Clube do Romance

Outra vez em seu coração

por Harlequin Books | 24/01/2007

De Amanda Browning. Série Harlequin Jéssica. Edição 42.


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Outra vez em seu coração

Este capítulo é apenas para degustação. Não terá continuação aqui. O restante do livro pode ser lido na série Harlequin Jéssica, edição 42.

CAPÍTULO UM
Samantha Lombardi, ou Sam, como seus amigos mais próximos e família gostavam de chamá-la carinhosamente, sabia, sem sombra de dúvidas, que não podia estar mais feliz. Era bem cedo, a hora do dia de que mais gostava, e estava deitada nos braços do homem que amava: Ransom Shaw. Só de pensar no nome do amado, teve uma enorme sensação de bemestar e segurança. Deu um suspiro de satisfação, sorriu e o abraçou com mais força, sentindo com mais intensidade o aroma natural de seu homem, que dormia tranqüilamente. Apenas o tórax estufava e relaxava pela respiração.

Talvez fosse um pouquinho suspeita para falar, mas achava aquele homem perfeito. Só de olhar para ele, sentia o coração dar pulos de emoção. Ele era de uma beleza rústica, fora dos padrões. Os cabelos pretos encaracolados, que caíam até os ombros, fugiam da tendência da moda. Os vívidos olhos acinzentados contrastavam com o rosto naturalmente bronzeado. Naquele exato momento, o rosto moreno estava ainda mais sensual com a barba que havia crescido durante a noite.

Ela ficou imaginando formas de acordá-lo para recomeçar o que haviam feito durante quase toda a noite. Amor, amor, amor. Mas achou melhor deixá-lo descansar mais um pouco. Ele acabara de entrar para um escritório de advocacia de muito prestígio e andava trabalhando arduamente em seu mais novo caso. Tinha esperanças de crescer no escritório e um dia ser até sócio majoritário. Isso lhe custaria tempo e sacrifícios, mas Ransom tinha o talento e a disposição para conseguir o que queria.

Sam o conheceu, justamente, quando foi chamada para trabalhar como intérprete daquele mesmo caso que ele à época acabara de receber. Foi atração à primeira vista. Ela nunca havia experimentado nada parecido. Os dois se envolveram com tanta intensidade que o mundo ao redor deixou de existir. Em poucos dias, tornaram-se amantes e nada parecia ser tão perfeito quanto o que sentiam um pelo outro. Para ela, não se tratava de um passatempo, era para sempre. Um amor daqueles de conto de fadas, eterno. Não tinha dúvidas. Era para valer. Ele era o homem
da sua vida. Estava perdidamente apaixonada por ele e percebia que Ransom sentia o mesmo.
Os dias viraram semanas. Agora as semanas se transformavam em meses e o amor dos dois se fortalecia cada vez mais. Eram almas gêmeas, predestinados um ao outro...

Sob sua bochecha, o peito de Ransom se expandiu quando ele inspirou profundamente. Sam olhou para cima e encontrou os olhos gris do amado voltados para ela. Ele sorriu lentamente.

- Bom dia. - Ele acariciou as curvas sedosas que marcavam as costas de Samantha.

Ela se moveu, deitando todo o corpo sobre o dele.

- Te acordei? - perguntou, no mesmo tom doce que ele havia usado.

- Sempre. É impossível não ficar acordado com uma mulher maravilhosa como você do meu lado.

Mal pronunciou essas palavras, Samantha pôde sentir o membro de Ransom crescendo sob suas coxas. Sam riu suavemente e deu vários beijos no pescoço de Ransom.

- Não devíamos fazer isso, você precisa descansar.

A resposta de Ransom foi envolvê-la nos braços e girá-la para que ficasse por debaixo dele.

- Preciso de você - ele disse com a voz rouca, sério, e o calor de seus olhos foi suficiente para que o sangue de Sam começasse a ferver de desejo. - Nossa, sou totalmente louco por você.

- Como posso resistir quando você me diz uma coisa dessas? - Sam murmurou, e então ele abaixou a cabeça, bloqueando a luz do sol. E toda a razão foi esquecida no ardor da paixão.

Bem mais tarde, depois de tomar um bom e gostoso banho antes de se vestir, eles se sentaram frente a frente à mesa com café-da-manhã, no apartamento de Ransom. Ela passou manteiga na torrada e a jogou no prato de Ransom, pois estava muito quente. Fez outra para si mesma, com geléia.

