Corpo e Bem-estar

As duas faces da bipolaridade

por Anna Mocellin | 27/09/2007

Da alegria à tristeza em pouco tempo. Atenção a esse comportamento




As duas faces da bipolaridade

De repente, bate uma tristeza, uma depressão. Momentos depois, vem uma sensação de euforia, de grande energia. Ou vice-versa: você está alegre, feliz da vida, e, do nada, o astral vai lá para baixo. E tudo isso sem motivo aparente. Se isso acontece com você, fique atenta: pode ser o transtorno bipolar, uma doença que afeta 10% da população e é confundida freqüentemente com outros problemas ligados ao comportamento. Por causa disso, nem sempre é feito um diagnóstico correto, o que pode causar um agravamento no quadro e acabar prejudicando o trabalho, os estudos e a vida pessoal. Sem falar que 15% dos bipolares considerados graves acabam cometendo suicídio, pois não conseguem entender o que está acontecendo, não conseguir conviver com o problema ou - pior - estar sob efeito da medicação errada.

“O pensamento fica acelerado e a pessoa se desinibe, fica expansiva. Pode também ficar agressiva, irritável e prepotente”

A bipolaridade é caracterizada pelo humor completamente imprevisível, com alternância entre estados de mania - grande irritabilidade ou euforia - e depressão. O que a torna diferente da depressão comum, segundo o psiquiatra gaúcho Diogo Lara, autor do livro Temperamento Forte e Bipolaridade - Dominando altos e baixos do humor (Ed. Armazém de Imagens), é a mania: uma elevação espontânea do humor, fazendo o indivíduo ter confiança, muita energia e sensação de poder, cometer excessos em compras ou na busca do prazer. "O pensamento fica acelerado e a pessoa se desinibe, fica expansiva. Pode também ficar agressiva, irritável e prepotente. Mas na bipolaridade leve, por exemplo, a pessoa nunca chega a extremos, porém desenvolve quadros de depressão em geral, com sintomas como o excesso de sono", afirma o médico.

Essa mistura de estados de espírito acaba confundindo os médicos, que diagnosticam equivocadamente uma série de transtornos, como ansiedade, déficit de atenção, depressão, hiperatividade, problemas de personalidade e até mesmo dependência química. A bipolaridade, conseqüentemente, acaba sendo ignorada. Some-se a isso o fato de que a elevação de humor não costuma ser vista como anormal pelos médicos, tampouco investigada. A confusão não acaba por aí: por trazer reações intensas, o transtorno bipolar às vezes é diagnosticado como uma fobia ou um transtorno obsessivo-compulsivo, já que ocorre em pessoas bastante exigentes. Assim, até descobrir o que têm e receber o diagnóstico e o tratamento adequados, os pacientes bipolares levam, em média, dez anos fazendo consultas.

Como descobrir

A bipolaridade começa a aparecer com mais freqüência entre os 15 e os 30 anos, mas pode se manifestar desde a infância até a meia-idade. Em alguns casos, a doença aparece por fatores genéticos: 50% dos pacientes herdam o problema dos familiares. Nas crianças, o diagnóstico é mais difícil, pois a bipolaridade é manifestada em episódios parecidos com os de hiperatividade, com momentos de ansiedade, agressividade ou intolerância. Mas há características comuns a todos os bipolares, como a oscilação e a instabilidade de humor, além dos episódios de mania. Assim como acontece em outros problemas de ordem comportamental, não existem exames de laboratório ou de imagem para detectar o transtorno bipolar. Para fazer o diagnóstico, é preciso passar por uma entrevista com um psiquiatra, onde o paciente e seus familiares contam sobre as características de humor e o temperamento durante as crises. A partir daí, será definida a terapia mais adequada.

De acordo com o Dr. Diogo, não existem remédios específicos para o tratamento da bipolaridade. Mas é possível tratar a doença aliando medicação com psicoterapia, além da mudança de hábitos de vida. Praticar exercícios, ter um hobby, alimentar-se corretamente, possuir boas relações afetivas e cultivar a espiritualidade são grandes passos. Mas o que exercícios físicos e dieta têm a ver com a história? Simples: a malhação atua como harmonizadora do cérebro, aumentando o pique e reduzindo a ansiedade. Já a alimentação mantém o corpo em equilíbrio. Álcool e drogas, nem pensar.

Medicação e mudança de hábitos

O tratamento da doença é feito, em geral, em duas etapas. A primeira é o tratamento da crise aguda. Na segunda, é feita a prevenção de novas crises, mantendo o paciente estável. Mas a medicação precisa ser muito bem escolhida. Os antidepressivos, por exemplo, não podem ser indicados a quem sofre de bipolaridade, porque desestabilizam o humor, elevando-o além da conta, provocando ansiedade e irritabilidade. Entretanto, se usados em conjunto com estabilizadores de humor, ajudam a controlar os excessos cometidos pelo paciente.

