Clube do Romance

Um caso escandaloso

por Harlequin Books | 11/04/2007

De Anna Palo. Série Harlequin Desejo. Edição 47.


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Quando seus pés tocaram o solo, Summer ajeitou a postura, preparando-se para o que a esperava. Olhou para a fantástica casa de eventos quando saiu do táxi, e repetiu mentalmente o conselho que Scarlet lhe dera mais cedo.

Liberte sua deusa interior... Liberte sua deusa interior...

Continuou repetindo aquela frase como um mantra enquanto andava para a entrada do Madison Square Garden.

Summer não precisava imaginar sua nova aparência. Vira-se no enorme espelho dos escritórios da Carisma por tempo suficiente. Dramática. Sexy. Em resumo, uma pessoa diferente. Ela torceu os lábios. Uma pessoa diferente que se parecia muito com Scarlet. E não era de se admirar, claro, uma vez que estava vestida com as roupas da irmã, e Scarlet, por desejo ou inconscientemente, parecia pensar que sexy significava ousadia em excesso.

Summer tocou os cabelos. Estavam soltos, os cachos pendendo em cascata até abaixo dos ombros. Usava uma saia de camurça preta acima dos joelhos e botas também pretas que iam até os joelhos. Se Scarlet entendia de moda, joelhos eram altamente sexy.

Sob o casaco verde, curto e acinturado, ela vestia uma blusa vermelha colada ao corpo, e bem decotada, que deixava à mostra parte dos seios. O rosto estava muito mais maquiado que de costume. Normalmente, preferia uma aparência natural, um batom clarinho e sem brilho. Mas não esta noite. Os lábios estavam com um vermelho vivo e um lindo brilho dourado por cima.

Aparentemente, dourado nos lábios era agora a grande tendência da moda. Assim dissera Scarlet. E quem era ela para discutir? Como editora-assistente de moda da Carisma, concorrente direta da Vogue, Scarlet estava em condição de saber.

Enquanto andava pelo Madison Square Garden, Summer olhou para seu dedo sem anel. Não havia um anel de noivado na mão para denunciá-la. Sua irmã tinha insistido para que ela deixasse o anel em casa. Quando protestou, Scarlet lhe pegou a mão e removeu o anel por si mesma.

O sentimento era ridículo, claro. Não ia a um encontro amoroso naquela noite. Estava apenas tentando conseguir que um astro de rock lhe desse uma entrevista, usando o recurso da atração sexual. O que havia de errado com isso?

Na verdade, tinha quase convencido a si mesma. Quase. Pensou em John novamente. Seu noivo retornaria logo da viagem de negócios, o que era bom, uma vez que eles tinham um casamento para planejar.

Summer planejava tudo com cuidado, e mantinha em dia suas metas. Ficar noiva aos 25 anos era parte do plano de cinco anos que estabelecera para si mesma.
O plano era o seguinte: aos 25, ficar noiva e conseguir o cargo de repórter na The Buzz; aos 26, casar-se; aos 28, fazer um nome de sucesso como repórter de entretenimento e aos 30 ser promovida a gerente da The Buzz, e então engravidar.

Até agora, tudo ótimo. Ajudava, é claro, que John também tivesse seu próprio plano de cinco anos. Por esse critério, ela o escolheu dentre os homens com quem costumava sair.

Muito parecido com ela, John era sério e ambicioso. Aos 29 anos, já era sócio de uma agência de propaganda e tinha uma clientela impressionante, a qual exigia que ele viajasse muito pelo país a negócios.

Ele era seu par perfeito, e nesta mesma época do ano seguinte, Summer seria a sra. John Harlan. Após nove meses de namoro, John a pedira em casamento durante um jantar romântico no Dia dos Namorados.

A perfeição da proposta havia sido a última prova que ela precisava de que estava tomando a decisão certa. Tinha pensado que o Dia dos Namorados seria a data perfeita para ficar noiva, mas seu lado de garota escolar bem comportada e educada não lhe permitira dar indiretas. Então John havia tomado a iniciativa e proposto.

E daí se, tarde da noite, sozinha na cama, ela experimentava uma ocasional onda de desconforto? Todas as noivas não se sentiam nervosas, afinal de contas?

Voltando a atenção para o show que finalmente tinha começado, logo se encontrou mergulhada no humor sonhador em que caíra na noite anterior.

