Clube do Romance

Avassalador

por Harlequin Books | 27/05/2007

De Diana Palmer. Série Harlequin Desejo. Edição 50.


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Avassalador

* Este capítulo é apenas para degustação. Não terá continuação aqui. O restante do livro pode ser lido na série Harlequin Desejo 50.

CAPÍTULO UM

O semestre fora cansativo. Tellie Maddox finalmente conseguira seu diploma em História, mas sentia-se traída. Ele não aparecera na cerimônia de formatura. Marge fora com Dawn e Brandi, suas filhas. Embora não fossem parentes, eram muito próximas de Tellie - órfã há anos. Importavam-se com ela e não de prestigiá-la num dia tão especial. Ao contrário de J.B., que causava-lhe mais uma decepção na vida. Tellie afastou os cabelos escuros ondulados e suspirou. Sonhara que um dia J.B. se apaixonaria por ela e a pediria em casamento. No entanto, a cada dia isso ficava mais distante.

J.B. Hammock era irmão de Marge. Tirara Tellie do lar de adoção temporária no qual estava desde a morte da mãe. Seu pai, o principal boiadeiro de J.B., abandonara a esposa e desaparecera. Tellie foi viver com uma outra família, apesar das objeções de Marge. Na época, J.B. dissera que uma viúva com duas crianças para criar não precisava de mais complicações. Entretanto quando Tellie sofreu uma tentativa de estupro e J.B. soube o que ocorrera por um policial seu amigo, fez uma denúncia levando-a para depor.

O garoto, que estava aos cuidados da mesma família e tenha apenas treze anos, fora preso e enviado para a corte juvenil. Quando ele tentara tirar sua blusa, Tellie dera-lhe um soco, sentou-se sobre o menino até que a família ouvisse seus gritos. O fato de ele ser menor do que ela e estar bêbado facilitou sua reação. J.B. tirou Tellie da casa na mesma noite em que o garoto foi preso e deixou-a sob os cuidados da irmã.

Marge gostou dela logo que a viu como acontecia com a maioria das pessoas, pois Tellie era honesta, meiga e generosa, e trabalhava com afinco. Apesar de ter apenas catorze anos, cuidava da casa e das irmãs Dawn e Brandi, de nove e dez anos, respectivamente, que adoraram ter uma irmã mais velha. Marge era corretora de imóveis, e por isso trabalhava em horários não muito comuns. Mas podia contar com a ajuda de Tellie, que se revelara uma babá eficiente.

Tellie, por sua vez, idolatrava J.B. Muito rico e temperamental, possuía centenas de hectares de terra perto de Jacobsville, onde criava gado puro-sangue e divertia os ricos e famosos no seu rancho centenário. Contava com os serviços de um fabuloso cozinheiro francês e de uma governanta, Nell, que dirigia a casa e cuidava dele. Ele conhecia políticos famosos, artistas de cinema e nobres estrangeiros da época em que fora campeão de rodeio. Homem de boas maneiras que herdou de sua mãe espanhola, assim como a riqueza do pai inglês. Ambos eram freqüentadores do reino.

J.B. não era muito sociável, apesar de oferecer grandes festas em seu rancho. Sempre reservado, exceto no que dizia respeito às lindas mulheres que o acompanhavam em seu jatinho particular. Sua arrogância era condizente com sua posição e riqueza. Tellie torna-se uma das poucas pessoas próximas a ele, depois que, aos catorze anos, cuidara de sua bebedeira após a morte do pai. Nell tinha ligado em pânico, contando que ele estava destruindo o escritório. Tellie, então, fez com que Marge a levasse a casa de J.B., onde depois de acalmá-la preparou café para ajudá-lo a ficar sóbrio.

A partir de então, J.B. vinha tolerando suas interferências. Embora ninguém ousasse dizer, nem mesmo Tellie, era como se ele fosse propriedade dela. Era possessiva, e com o passar do tempo começou a sentir ciúmes das inúmeras mulheres que passavam pela vida dele. Apesar de tentar não demonstrar seus sentimentos, nem sempre conseguia. Quando tinha dezoito anos, uma das namoradas de J.B. fez um comentário desagradável para Tellie, que ficou furiosa e disse que não ficaria com ele por muito tempo se continuasse sendo rude com sua família!

Depois que a garota saiu, J.B. foi chamar a atenção de Tellie, os olhos verdes flamejando como esmeraldas, o espesso cabelo negro despenteado por causa de seu descontrole. Lembrou-a de que não era propriedade dela, e que a expulsaria de casa se não deixasse de controlá-lo. Nem mesmo fazia parte da família, ele acrescentou com crueldade. E não tinha o direito de se intrometer em sua vida. Ela disse, então, que as namoradas dele eram todas iguais: garotas bonitas, de pernas longas, seios fartos e cérebro de passarinho!