- Vai ao tribunal hoje? - perguntou a ele, pensando na possibilidade de almoçar, mesmo que fosse algo rápido, com ele. Com a agenda atribulada de Ransom, quase nunca tinham tempo para ficar juntos.

Ransom fez que sim com a cabeça, enquanto tomava um gole do café.

- É a última audiência, provavelmente vai ser um longo dia. E você?

Sam trabalhava numa empresa de tradução para qualquer tipo de evento ou ocasião. Era fluente em
meia dúzia de línguas e se virava em outras mais, o que a mantinha bastante ocupada e nunca a deixava entediada.

- Vou ligar para o escritório quando chegar em casa e ver o que eles têm para mim hoje. - Tinha de passar em casa para trocar de roupa e checar seus emails.

Ao terminar o café-da-manhã, Ransom levou a louça suja para a pia e deu de ombros, em seu terno de risca-de-giz.

- Que tal um jantarzinho a dois?

Com cara de triste, Sam balançou a cabeça.

- Não posso, infelizmente. Marquei de jantar com meus pais. - Era um costume desde que ela se mudou de casa para morar sozinha e, pela primeira vez, não sentia nenhuma vontade de visitar a antiga casa.

- Quando é que vou finalmente conhecer sua família, hein? - Ransom quis saber. Havia feito a mesma pergunta algumas vezes, recentemente, e Samantha não sabia bem por que estava adiando tanto o encontro.

- Em breve - ela prometeu. Pensou que talvez a razão fosse porque queria ter Ransom só para ela
mais um tempinho. Se o levasse à casa dos pais, eles automaticamente iriam começar a se intrometer em sua vida. Amava muito os pais, mas às vezes se sentia sufocada pela forma como se preocupavam com ela.

Ransom ergueu uma das sobrancelhas.

- Por acaso está com vergonha de mim?
Ela se levantou rapidamente.

- Claro que não! - A verdade era que nunca havia levado um homem na casa dos pais. Se levasse
Ransom, a família iria descobrir que aquele ato era mais do que significativo.

- É que não quero te dividir com ninguém, ainda.

- Primeiro, teria que prepará-los psicologicamente. Ele sorriu preguiçosamente.

- Tudo bem, contanto que não se esqueça de que um dia vou ter de conhecer sua família.

Ela sorriu aliviada e passou seus braços ao redor do pescoço de Ransom.

- Um dia. Até agora, estamos bem só nós dois, não estamos?

As mãos de Ransom se acomodaram na cintura de Sam e ele a trouxe para mais perto.

- Dois está bom demais. Esqueça o que eu disse. É que sou meio antiquado com algumas coisas. - Então deu um beijo efusivo nos lábios de Sam.

Ainda era cedo demais para Sam, que suspirou quando ele a soltou para checar a maleta. Mesmo assim, ficou feliz com o que Ransom disse. Só havia uma razão para um homem antiquado querer conhecer os pais da namorada: mostrar que suas intenções eram sinceras. Sorriu para si mesma. Não havia nada no mundo que quisesse mais do que se casar com Ransom Shaw e passar o resto da vida com ele. Talvez fosse, afinal de contas, levá-lo em casa mais cedo do que havia pensado.

- Está sonhando acordada? Me conta - Ransom perguntou, risonho, tirando-a de suas divagações, e Sam sentiu as bochechas ficando rosadas.

Não podia contar para ele que sonhava com o dia em que ele a pediria em casamento.

- Estava pensando no seu beijo... Você beija maravilhosamente.

- Ela se agachou de leve e apanhou a bolsa de mão que trouxera na noite passada. -
Teve muitas aulas de prática?

Os olhos acinzentados brilharam.

- O beijo só é bom porque estou beijando a pessoa certa.

- E você sabe disso por quê...? - Ela se adiantou e deu uma risada abafada.

- Tudo bem, tudo bem. Sei disso porque beijei várias erradas antes de te conhecer. Contente agora?

Ela sorriu, com o ego nas alturas.

- Contente é pouco. Vou ter um sorriso estampado no rosto durante dias. As pessoas vão achar que
estou ficando louca.

- É só dizer para elas que está louca por mim. Isso vai explicar tudo.
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