Cara pálida

Feijão, bife de fígado e beterraba compõem o cardápio de quem tem anemia. No entanto, essa doença não é simples assim de se tratar. É bom abrir o olho, porque, como uma febre, ela é um sinal de que algo não vai bem com você.
por admin

Na semana passada, você estava exausta. Ontem, irritada até o último fio de cabelo. Hoje, não consegue se concentrar por mais de 30 segundos. “Como está pálida essa menina!”, aí vem pai, mãe, tia puxar a pálpebra pra baixo, para ver se está vermelhinho embaixo dos olhos. Se não está, xiiiiii, é provável que a palidez, aliada à sensação de fadiga, irritação, falta de concentração e infecções, seja realmente sinal de anemia – razão mais do que suficiente para a sua saúde estar meio capenga ultimamente.

Do grego, an significa privação e haima, sangue. Quem está anêmico apresenta concentração de hemoglobina muito baixa no sangue, sendo ela a responsável pela cor dos glóbulos vermelhos e transporte do oxigênio dos pulmões até os tecidos. Às vezes, o problema é contornável mole-mole, simplesmente por meio de boa alimentação. Mas cuidado: há casos em que a anemia é na verdade um sintoma de que algo está errado no seu organismo.

Quem está com anemia fica fraquinho e, consequentemente, mais exposto a resfriados e infecções, além de ter dificuldade na cicatrização. Passar no espelho e observar a coloração embaixo dos olhos não é papo de gente mais velha, não. É de fato um sintoma de anemia. “O exame clínico observa a palidez das mãos e das mucosas, inchaço do baço ou do fígado. Além de vários outros aspectos quando a doença está num nível mais avançado, como cansaço, sono, perversão do apetite, que é a vontade de comer terra, ou gelo, tonteira ou taquicardia”, afirma a clínica geral Dra. Valentina Van Bockel, informando também que, no iniciozinho, a anemia não apresenta sintomas muito evidentes, de modo que a maioria das pessoas só fica sabendo que está anêmico, fazendo um exame de rotina.

Existem inúmeros tipos de anemia, sendo que a ferropriva é a mais comum, principalmente na adolescência, na pré-menopausa ou durante a gravidez. “Quando a mulher tem um ciclo menstrual de mais de sete dias, tem que trocar de absorvente com muita freqüência ou nota perda de coágulos ao urinar é sinal de que o sangramento é excessivo, podendo determinar um quadro de anemia”, diz a médica. No entanto, ficar anêmica durante a gravidez não é motivo de grandes preocupações, mas alguns cuidados extras podem ser necessários. “O neném tende a sugar tudo o que puder da mãe. Para atender às necessidades do bebê, é importante fazer o exame pré-natal e também que a mulher coma alimentos ricos em ferro”, explica Fernanda Giácomo, nutricionista da loja Mundo Verde, de Campinas, São Paulo.

O mineral é encontrado em carnes vermelhas em geral, gema de ovo, feijão, vagem, lentilha, soja, vegetais de folhas verdes, grãos integrais e leite. “Para garantir a absorção dos nutrientes, é recomendável tomar sucos de frutas ricas em vitamina C, como laranja, abacaxi ou acerola, que facilitam a absorção do ferro”, ensina a nutricionista. Anote aí outros aliados na hora de absorver ferro: agrião, mamão, repolho, salsa, pimentão e tomate.

Depois do parto – quem é mãe sabe – os cuidados só aumentam. “Depois do sexto mês de amamentação, é aconselhável adicionar gradativamente pequenas porções de carne moída ou amassada nas refeições do filho para evitar inúmeras doenças infantis, principalmente a anemia”, aconselha Fernanda. A prevenção ou a cura da anemia é fundamental para não comprometer o desenvolvimento da criança.

Além da ferropriva, a anemia pode ser de inúmeros tipos como a perniciosa (carência de vitamina B12), por defeitos genéticos (células falciformes, talassemias, esferocitose ou favismo) ou proveniente de doenças inflamatórias crônicas. É possível detectar o tipo de anemia por meio de um exame de sangue. Então, é necessário consultar um médico que investigará os hábitos alimentares, intestinais e níveis de estresse do paciente. Cada anemia tem uma causa e, portanto, um tratamento diferente. Por isso, se empanturrar de feijão, bife de fígado e beterraba pode ser uma tremenda bobagem, como diz a Dra. Valentina. “A ingestão de nutrientes em excesso pode provocar efeitos colaterais, como sobrecarga de ferro no organismo”, revela.

A doença também pode ter a ver com o manjado problema de prisão de ventre, que acomete muitas mulheres. “A pessoa pode consumir o alimento certo, mas ele não ser absorvido pelo organismo. Se o intestino não funciona direito, os nutrientes passam direto sem que sejam aproveitados”, diz a nutricionista Fernanda Giácomo. A Dra. Valentina ressalta que as complicações do intestino em si já podem ser um sintoma de anemia. “Quem sempre foi um relógio e de repente fica com o intestino preso, faz apenas bolinhas secas ou fezes tipo fita, pode estar anêmico, uma vez que problemas gastrintestinais podem levar à perda de ferro”, alerta a clínica geral.

Anemia não é uma bobagem à toa, como muita gente pensa. “É um sinal como uma febre. É bom investigar os motivos. Pode ser sim uma deficiência simples de resolver, mas também algo mais sério, que pode levar a complicações graves”, dá o alerta a Dra. Valentina Van Bockel.

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