Ele olhou para seus pequenos seios e comentou que obviamente ela não se encaixava naquela descrição. Tellie o esbofeteou, mas imediatamente se arrependeu. Porém, antes que pudesse se desculpar, ele a puxou de encontro ao corpo e a beijou de uma maneira que fez seus joelhos tremerem. Tinha certeza de que ele queria puni-la. No entanto, abrira a boca num protesto silencioso, e o corpo musculoso de J.B. estremecera junto ao dela. Ele levou-a ao sofá e a prendeu com o corpo. O beijo foi ficando mais intenso, insistente e apaixonado. A mão encontrou seus seios por baixo da blusa, e ela teve medo. As sensações que ele despertava nela fez com que o empurrasse. Tentou concentrar-se no que acontecia.

J.B. se afastou ainda mais irritado. Os olhos pareciam fulminá-la, como se tivesse feito algo imperdoável. Furioso, mandou que saísse de sua vida para sempre. A partir de então, passou a ignorá-la e nem se despediu dela, quando fora para a faculdade. Ao poucos, a tensão entre eles diminuiu, mas J.B. evitava ficar a sós com ela. Ele a presenteava no aniversário e no Natal, mas com objetos impessoais, como equipamentos para o computador ou biografias e livros.

Ela, por sua vez, comprara duas caixas de gravatas exatamente iguais numa liquidação para não se preocupar mais com presentes para J.B. Marge comentara sobre aquele presente, mas ele não disse nada. Sempre agradecia quando abria os presentes dados por Tellie, mas não fazia comentários. Certamente jogava-as fora, pois jamais usou alguma. Tellie não esperava que ele as usasse, pois eram feias: amarelas, estampadas com um horrível dragão verde de olhos vermelhos. Mas ainda havia gravatas suficientes para presenteá-lo nos próximos dez anos...

- Está pronta, Tellie? - Marge chamou-a.

Ela se parecia com o irmão, alta e de cabelos escuros, mas os olhos eram castanhos. Marge era dócil e dinâmica, sem ser severa. Todos gostavam dela. Ficara viúva há muito tempo e não se interessou por outro homem. Ela dizia a Tellie que o amor podia ser imortal, mesmo que a pessoa amada partisse.

- Só preciso guardar mais algumas blusas - disse Tellie, sorrindo.

Dawn e Brandi andavam pelo quarto que Tellie ocupava no alojamento, observando tudo com curiosidade.

- Um dia será a vez de vocês - afirmou Tellie.

- Não mesmo - replicou Dawn, sorrindo. Tinha dezesseis anos. - Serei proprietária de gados
como o tio J.B. quando terminar a faculdade de Agricultura.

- Serei advogada - disse Brandi, que estava com dezessete anos e logo entraria para a faculdade.
- Quero ajudar pessoas carentes.

- Ela tem treinado as habilidades de negociação comigo - disse Marge, piscando sorridente para Tellie.

- Comigo também - admitiu Tellie. - Ela está com minha jaqueta, que ainda nem usei.

- Fica melhor em mim - afirmou Brandi. - Vermelho não combina com sua cor.

Tellie sabia disso. Sempre ficava vermelha de raiva quando pensava em J.B. Marge observava Tellie arrumar a mala com uma expressão melancólica.

- Foi uma emergência - disse gentilmente. - O celeiro pegou fogo e quase todos os bombeiros da região foram conter o incêndio.

- Sei que ele viria se pudesse - respondeu Tellie, embora não acreditasse.

J.B. não demonstrara interesse por ela nos últimos anos, evitando-a sempre que possível. Talvez as gravatas o tivessem enlouquecido de vez e ele tivesse incendiado o celeiro, imaginando que fosse uma gravata gigante. Achando a idéia engraçada, riu.

- Por que está rindo? - perguntou Marge.

- Estava imaginando que talvez J.B. tenha ficado louco e começado a ver gravatas amarelas por todos os lados...

Marge também riu.

- Não ficaria surpresa. Aquelas gravatas são realmente horríveis, Tellie!

- Combinam com ele - disse Tellie, gracejando.

- Acho que um dia usará uma delas.

Marge ia dizer algo, mas aparentemente mudou de idéia.

- Bem, eu não esperaria por muito tempo - disse ela.

- Quem será a eleita da vez? - Tellie se perguntou em voz alta.

