Clube do Romance

Doce mistério

por Harlequin Books | 12/01/2007

De Victoria Pade. Série Harlequin Destinos. Edição 41


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Doce mistério

Este capítulo é apenas para degustação. Não terá continuação aqui. O restante do livro pode ser lido na série Harlequin Destinos.

Um
- Bem, é claro, você sabe que eu preciso do dinheiro. Tive todas as despesas com a mudança, o correio e anúncios do negócio. E não dá para saber quanto tempo vou levar para conseguir algum trabalho, mas...

- Mas nada. O trabalho é apenas enquanto Rand encontra outra pessoa, e lhe dará a oportunidade de se familiarizar com o centro da cidade, além de ser uma chance de extrair algo de um advogado e entrar em contato com vários outros. É isto que você quer, não é? Então eles vão lhe enviar sua pesquisa e você poderá começar algo aqui.

Aqui era Washington, D.C. - Georgetown, mais especificamente - e Lucy Lowry tinha que reconhecer que sua tia, Sadie Meeks, estava certa. Lucy tinha acabado de cruzar o país - vinha da
Califórnia - com seu filho de quatro anos, Max, e a mudança custou caro. Agora que Lucy estava acomodada em uma das quatro casas com terraço que a tia havia comprado à guisa de investimento, precisava se concentrar em fazer algum dinheiro, e esperava que este dinheiro viesse do trabalho freelance com pesquisas na área do direito, pois assim poderia trabalhar e estar com Max tanto quanto possível. Mas até conseguir arrumar trabalho de pesquisa, pretendia trabalhar como secretária e/ou contadora para pagar as contas. O que era exatamente o que sua tia estava sugerindo: um trabalho de secretária.

- O problema é ser no centro da cidade - ela disse à tia. - Não só não vou trabalhar em casa, como nem sequer estarei perto.

Sadie desconsiderou sua preocupação.

- Mas é só por enquanto. Eu lhe disse que já falei com a diretora da creche e eles permitirão que você deixe Max lá de graça em retribuição a meu serviço semanal de leitura para as crianças, e porque ela é minha companheira do clube feminino. É uma creche de muito renome e Max está furando uma fila enorme. Ele terá a oportunidade de fazer amigos e poderá ficar comigo às vezes, também. Vamos utilizar meus conhecimentos de videogame. Sadie fez uma pausa e mudou de tom.

- Nem que seja como um favor para mim, querida. Estou adorando minha aposentadoria e, por mais que goste de Rand Colton, simplesmente não quero voltar a trabalhar. Mas ele está todo enrolado...

Lucy sabia que não conseguiria argumentar com a tia. Sadie era sua tia favorita; tinha comprado quatro casas avarandadas e ofereceu uma para ela e Max, sem cobrar aluguel. Insistia que o aluguel de duas das casas pagava os custos das quatro, e se Lucy e Max se mudassem para Georgetown para ajudar a tomar conta das casas, principalmente quando Sadie estivesse viajando, já valeria bem mais que o aluguel que deixaria de entrar. Com esta combinação, Lucy poderia pegar trabalho freelance em vez de trabalhar de nove às cinco no escritório, de modo que logo aceitou a proposta. Mas agora também não poderia deixar de negar um favor a Sadie.

- Só uma entrevista com Rand - Sadie pediu. - Nunca se sabe, talvez você nem seja escolhida para o trabalho. E mesmo que seja, é só uma questão de organizar a confusão deixada por uma série de secretárias incompetentes que passaram por lá depois que eu me aposentei. Rand estará procurando por outra enquanto isto. Deve levar apenas alguns dias até uma secretária maravilhosa entrar por aquela porta e você estará dispensada. Mas Rand disse que vai ficar maluco com as secretárias que a agência de empregos temporários anda arrumando para ele.

- Ainda não entendi como ele foi ter tanto azar com as secretárias.

- Não vou enganar: ele não é dos mais fáceis para se trabalhar. Nós sempre nos demos bem, mas só porque eu nunca levei suas ameaças a sério. No fundo, ele tem bom coração, mas isto nem sempre fica claro devido a seu jeito rude. E ele é bem mandão. Mas, afinal, ele é homem, e como todos, precisa de alguém que cuide dele.

- Parece que você está descrevendo um bebezão. Um bebezão mimado - Lucy comentou, rindo.

- Ele está longe de ser um bebê - a tia respondeu, em tom de insinuação. - É um homem, e dos bons. Costuma pegar casos difíceis e trabalhar feito louco por horas, depois cair na farra até o amanhecer e mesmo assim comparecer às nove no tribunal, com a melhor das aparências. Ele simplesmente não entende que nem todos conseguem acompanhar seu ritmo. Além disso, é
curto e grosso, e não manda recado. Alguns o acham arrogante. E ele não deixa que o façam de bobo. Mas eu não mandaria você para a jaula do leão a não ser que quisesse - Sadie disse, como quem confidencia algo.

Portanto, quando ele estiver atacado, apenas saia de perto e pare de prestar atenção nele. Difícil de trabalhar? Modos bruscos? Mandão? Homem dos bons? Curto e grosso? Não manda recado? Arrogante? E isto vinha de uma mulher que se considerava a maior fã de Rand Colton. Rand Colton só podia ser o pior dos chefes.

