Banho íntimo

Cremes para as rugas, armas para combater as celulites, agentes químicos contra as estrias. Será que devemos providenciar um arsenal específico para tratar também das nossas partes íntimas?
por admin

Bom seria já acordar de manhã com a depilação em dia, cabelo escovado e unha feita – pé e mão. Mas, não rola! Ser mulher dá um trabalho danado. Homem é que é feliz: não tem que passar maquiagem, veste a primeira calça jeans que vê pela frente e, se bobear, nem penteia o cabelo. Já nós, além de todas as peculiaridades do universo feminino, temos que ficar atentas à higiene íntima. Até nisso, a gente está em desvantagem em relação ao sexo oposto. Enquanto o deles é pra fora, a nossa é escondidinha e requer maior atenção. Reclamar é mole e eles não pensam duas vezes antes de fazer gracinhas de mau gosto (ou mau cheiro: de bacalhau). Mas como é que se faz para manter o playground limpinho e perfumado como a gente – e também eles – gostam?

A resposta é mais simples do que se pensa: a dupla dinâmica água e sabão pode ser a solução dos seus problemas. A ginecologista Sônia Valentim explica que, entre as dobras dos pequenos e grandes lábios, acumula-se uma secreção branquinha chamada esmegma, natural do corpo da mulher. Durante o banho, devemos retirar essa secreção com cuidado, usando sabonetes de pH neutro e esfregando delicadamente cada dobrinha da vulva. Além disso, Dra. Sônia aconselha que se faça uma higiene especial cerca de duas vezes por semana. “É necessário introduzir o dedo na vagina e fazer uma limpeza, como quem tira meleca do nariz. Por exemplo, no dia seguinte de ter relação, devemos tirar com o dedo o resto de esperma que tiver ficado lá dentro. No caso de um corrimento leve, o dedinho pode dar um jeito. No fim da menstruação, também pode servir para retirar aquela borra de café que suja a calcinha por alguns dias”, ensina.

Falando em menstruação, quando estamos naqueles dias, os cuidados com a higiene têm que ser redobrados. O absorvente externo deve ser trocado com freqüência, de acordo com o fluxo menstrual de cada mulher. Já o interno tem que ser substituído a cada três horas, no máximo. “Tem gente que chega a dormir de OB, o que é um absurdo e pode provocar até uma infecção pélvica”, alerta Dra. Sônia. O ginecologista Eduardo Zlotnik explica que a menstruação muda o pH da vagina. “A maioria das mulheres não apresenta problemas, mas algumas reclamam de cheiro ruim. Realmente, os riscos de infecção aumentam no período”, afirma o médico.

De segunda a sexta, sábados, domingos e feriados, grande parte da mulherada gosta de colocar um absorvente diário na calcinha, mas Dra. Sônia é contra. “As bactérias amam de paixão, é uma festa!”, alerta ela. E Dr. Eduardo confirma: “Abafa, aumenta a temperatura e vira um meio de cultura de bactérias”, diz o ginecologista. Melhor assim, menos um item para comprar na farmácia! Tem mais: o ideal é usar calcinha de algodão todo dia, porque deixa a pele respirar melhor. “A lycra bloqueia e faz suar”, afirma Dra. Sônia. “Não adianta só o forro ser de algodão, tem que ser a calcinha toda”, engrossa o coro Dr. Eduardo. E o que fazer então com aquela calcinha rendada preta? “Calcinha de renda é apenas para noites especiais”, responde Dra. Sônia. Bom, menos mal...

Alguns probleminhas da área de lazer podem ser resolvidos apenas com uma boa higienização. No caso de corrimentos leves, só a ventilação já ajuda muito. Além da lycra, devemos evitar calça apertada e biquíni molhado o dia todo. “O ideal é dormir sem calcinha. Tem gente que não consegue, fala que se sente pelada, mas é um bom hábito para ser adquirido”, sugere Dr. Eduardo. Já o banho de assento com água morna, coisa do tempo das nossas avós, pode estabilizar o pH e aliviar eventuais coceiras. “Às vezes, uma paciente me liga e não pode vir ao consultório. Então, peço que ela use o bidê ou encha uma bacia de água morna e fique 10 minutos lendo uma revista. Só isso já dá resultado, sem produto nenhum, sem sabão, nada”, diz Dr. Eduardo.

Em qualquer esquina, estão à venda sabonetes íntimos que fazem sucesso com quem tem mania de limpeza – vão de lencinhos umedecidos a desodorantes para as partes baixas! Dr. Eduardo recomenda o uso de produtos como Dermacyd, Flogorosa ou o novíssimo Vagisil apenas quando houver algum sinal de inflamação, uma vez que eles podem ajudar a diminuir a coceira. No dia-a-dia, é preferível usar sabão normal. “O corpo da mulher é perfeito, não precisa ficar mexendo”, afirma. “Esses produtos eliminam o excesso de bactérias e fazem uma limpeza mais profunda, mas não precisam ser de uso diário”, frisa Dra. Sônia.

Na hora da depilação, as que optam por um visual mulher-das-cavernas devem ter higiene ainda mais apurada, porque as bactérias podem se proliferar. Depilar (quase) tudo está na moda e a Dra. Sônia garante que os pêlos não fazem falta para as que preferem o estilo carequinha. “O único cuidado é para não inflamar e dar foliculite, que são os pêlos encravados”, ressalta. Reza a lenda que eles servem como proteção natural para o corpo, mas Dr. Eduardo não vê mal nenhum em tirar. “Teoricamente, o pêlo protege. Mas, na prática, não há dados que comprovem que ter menos ou mais pêlos interfira na saúde da mulher”, explica o médico.

Com a porta da frente um brinco, a faxina da área de serviço não requer nenhum cuidado especial, além da água e sabão do banho. O ideal é lavar o local no bidê ou com chuveirinho a cada vez que for ao banheiro fazer número dois. “Se não for possível, basta passar o papel, de frente para trás e nunca o contrário, para não passar bactérias do ânus para a vagina”, ensina Dr. Eduardo. Por conta disso, o sexo anal também deve ser deixado por último, mesmo de camisinha.

Depois de todas essas dicas de como tratar bem a zona sul, parece até contraditório, mas os dois ginecologistas frisaram que higiene demais pode atrapalhar. “Tem gente que chega a se lavar dez vezes por dia, ou toda vez que faz xixi. Aí fica com ardência ou coceira e não sabe o motivo”, diz Dra. Sônia. A médica afirma que duas ou três limpezas por dia já estão de bom tamanho. Isso porque existem bactérias no nosso corpo que servem justamente para nos proteger de outras. “Fazer higiene em excesso na vulva pode criar problemas para quem não tem nenhum”, completa Dr. Eduardo. O ginecologista ressalta que, com a vida corrida que levamos, é comum ter problemas de saúde por conta do estresse. “Algumas pessoas têm gastrite, outras, vaginite! Falo para as minhas pacientes tirarem férias e aí tudo melhora!”, comenta. Pois é. Tem horas em que não adianta limpar tudo direitinho, é preciso lavar a alma também.

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