Marge ergueu as sobrancelhas. Sabia sobre o que Tellie estava falando. Ansiava para que o irmão voltasse a ter um relacionamento sério.

- Ele está se encontrando com uma das primas dos Kingston, de Fort Worth. Ela foi a segunda colocada no concurso de miss Texas.

Tellie não se surpreendeu. J.B. preferia louras bonitas e já namorara jovens estrelas de cinema. Ela, com suas feições comuns, não poderia ser comparada a tais beldades.

- Elas não passam de " bonequinhas de luxo" . - Marge sussurrou, maliciosamente, para que as filhas não a ouvissem.
Tellie riu.

- Oh, Marge, o que seria de mim sem você?

Marge encolheu os ombros.

- Temos que saber enfrentar os homens - afirmou ela. - Mesmo sendo meu irmão às vezes o vejo no lado inimigo. - Ela ficou quieta por um instante.

- Você não recebe um CD com a gravação da cerimônia?

- Sim, junto com o diploma - Tellie concordou.

- Por quê?

- Acho que podemos amarrar J.B. na poltrona do escritório e o obrigar a ver o CD por 24 horas seguidas - sugeriu ela. - A vingança é doce!

- Ele dormiria durante o discurso de abertura - Tellie suspirou. - Eu não o culparia. Eu mesma quase dormi.

- Devia se envergonhar. O orador era um político reconhecido!

- Reconhecidamente chato - observou Brandi, com um sorriso maroto.

- Todos aplaudiram com entusiasmo quando ele parou de falar - Dawn afirmou.

- Vocês duas têm ficado muito perto de mim - comentou Tellie. - Estão pegando os meus maus hábitos.

Ambas a abraçaram.

- Nós te amamos, com defeitos e tudo! - disseram.

- Parabéns pela formatura!

- Na verdade, você foi estupenda - Marge acrescentou. - Nada menos que um diploma magna
cum laude! Estou orgulhosa de você.

- Estudantes de distinção não têm vida social, mamãe - lembrou Brandi. - Não é de se espantar que tenham notas tão boas. Tellie passou todos os fins de semana no alojamento, estudando!

- Nem todos - murmurou Tellie. - Fui naquela viagem de campo de Arqueologia...

- Com muitos rapazes tolos - bocejou Dawn.

- Alguns - afirmou. - Além disso, gosto de procurar coisas antigas.

- Então devia ter se formado em Arqueologia - Brandi disse.

Ela riu.

- Prefiro procurar documentos antigos, não relíquias perdidas - falou. - Pelo menos é um trabalho mais limpo.

- Quando começa o mestrado? - perguntou Marge.

- No segundo semestre - respondeu, sorrindo.

- Resolvi passar as férias com vocês. Consegui um emprego com os irmãos Ballenger no centro de confinamento de gado, enquanto Calhoun, Abby e os filhos fazem um cruzeiro para a Grécia. Acho que finalmente valerá a pena ter seguindo J.B. e seu veterinário pelo rancho. Entendo bastante sobre alimentação bovina e saberei lidar com os documentos!

- Calhoun e Abby têm sorte! - Dawn disse, suspirando.

- Adoraria ficar de férias por três meses!

- Quem não gostaria? - afirmou Tellie pensativa.

- Mas eu tirei férias somente dos estudos!

- Alguns caubóis lindos estão trabalhando lá - Marge disse com olhos brilhando. - Um deles é um ex-Boina-Verde que cresceu num rancho.

Tellie encolheu os ombros.

- Não sei se quero conhecer rapazes no momento. Ainda faltam três anos de estudo até concluir o mestrado.

- Mas você já pode lecionar, não? - perguntou Dawn.

- Posso trabalhar com educação para adultos - respondeu Tellie. - Mas preciso pelo menos concluir o mestrado para lecionar na graduação, mas o doutorado é sempre melhor.

- Por que não quer trabalhar com crianças? - perguntou Brandi curiosa.

Tellie sorriu.

- Porque vocês eram muito levadas e destruíram todas as ilusões que eu tinha quanto às criancinhas - replicou ela, esquivando-se quando Brandi jogou um travesseiro nela.

- Éramos crianças adoráveis - disse Dawn, em tom desafiador. - Não ouse discordar, Tellie, senão...

- Senão o quê? - ela contestou. Dawn revirou os olhos.

- Senão queimarei as batatas. É a minha vez de preparar o jantar.

- Não dê atenção, querida - disse Marge. - Ela sempre queima as batatas.

- Mamãe! - a adolescente choramingou.
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