Este capítulo é apenas para degustação. Não terá continuação aqui. O restante do livro pode ser lido na série Harlequin Desejo. CAPÍTULO UM Duas linhas cor-de-rosa no teste de gravidez feito em casa. Duas linhas cor-de-rosa no segundo teste de gravidez feito em casa. O pânico tomou conta da moça. Nicola não podia acreditar no que estava vendo. Certamente, não teve a última menstruação, mas nunca fora regular. E mais, estava com trinta e sete anos e todas as informações recentes sugeriam que a fertilidade de uma mulher começava a decair quando passava dos vinte e seis. A segunda regra também não viera e as náuseas que persistiam a deixaram nervosa o suficiente para fazer o teste de gravidez vendido na farmácia. Dentro do banheiro da enorme suíte em Crofthaven, por um momento, a moça fitava ambos os testes e os resultados eram positivos.Como podia ter sido tão estúpida? Não aprendeu a lição na primeira vez em que isso aconteceu? Nicola fechou os olhos diante do golpe da própria consciência, sem piedade.
Emoções ressoavam como um vulcão que, durante anos, mantivera-se adormecido. Não podia deixar de lembrar-se de outra época da sua vida quando engravidara. Ninguém próximo parecera ser capaz de fitá-la. Os pais adotivos tinham sido completamente humilhados. O namorado, que na época cursava o segundo grau, insistira que era jovem demais para ser pai. A única pessoa que a olhara sem censura tinha sido a mulher da casa para mães solteiras. Diante dessa lembrança, o estômago de Nicola deu um nó. A moça sentira-se presa em uma cilada e muito assustada. Não sabia para onde se virar. Não fora capaz de fazer um aborto. Ainda assim, todo dia, a verdade lhe batia no rosto mostrando-lhe que não tinha condição alguma de cuidar de uma criança. Então, carregou o bebê durante nove meses e deu a menina ao nascer. O peito de Nic começou a padecer com uma dor terrível que a moça sentia, ao longo dos anos, desde que isso acontecera. Não vá lá, dizia a si
mesma.
- Minha filha tem pais maravilhosos que a amam de todo o coração. Foi a decisão certa. Com certeza, foi a melhor coisa para a menina. - Dizia isso em alto e bom som para abafar o próprio arrependimento.
Mas Nicola nunca superou esse triste episódio da sua vida, a sensação era de ter sido uma pessoa ruim por ter abandonado a própria filha. A moça mordeu um dos lábios e abriu os olhos, os resultados dos testes gritavam diante dela. Como pôde ter sido tão estúpida? Duas vezes!
- Onde está Nicola? - Abraham perguntou à governanta, Joyce, quando esta entregou-lhe o café-da-manhã em uma bandeja. Abe notou que a bandeja só continha um prato com uma omelete, uma torrada, um copo de suco de laranja e uma xícara de café.
Nicola geralmente tomava o café-da-manhã com Danforth. O senador adorava começar o dia ao lado da jovem. Não importava qual era o possível problema a ser apresentado, a moça o fazia sentir-se mais iluminado.
- A srta. Granville disse que não estava se sentindo bem essa manhã. Pediu desculpas - Joyce avisou.
Abraham franziu as sobrancelhas. Desculpas? Poderia ter falado diretamente com ele. A governanta deve ter notado o desagrado do patrão.
- A senhorita disse que estava com dor de estômago. - Joyce fez uma pausa e acrescentou - Devem ser cólicas, aquele período pelo qual toda mulher passa uma vez por mês, e ela se sentia desconfortável.
Abraham inclinou ligeiramente a cabeça, surpreso que Nicola se sentisse desconfortável em conversar qualquer coisa com ele. Tinham estado tão próximos, tanto quanto um casal podia física, mental e até emocionalmente
estar. O sr. Danforth bebeu um gole de café.
- Obrigado, Joyce. Está tudo perfeito, como sempre.
A governanta ficou radiante com o elogio.
- De nada, senhor. Deixe-me saber se quer mais alguma coisa.
- Como você está? - perguntou, referindo-se silenciosamente ao luto da empregada pela morte da filha.
- Obrigada por perguntar. Vou melhorando aos pouquinhos, a cada dia que passa - explicou, e deixou o escritório.
O filho Marcus espreitou à porta.
- Bom dia. Como vai a sua mudança para Washington?
- Em andamento - Abe resmungou, franzindo as sobrancelhas diante das caixas de arquivos e papéis que ocupavam um quarto do grande escritório.
- Não parece feliz no momento, senador - Marcus disse.
