia não são criminosas numa dieta correta”, garante. Entretanto, ele reconhece que tal acusação não vem sem motivo, já que a cerveja costuma ser vista divindo mesas com más companhias. “Em geral, o que realmente engorda, é a combinação dela com o belisquinho, o frango à passarinho, o provolone à milanesa. Aí, fica perigoso”, afirma.

Isso, entretanto, não inocenta a cerveja das imputações da balança, cansada de ser pisoteada por pesados e inchados pés. “A maior vantagem da cerveja, do ponto de vista da saúde, é o fato de ela, graças ao lúpulo, ser diurética. Mas isso é uma faca de dois gumes porque certos organismos não conseguem fazer essa diurese e o resultado disso é retenção de líquido e inchaço. E nisso podem aparecer estrias, celulite”, sentencia a nutricionista Anita Sachs, lembrando que, a exemplo da acusação anterior, não é característica da cerveja agir sozinha. “O gás da bebida também não pode ser esquecido como um dos fatores principais na formação da famosa barriguinha”, garante ela.

Já sobre as denúncias de enjôo e embriaguez, pouco pode ser feito para livrar a cara da pobrezinha. E ela não costuma perdoar os abusos. “A cerveja é até rica em sais e açúcares, o que reduz sensivelmente o seu efeito alcoolizante. Quatro copos de cerveja embriagam menos do que quatro copos de vinho, por exemplo. Mas é nessa que você acaba bebendo demais e, se estiver de estômago vazio, vai se sentir enjoado pela fermentação”, explica a Dra. Anita. Mas, alcoólica por natureza, o que essa loura fatal quer é uma aparentemente estranha combinação de respeito e infidelidade. “A cerveja deve ser bebida corretamente para não fazer mal. Primeiro, evitar exceder o limite de um litro por dia e sempre intercalá-la com uma água de coco, um refrigerante, um suco. Tudo isso ajuda na hidratação e na limpeza dos resíduos que o etanol deixa no sangue quando é metabolizado pelo fígado”, orienta o Dr. Albino. Ele acrescenta ainda que, no caso de uma mistura de bebidas, ela deve ser feita sempre na ordem inversa à concentração alcóolica das mesmas. “Por exemplo, vinho, vodca, uísque antes da cerveja. Mas fazer essas combinações não é muito recomendável”, esclarece o nutricionista.

Para encerrar o julgamento que liberou a loira gelada para ganhar as ruas e retomar o posto de musa eterna de qualquer carnaval, a Dra. Anita Sachs reforça que, se consumida com moderação, a cerveja é sim uma bebida saudável. “Ela é muito rica em vitaminas do complexo B, que contribuem para o funcionamento do organismo como um todo. Além disso, a cerveja pode melhorar a capacidade física pela energia que tem, equilibrar estados de ansiedade e depressão e garantir, pela diurese, maior resistência contra infecções”, garante ela. O que não se pode é esquecer dos limites. “O maior risco da bebida ainda são as confusões e acidentes que ela pode causar”, conclui o Dr. Albino. E aí, nesses casos, a cerveja não costuma depôr a favor.



Mais matérias sobre

compartilhe esta matéria!

Siga o Bolsa de Mulher no twitter



últimos comentários (0)

ver mais
  • novo comentário

    Você
    :D


    Avise-me quando houver novos comentários nessa matéria




Bolsa Mobile

Receba as notícias e atualizações na rede do Bolsa no seu celular.
Saiba como.