Se tivesse se sentido tentada a considerar o showda noite anterior como uma tacada de sorte, dessa vez não haveria como negar o poder de Zeke Woodlow como cantor e, mais importante, a habilidade que ele possuía em afetá-la.

Ocasionalmente, ela parava para escrever no seu pequeno caderno de anotações, procurando pelos adjetivos certos para descrever a atuação dele e no efeito elétrico que tinha sobre o público.

Quando Zeke começou a cantar "Beautiful In my Arms" , Summer novamente se sentiu transportada para um lugar mágico, e era como se ele estivesse cantando só para ela. Era quase como a sensação que ocasionalmente experimentava em uma outra circunstância: quando se permitia fazer algo totalmente imprevisto. Alguma coisa que não fosse sensata demais, e que considerava loucura.

Ela reprimiu os pensamentos. Não fazia sentido pensar sobre isso agora. Era seu pequeno segredo. Esta noite, tinha uma missão profissional a cumprir. Desta vez, com alguma sorte, e dicas internas de uma colega de trabalho da The Buzz, conseguiu sair da platéia no fim do show e localizar-se na metade do caminho que levava ao camarim dos músicos.

Ela tinha desabotoado o casaco. Scarlet dissera: "Mostre-lhes a mercadoria e não seja tímida" . Segurando uma pequena bolsa de camurça em uma das mãos, se compôs quando se aproximou do primeiro guarda de segurança. Você pode fazer isso, disse a si mesma. Você é capaz.

Esboçando um sorriso brilhante, notou que os olhos do homem alto e forte a observavam com atenção, enquanto ela se aproximava. De repente, ele perdeu a expressão séria, substituindo-a por uma de apreciação masculina.

Bem, bem, aparentemente, Scarlet estava certa. Sentindo-se de súbito poderosa, Summer manteve o sorriso no lugar e lançou-lhe um olhar envergonhado.

- Estou aqui para ver Zeke. Ele pediu-me para procurá-lo quando estivesse em Nova York.

- Ele pediu?

Ela assentiu, aproximando-se mais do homem.

- Falei com Marty mais cedo. - Summer tinha se certificado de saber o nome do empresário de Zeke. Uma vez que ia mentir muito, não fazia sentido errar. - E ele me disse para vir logo depois do show.

- Você conhece Marty?

- Apenas das últimas cinco cidades. Vi o show de Zeke em L.A., Chicago, Boston... - Ela deu uma pausa, então acrescentou de modo significativo: - Nós sempre nos divertimos muito.

O guarda gesticulou por sobre o ombro.

- Terceira porta à esquerda.

Fácil assim? Ela teve vontade de chorar de alívio. Em vez disso, sorriu e murmurou:

- Obrigada.

Por um segundo, pensou que não seria difícil se acostumar a levar uma vida como uma mulher sexy e ousada. Sentia-se livre, quase impulsiva. Diante da porta de Zeke, respirou profundamente e bateu.

- Entre - soou uma voz masculina do outro lado.

Girando a maçaneta, ela entrou no camarim levemente iluminado. Do outro lado da sala, a voz dele a alcançou:

- Eu estava esperando você.

A voz pareceu infiltrar-se em cada célula do corpo de Summer. Profunda, sexy, rica e vibrante, era até mesmo mais potente de perto e pessoalmente do que no palco.

Zeke continuou de costas para ela, enquanto pegava o celular de uma mesinha organizada e apertava alguns números.

- Estarei pronto para ir ao hotel em aproximadamente dez minutos. Tudo bem para você, Marty?

Ela podia ver que ele ainda estava vestido com o jeans preto e a camiseta que usara no palco. O traseiro era lindamente definido pela calça justa, e o algodão da camiseta delineava braços fortes e ombros largos.

Ela pigarreou.

- Eu não sou Marty.

Zeke virou-se e parou, olhando-a. O rosto dele era extraordinário. Bonito, sim, mas também muito expressivo. E então havia os olhos. Oh, Senhor, os olhos. Eram azuis e insondáveis como o oceano. Ela teria dito que a expressão dele se tornara dura, não fosse por aqueles olhos. Apesar da reputação de Zeke de ser grosseiro, ele tinha olhos incrivelmente doces.

Com a parte do cérebro que ainda funcionava, Summer notou que ele permanecia imóvel. Era sua imaginação ou ele estava tão perturbado quanto ela?

- Sim - murmurou ele finalmente. - Posso ver que você definitivamente não é Marty. Então, quem é você?
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