- Por favor, querida! Já dei todas as minhas roupas de trabalho para caridade e me acostumei a ficar de camisola até a hora do almoço. Não quero voltar a trabalhar. Mas Rand precisa de ajuda imediatamente.

Lucy olhou para a tia de modo incisivo.

- Você não tem nenhum motivo escuso, tem? Esse negócio que você disse quanto a ele ser bonitão foi só para suavizar os defeitos dele, certo? Sadie era uma mulher tão alta quanto Lucy, ambas com
seu metro e setenta e poucos, mas Lucy era mais esguia, e Sadie, mais rechonchuda, com suas maçãs do rosto que ficavam mais evidentes ao sorrir para a sobrinha.

- Nenhum motivo escuso - Sadie jurou. - Sei que você não quer mais saber de homens.

- Não é que não queira saber de homens - Lucy corrigiu.

- Assim parece que eu sou radical e amarga, e não sou nada disso. Simplesmente optei por...

- Dedicar-se completamente a Max. Eu sei. Você já me disse umas cinqüenta vezes. Não estou te culpando pela falta de interesse nos homens, depois do que o pai de Max fez. Mas acredite em mim, Rand tem mulheres mais do que suficientes à disposição, e eu seria a última pessoa do mundo a querer juntar minha própria sobrinha a um playboy desses. A razão é puro egoísmo de minha parte. Estou tentando arrumar para ele a assistência de que precisa sem ter de meter a mão na massa.

Lucy fez uma pausa de efeito e disse:

- Tudo bem, pode marcar a entrevista.

- Combinado! Três da tarde, hoje. Eu lhe dou uma carona até lá e levo Max para tomar sorvete enquanto você conversa com Rand.

Lucy riu de novo.

- Você até já marcou a entrevista. Muito confiante, hein, tia?

- Vai dar tudo certo. Você verá. Agora vá vestir um blazer. É preciso parecer profissional. Rand é muito exigente neste sentido.

- Ah, que ótimo, ainda por cima é do tipo disciplinador - Lucy disse, alegremente, acrescentando "disciplinador" e "playboy" à longa lista que fazia Rand Colton não parecer nada recomendável para ela.

- Apenas pense em todos os advogados que você encontrará e para quem dará seu cartão - Sadie aconselhou, como quem não queria nada. - Agora ande! Não vá se atrasar. Ele também não tolera atrasos.

- Acho que eu devia ganhar duas bolas de sorvete. Quando você vai a algum lugar vestida deste jeito a gente acaba jantando tarde da noite, e até lá eu fico com fome.

Lucy virou-se para o filho, afivelado por cintos de segurança no banco de trás do carro de Sadie.
Max era pequeno para sua idade, mas era precoce. Ele parecia pular de quatro para quarenta anos, tornando difícil qualquer argumentação.

- É verdade que me visto assim para ir trabalhar. Mas hoje irei apenas conversar com um homem, não vou demorar. Vamos jantar no horário de sempre. Max torceu seu narizinho impertinente. Mesmo que não fosse mãe dele, Lucy o acharia adorável, pensou. Ele tinha bochechas que nem as de um esquilo, grandes olhos azuis que a fitavam por detrás de óculos sérios e cabelos castanhos cortados bem curtos.

- Duas bolas, tá? - ele tentou, a despeito da conversa travada.

- Lamento. Uma bola, colega.

- Mas e se eles tiverem dois sabores novos? Aí eu preciso de duas bolas de sorvete, aí deixo para comer melhor no jantar amanhã.

- Se eles tiverem dois sabores novos, você prova de um hoje e o outro nós pedimos para viagem e você come depois do jantar de amanhã.

Max sorriu, vitorioso, como se fosse aquilo que tivesse tentado conseguir. Essa visão deixou Lucy toda boba. Ele tinha o hábito de empurrar a ponta da língua entre os dentes da frente quando sorria daquele jeito, era tão lindo que ela mal podia crer. Ele também tinha covinhas irresistíveis que lhe davam um ar dos mais travessos.

- E se houver três sabores novos? - ele sugeriu, achando que ela tinha baixado a guarda.

- Desista - ela aconselhou, e ela e Sadie caíram na risada.

Sadie parou no sinal vermelho e apontou para o edifício alto de cromo e vidro no próximo quarteirão.

- O escritório de Rand fica lá. A sorveteria fica dois quarteirões adiante, na entrada do edifício de tijolos vermelhos. Eles têm estacionamento subterrâneo. Por que você não caminha até lá e nos encontra quando terminar?

- Você não quer subir e dar um alô?

- Rand e eu já batemos papo por telefone. Sei como ele é ocupado. Não quero incomodá-lo.

Após o sinal abrir, Sadie encostou o carro em frente ao edifício de Rand Colton.

- Vigésimo terceiro andar, sala 2.300. Boa sorte.

- Devo precisar - Lucy disse, irônica. Então, virando-se para Max, disse: - Seja bonzinho com a tia Sadie.

- Ele será - Sadie respondeu, e um carro buzinou atrás.

Lucy viu que esta era sua deixa para sair logo do carro.
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