Clube do Romance

Sonhos de princesa

por Harlequin Books | 25/05/2007

De Lucy Monroe. Série Harlequin Paixão. Edição 49.


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Porém, ele não era bobo. Não sustentaria um compromisso eterno em lembranças que já datavam de seis anos. Ao contratá-la para cuidar dos seus filhos, ele teria a oportunidade de observar Maggie e assegurar-se de que ela fosse tudo o que ele lembrava antes de informá-la sobre seu desejo de casar-se com ela. Também queria garantir que a paixão latente que havia entre ambos não havia desaparecido e que era tão intensa quanto o encontro ardente que ele tinha na memória.

Não se sentiria confortável com uma mulher que não gostasse desse lado da natureza. Recusava-se a ser como seu pai, que encontrava prazer sexual fora do casamento. Considerava este comportamento repreensível, assim como o próprio pai, que não se casou novamente, depois da morte da mulher.

O pai dele chamava isso de "a maldição dos Scorsolini". De acordo com o rei Vicente, os homens da família eram fadados a ter apenas um amor verdadeiro. Tomasso não se importava com seu suposto destino. Ele jamais quis amar como seu pai e terminar viúvo, empre em busca de preencher um vazio que nunca seria satisfeito.

Sabia que era diferente do pai. Até mesmo uma paixão superficial seria suficiente para ele se manter fiel. Foi assim com Liana. Embora, quando se casaram, ele acreditasse que era amor verdadeiro, logo viu que não era bem assim. Mesmo assim, manteve-se fiel, apesar dos problemas no casamento e a descoberta de que o que acreditava ser amor nada mais era do que encantamento pela beleza dela.

- O papai vem logo pra casa?

Maggie sorriu e aconchegou Annamaria na pequena cama.

- Sim, querida. Só mais dois dias.

- Sinto saudades dele.

- Eu sei. - Maggie beijou sua testa. - Boa-noite, Anna.

- Boa-noite, Maggie.

Ela apagou a luz e verificou mais uma vez Gianfrancesco. Estava dormindo... Certamente aquele emprego era diferente dos anteriores, mas agora trabalhava para a realeza. Eles certamente tinham uma forma particular de lidar com a vida doméstica. Parecia estranho, mas ela gostava do senso de respeito que tinha dos colegas de trabalho e da óbvia importância que o príncipe dera à sua função de cuidar das crianças.

Ela fechou o quarto de Gianfrancesco, esperando que ele e a irmã dormissem bem naquela noite. O pai deles não ligou como de costume, e foi difícil colocá-los na cama. Seus pequenos fardos precisavam dela, mais ainda do que a família que acabara de deixar para trás.

Isso não era surpreendente, considerando que a mãe de Gianni e Anna morrera quando eles ainda eram muito novos, mas era impressionante o quanto ela já se importava com os dois. Ela os amava, de verdade. Deveria ser cedo demais para ter tais sentimentos por crianças às quais não dera à luz, mas sentiu uma forte ligação com elas desde a entrevista. Estava muito inclinada a recusar a oferta do príncipe, mas então conheceu as crianças e sentiu que simplesmente não podia esquivar-se da necessidade que percebia nelas.

Ela concordou com o contrato de dois anos, mas seu coração já perguntava agora como conseguiria separar-se dos dois quando chegasse o momento. Era babá deles por apenas dez dias, mas sentia como se estivesse a vida toda. Ela morou em mais de um orfanato quando era criança, teve várias colegas de quarto nos dois últimos anos de faculdade e foi babá em duas famílias diferentes, mas nunca se ligou tão rapidamente a ninguém como àqueles dois. Exceto Tom Prince. E aquela relação terminou mal para ela, assim como o emprego.

De onde podia falar, tanto Anna quanto o irmão mais velho sentiam muita falta do pai, que dedicava muito tempo ao trabalho. Eles precisavam tanto dela que se sentia incapaz de virar as costas. Viciado em trabalho ou não, o príncipe não devia ser de todo mau, pois tinha dois filhos adoráveis e uma cunhada muito dedicada.

Ele não era exatamente alguém negligente. Ligava para os filhos todos os dias, mais de uma vez, e conversava com eles em um nível que mostrava o quanto sabia lidar com crianças. Maggie não escutava às escondidas, mas não podia evitar ouvir a fala das crianças. Ela acreditava que ele era um bom pai, apesar das preocupações com o trabalho.

Seu patrão anterior era do mesmo jeito. Parecia uma condição comum entre as pessoas ricas. Ela se manteve no último emprego por dois anos e podia contar nos dedos os feriados que os patrões passaram com os filhos. Não era o tipo de vida que invejava, ainda que significasse viver em meio ao luxo e a viagens constantes.

Nunca se interessou em ligar-se a nenhum dos homens que conheceu naquele mundo que passou a freqüentar desde que se formou. Se algum dia se casasse, seria com um homem que soubesse realmente ser parte de uma família, e não apenas um provedor. Queria algo real, algo duradouro e afetuoso... o tipo de família com a qual sonhara por toda a infância.

Ela suspirou e deixou-se afundar no elegante sofá em estilo vitoriano da sua sala de estar. Tinha 26 anos e começava a duvidar que fosse encontrar um homem com o qual desejasse compartilhar sua vida. Esse pensamento não doía tanto quanto a idéia de que, por causa disso, jamais teria filhos. Ela pegou o controle remoto e ligou a televisão. Certamente não encontraria ninguém naquele meio. Gostava da princesa Theresa, mas seu marido, o príncipe herdeiro, era tão concentrado no trabalho quanto o irmão mais novo. Maggie duvidava que isso fosse mudar quando o casal tivesse filhos e imaginava se essa seria a razão para ainda não os terem tido.

Ela passou os canais até achar seu filme favorito, um romance dos anos 40. Ela adorava esse filme e sabia que ficaria acordada até de madrugada assistindo. O herói sempre a lembrava do homem que um dia fez seu coração bater forte e seu corpo arder como fogo. Infelizmente, assim como o homem da televisão, Tom Prince casou-se com outra mulher. Uma mulher linda, sofisticada e sensual. O tipo de mulher que virava a cabeça de todos os homens. O tipo de mulher que Maggie sabia que jamais seria.

Tom fora seu patrão e colega de quarto na faculdade e, mesmo que tivesse dito o contrário quando brigaram, seu amigo mais próximo. Ela vinha pensando muito nele ultimamente. Algo em Gianni e Anna fazia com que se lembrasse dele e dos sentimentos que ele provocou. Ela também vinha tendo outros tipos de sonhos... os eróticos, nos quais aliviava as sensações que conhecera nos braços dele naquela noite, seis anos atrás. Ela não entendia a ligação e não gostava disso. Fora muito ruim perdê-lo para Liana e ter de viver sem sua presença diária. Mas agora ela sentia que estava temendo novamente a perda, mas não compreendia o porquê.

Determinada a não pensar no passado e sofrer, ela se concentrou no filme, mas, dessa vez, sua história de amor favorita não lhe prendeu a atenção, e logo ela se perdeu em lembranças que não conseguia esquecer, por mais que tentasse...
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