Mesmo assim, diz o Dr. Diogo, os estabilizadores só funcionam como uma ferramenta de manutenção, pois os benefícios vêm da psicoterapia e da mudança de hábitos. Estes, sim, surtem um bom efeito sobre o comportamento do paciente e podem levá-lo à estabilidade. Quanto à terapia medicamentosa, é preciso ter paciência: nem sempre se acerta logo na primeira vez, e são necessários alguns ajustes até encontrar um bom resultado. "Esse tratamento, enquanto não se descobre a cura para a bipolaridade, terá de ser feito pelo resto da vida", alerta o médico.

Nem só de terapia e medicamentos é feito o sucesso do tratamento. Familiares e amigos também precisam se envolver e apoiar o doente bipolar em sua recuperação. "Eles devem evitar, antes de tudo, qualquer tipo de julgamento. Também precisam ajudar para que o tratamento seja seguido e estimular a continuidade dele por toda a vida", orienta o Dr. Diogo. Para ele, o bipolar deve ser tratado como qualquer outra pessoa, mas precisa de muito apoio, compreensão e imposição de limites. "Isso é fundamental para que ele sinta que pode se recuperar e levar uma vida normal", finaliza.




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últimos comentários (4)

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  • Sonia_70
    Sonia_70 comentou:
    03/02/2012 | 23:41

    Olá, amigos...ou inimigos por assim dizer, tbem sou bipolar e nunca sei qual será minha reação no momento seguinte. Tenho momentos de sincera ternura p com meu marido e no minuto seguinte quero matá-lo c requintes de crueldade. Sinto q ele é culpado por meu fracasso na vida profissional - e é mesmo - ele é um fdp q me tirou o direito de crescer na vida. ME SINTO FRACASSADA E TENHO SINCEROS DESEJOS DE ACABAR COM MINHA VIDA E COM A DELE, SÓ NAO O FAÇO POR CAUSA DOS MEUS FILHOS... tenho pena dele, nao consigo sequer me imaginar fazendo sexo com ele; embora minha libido seja alta nao me relaciono sexualmente c ninguem, o q me faz me sentir ainda mais infeliz e inútil... não sei o q fazer, sou provedora e educadora dos meus filhos, nao posso fraquejar , já q meu marido é um deprimido, louco, fraco, um completo idiota e um m....


  • marquinhos79
    marquinhos79 comentou:
    01/09/2011 | 09:39

    Meu caro. o que está vivendo eu vivi durante uma ano e pouco. conheci uma menina com muitos problemas pessoais e frustrações, mas sensasional. ela sempre me disse que era complicada e afastava as pessoas que amava. mas como tudo está no começo você não dá muito ouvidos. vim para a mesma cidade dela, o tempo passou e a bipolaridade se manifestou. chegava dias que ela me pedia em casamento, fazia planos, diziam que sonhava com nosso filho, que me amava, que eu era lindo e carinhoso. no outro dia acordava transformada. não queria casar, não sabia se me amava realmente, achava a vida uma m..., queria ficar sozinha, dar um tempo, que estava muito pressionada. um dia era estramamente ciumenta e parecia feliz. noutro parecia ausente de sentimento, como não sentisse nada por ninguém. consegui fazer com que ela iniciasse o tratamento recentemente, mas infelizmente não deu mais. ela não quis mais, houve um desgaste enorme dessas idas e vindas. deixei de ser eu mesmo em função dessa doença. passei a ser uma pessoa triste que vivia só em função dela. deixei amigos e tudo mais. essas pessoas se não tratadas te sugam, deixam voce ir e quando esta escapando te puxam de volta. te proporcionam momentos incrives e no outro dia simplesmente pisam em voce sem ressentimento. tudo pela doença. eu resolvei tocar minha vida, pra mim ficou insuportável viver assim. sou um cara bom, gosto de me divertir, de me relacionar e isso eu perdi. perdi minha autoestima... isso que essa doença faz... enfim... nossa história é parecida.. cuide os próximos passos e se quiser me escreva. abc


  • elohara
    elohara comentou:
    03/12/2010 | 11:29

    eu "estava" a fim de um cara, bonito e aparentemente um santo. Depois ouvi falar que ele toma medicamentos antidepressivos, que tem episódios de falar sem parar, e eu já senti o frio das suas atitudes e depois tudo de repente mudou para melhor. Ele tem 35 anos de idade e ainda mora com a mãe. Querem casar ele comigo de qualquer jeito! Depois de ler essas declarações e outros sites, já tô tirando a minha de campo.


  • novo comentário

    Você
    :D


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