Abe deu uma risada silenciosa e o fitou. Havia um leve afrouxamento da tensão no relacionamento de ambos, embora o pai sentisse uma certa cautela da parte do filho. Quando Marcus foi falsamente incriminado, e depois inocentado, de um crime que não cometeu, Abe sentiu-se ultrajado. Nicola o ajudou a ver o filho de uma forma diferente. Teve orgulho da força e da ingenuidade de Marc e ficou feliz pelo fato deste ter encontrado uma boa mulher. Abe sabia que Marcus ainda não compreendia todas as escolhas que o pai fizera quando os filhos eram pequenos, mas não parecia tão ressentido quanto estivera no passado.
- Estou tentando imaginar como persuadir a srta. Granville a ir para Washington dirigir a minha equipe - Abe confessou.
Marcus ergueu as sobrancelhas, surpreso.
- Não sabia que Nic não ia. Vocês dois têm trabalhado tão bem juntos.
- Sim, temos, mas Nicola insiste que deve ficar na Geórgia.
- É provável que pense assim devido às escolhas que tem a fazer. Mas nada como fazer parte do time que está ganhando para dar um empurrão na sua carreira e, principalmente, nos negócios dela.
- É verdade - Abe disse, coçando o queixo, pensativo.
- Talvez eu não tenha apresentado os termos de forma correta.
- Se alguém pode persuadi-la, esse alguém é você - disse Marc.
- Obrigado pelo voto de confiança. Como vai a sua esposa, agente do FBI?
- Trabalhando muito. Estamos perto de conseguirmos evidências contra as pessoas que tentaram me incriminar. Uma mulher surpreendentemente bela que caiu na minha vida. Não podia ter dado mais sorte do que isso.
Abe viu o amor de Marc pela nova esposa brilhando nos olhos do filho e disse:
- É bom ter você aqui.
- É bom estar aqui. Você parece diferente, menos tenso. Acho que o fato de ganhar as eleições ajudou.
- Sim - era estranho, mas agora que a batalha tinha terminado, sentia-se vazio. A alegria da vitória esmaecera. Aguardava ansiosamente pelo desafio de servir no Congresso. Sentia-se como se fosse a sua obrigação, o seu destino, mas a campanha estressara a família.
Ao ver os filhos e a filha diante de cada desafio que surgia, Abe se conscientizava cada vez mais de tudo o que perdera durante o crescimento deles.
- Durante a campanha, você, os seus irmãos e a sua irmã mostraram do que são feitos. Deus sabe que não estive presente enquanto cresciam. - O pai sentia o gosto amargo do arrependimento.
- Não posso atribuir a mim mesmo o mérito do que vocês se tornaram,
mas estou orgulhoso de todos. Marc ficou surpreso.
- É a primeira vez que ouço você dizer isso.
- Não é a primeira vez que penso isso - Abe disse com a voz rouca, lembrando-se novamente do mau desempenho como pai e marido.
- Mamãe sempre disse que você tinha coisas mais importantes a fazer do que estar aqui conosco.
Abraham sentiu raiva, mas mordeu a língua. Não queria falar mal da esposa falecida. Nunca conseguira agradá-la.
- De alguma forma, ela tinha razão. Eu precisava provar o quanto era bom. A sua mãe e eu não tínhamos um casamento perfeito. Queríamos coisas diferentes.
- Que coisas?
- Ela não queria estar casada com um militar. Não queria deixar Savannah e Crofthaven.
- Você não estava nas forças armadas quando os dois se casaram?
Marc parecia querer respostas para as suas perguntas, enquanto tinha oportunidade. Abe balançou a cabeça, concordando.
- Sim, mas ela pensava que podia me mudar. - Ergueu uma das mãos quando percebeu que Marc queria fazer outra pergunta.
- Escute, a sua mãe amava vocês e queria o melhor para todos. Não vou desrespeitar a memória dela. Não merece isso. Assumo as minhas escolhas, boas e ruins.
Abe viu um sinal de vulnerabilidade atravessar o rosto do filho que o perturbou. Um lampejo da dor que Marc enfrentou, pois Abe estivera muito ocupado lutando contra os próprios demônios para ser um pai. Desculpas, pensou. Não acreditava em desculpas. Não havia mais nada a dizer. Marc deu de ombros.
- Vou deixá-lo voltar às suas arrumações - disse.
- Você é sempre bem-vindo - o pai comentou.
O filho inclinou levemente a cabeça, concordando, cauteloso, e foi embora. Abe evitou dizer uma blasfêmia. Isso era o que merecia. Respeito, mas distância. Duas horas mais tarde, ouviu uma batida à porta do escritório. Nicola apareceu e o senador sentiu o coração acelerar. Que idiota, repreendeu a si mesmo. Permaneceu em pé, observando-a. Gostava da forma como o cabelo ruivo batia nos ombros da moça conforme caminhava em direção a Danforth. Usava um terninho preto que insinuava as curvas embaixo da roupa. Nic tinha as curvas que uma mulher deveria ter e, quando usava sapatos de salto, ficava alta o suficiente para fitá-lo nos olhos. Nunca encontrara uma mulher que o impressionasse tão rapidamente.
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