* Este capítulo é apenas para degustação. Não terá continuação aqui. O restante do livro pode ser lido na série Harlequin Paixão 49.
CAPÍTULO UM
- Você a contratou?
O príncipe Tomasso Scorsolini caminhava na suíte do Hotel Hong Kong falando no celular, aguardando com uma impaciência mal disfarçada para saber se sua presa havia mordido a isca.
- Ela veio ao palácio para a entrevista, como combinado, e me impressionou muito. - A voz de Theresa era de aprovação. - Não sei como ficou sabendo sobre ela, mas é uma moça adorável e será boa para as crianças. Realmente é ideal, mas inicialmente não pensei que fosse aceitar a proposta.
- Por quê? - Ele havia se assegurado de que Maggie Thomson não tinha problemas de lealdade, e tomou algumas medidas para que os empregadores atuais a demitissem, sugerindo, ao mesmo tempo, que ela considerasse ocupar o cargo na casa dele.
- Estava preocupada com o impacto que sua ausência, no prazo de dois anos, traria a Annamaria e Gianfrancesco, especialmente depois da morte de Liana.
- Dois anos? Ela planeja ir embora?
- Tem planos para abrir a própria creche depois que economizar o suficiente. Ah, então ela ainda tinha os mesmos sonhos. Ele não ficava surpreso com isso. Maggie Thomson era quase tão teimosa quanto ele.
- O que falou a ela?
- Segui seu conselho e a apresentei em primeiro lugar a Gianni e Anna. Eles gostaram da srta. Thomson de imediato e ela logo se encantou por eles. Você sabe como a pequena Annamaria é tímida e, mesmo assim, no fim da entrevista, ela estava sentada no colo da srta. Thomson. Nunca vi nada assim.
Ela não precisou dizer o que os dois sabiam. A ligação entre as crianças e a mãe verdadeira nunca fora muito significativa. Liana não os educou.
- Que bom ouvir isso! Muito bom.
- Sim. Eu disse a ela que, caso se comprometesse com um contrato de dois anos, pagaríamos um bônus no final para ajudar os negócios dela.
- E isso a convenceu?
- Inicialmente, não. Ainda estava preocupada com as crianças, mas eu expliquei que, na contratação de ajuda doméstica, um contrato de dois anos era de longo prazo.
Ele não tinha planos de permitir que Maggie Thomson partisse em dois anos, nem depois disso, mas Theresa não precisava saber desse detalhe.
- Brilhante. E ela aceitou.
- Sim.
- Obrigada, Theresa. Diga a Claudio que o verei quando voltar a Isole dei Re.
- Você deve vê-lo antes de mim. - Algo no tom da cunhada o incomodou.
- Você está bem, Theresa?
- Sim, claro. Como você sugeriu, a srta. Thomson aceitou começar imediatamente.
- Excelente.
- Sim, mas vou sentir falta das crianças.
- Sinto muito, Theresa.
- Não seja bobo. Gosto da companhia deles, mas é importante que tenham uma pessoa mais constante para tomar conta deles. Se você morasse aqui no palácio seria diferente, mas como mora em outra ilha, não posso suprir a falta da mãe deles.
Ela desligou.
Tomasso desligou também e sorriu no quarto vazio. Tudo estava dando certo. Aparentemente, seus filhos e Maggie se adoraram. Além disso, ela ainda era a mesma criatura doce da época da faculdade. Ele não esperava nada de diferente desde que leu o relatório que recebeu sobre ela. Era eficiente, bem-humorado no ambiente doméstico e fácil de conviver. Na época da faculdade, ele não apreciava essas qualidades. Estava muito interessado na beleza externa para entender o quanto a presença dela significava para ele... até que ela se foi.
Ele podia reconhecer o quanto sua vida caminhara suavemente enquanto Maggie foi sua governanta. Quatro anos em um casamento passageiro com Liana o curaram dessa complacência.
No primeiro ano depois da morte dela, Tomasso se recusava a pensar em ter outra esposa, pois não tinha o desejo de se aventurar em outro casamento sem harmonia. Mas também não queria terminar como o pai e, nos últimos meses, começou a ansiar por um casamento pacífico como o que seu irmão mais velho tinha com a gentil e doce Theresa.
Sempre que Tomasso fantasiava com esse tipo de harmonia, só conseguia pensar em uma mulher: Maggie Thomson. Podia ouvir sua suave voz o lembrando de tomar café antes de sair, podia lembrar-se de suas mãos ocupadas se assegurando de que a vida dele transcorresse sem dificuldades.
Ele queria aquela harmonia novamente, mas, dessa vez, não cometeria o erro de mandá-la embora. Ela se afastou dele uma vez, dizendo que a relação dos dois era puramente profissional, mas que não o queria mais como chefe. Ele aceitou a inverdade por duas razões. A primeira foi que sabia que a havia ferido e, mesmo que não tivesse essa intenção, sentia que devia a ela a honra de respeitar seu desejo de cortá-lo de sua vida.
A segunda era que Liana sentia ciúmes da relação dele com Maggie. Esse sentimento infundado surpreendera na época. Ele o considerara parte do amor passional que Liana nutria por ele. A bobagem dessa crença ainda o amargurava. Liana amou apenas uma pessoa... a si mesma. Ele dava condições para que ela tivesse o estilo de vida que desejava. Nada mais. Casar com um príncipe, tornar-se uma princesa. Ele imaginava se o fato de Maggie saber de sua condição de príncipe mudaria sua atitude em relação a ele.
Todos mudavam. E essa foi a razão de ter feito faculdade com a identidade de Tom Prince. Ele queria ter relações com base em quem era, e não no que era. Queria provar que podia ser bem-sucedido por conta própria, e não por causa da força do nome de sua família. Pelo menos isso ele conseguiu provar. Formou-se com honras somente por seu mérito, mas as relações foram outra história.
Sem que soubesse, Liana sempre tivera ciência de sua condição nobre e Maggie fugiu do simples Tom Prince muito facilmente. Será que ela o desejaria como um dia Liana desejou, quando soube de seu sangue real?
Ele concordou que esta não era a questão. Ela era exatamente o que ele queria como mulher e mãe de seus filhos. A razão para ela ter escolhido se casar com ele não importava, pois ainda seria ela mesma, uma mulher que reunia todas as condições para fazer a vida dele mais tranqüila e dar a seus filhos a educação de que tanto precisavam.
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