Clube do Romance

Apaixonada por um sheik

por Harlequin Books | 09/12/2006

De Sharon De Vita. Série Harlequin Destinos. Edição 39


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Apaixonada por um sheik

Este capítulo é apenas para degustação. Não terá continuação aqui. O restante do livro pode ser lido na série Harlequin Destinos. Tradução: Leo Oliveira

Um

San Diego
Faith Martin estava furiosa. Ignorando o sr. Kadid, o assistente idoso que lhe fazia companhia na última uma hora e meia, Faith soltou a respiração, desviou do homem e partiu na direção das portas de mogno.

- Espere. Srta. Martin, você... você não pode entrar aí.

Aquelas palavras saíram de sua boca quase engasgadas. Ele partiu atrás dela, incrédulo. Mas era tarde demais. Sem disposição para ser negada, ela abriu as portas duplas e parou de repente, olhando para aquela opulência inacreditável.

- Meu Deus - as palavras escorregaram de sua boca enquanto o olhar passeava pelo belo e elaborado escritório.

Ela já estivera em vários escritórios desde que abrira o próprio negócio de consultoria de informática há sete anos, muitos dos quais pertencentes a alguns dos empreendedores mais ricos da Califórnia, mas nada se comparava ao luxo daquele lá. A enorme suíte era de tirar o fôlego. Feito em tons sutis de azul-marinho e marrom, a sala continha uma bela coleção de arte que ela não duvidava ser genuína. As paredes eram cobertas por um elegante papel de parede branco e havia cadeiras de mogno talhadas a mão e um teto detalhado.

No meio da sala, iluminada por enormes janelas com vista para a cidade, ficava uma mesa de cerejeira que parecia ter sido feita a mão. Na frente da mesa estavam duas poltronas de couro, cada uma com o seu apropriado descanso de pés. Nas paredes, centenas de livros estavam à mostra, alguns dos quais pareciam edições raras, dando ao ambiente um ar confortável. No canto da sala, em frente a mais uma fileira de janelas, ficava uma mesa de conferências enorme, talhada a mão, com cadeiras com o estofado em couro. Em um outro canto ficava a bela lareira de mármore.

Em volta da sala havia uma variedade de vasos caros, com arranjos de flores impregnando o ambiente com um aroma doce, quase pecaminoso. O sol da tarde caía, refletindo nos objetos, ressaltando sua beleza. Faith mudou a direção do olhar. No meio dessa opulência, à mesa, sentava-se um enorme homem de cabelos escuros entretido com um telefonema, sem perceber a presença dela. Ele nem se dera ao trabalho de olhar para cima.

- Sr. El-Etra - disse ela, adentrando a sala e parando em frente à sua mesa.

- Sr. El-Etra - repetiu, dessa vez com mais firmeza.

Ela estava próxima o suficiente para ver o brasão de ouro da família em cima da magnificente mesa. O terno de risca de giz do homem, feito sob medida, devia lhe custar mais do que um ano de aluguel. Se considerasse a camisa branca, também feita sob medida, certamente também custaria a ela o dinheiro do supermercado por um bom tempo. Maravilhoso, ela pensou com amargura, ao deixar o olhar vagar pela sala mais uma vez. Muito rude, milionário e, sem dúvida, muito mimado. As três coisas que menos aprecia em homens, principalmente em clientes.

Ela pôs as mãos na mesa dele.

- Sr. El-Etra, fico feliz por sua firma de investimentos ser uma parte integral do mundo dos negócios. Entretanto, você precisa entender que o meu tempo não é menos importante ou valioso.

- Faith parou para respirar, consciente de que o homem de cabelos escuros não estava nem um pouco ciente da presença dela.

Ou de seu desabafo. Estava tão imerso na conversa telefônica, que ela poderia se considerar uma formiga, a julgar pela atenção que ele lhe dava. Entretanto, o assistente nervoso ao lado dela parecia ter perdido a língua, apesar do rosto e dos olhos esbugalhados entregarem a sua preocupação.

Faith chegou mais perto da mesa, cada vez mais impaciente ao olhar para o homem. Já não foi suficiente deixá-la esperando por quase duas horas, agora tinha de ignorá-la?!

- Sr. El-Etra! - ela bateu na mesa com os dedos. Ele nem piscou.

- O seu diretor executivo me telefonou hoje de manhã dizendo que os seus problemas com o computador eram urgentes, mas certamente não eram, pois você me deixou esperando por quase uma hora e meia.

- Hã... srta. Martin... - o assistente ergueu um dedo.

- Não é... não é o sr. El-Etra -, ele a corrigiu gentilmente.

Faith olhou para ele e sentiu um alarme brusco. Meu Deus, será que ela entrou no escritório errado? Ela quase gemeu. Isso seria um final perfeito para um dia perfeitamente terrível.

Ela respirou fundo.

- O quê?
- É o sheik El-Etra.

Os olhos dela se estreitaram.

- Você desperdiçou quase duas horas do meu tempo valioso e vai ficar preocupado com títulos? - a voz dela ficou mais alta ao se aproximar dele, forçando-o a dar um passo para trás.

Além de ficar esperando na ante-sala, ela perdeu o almoço e ficou sentada por quase duas horas no trânsito na hora do rush para poder chegar a tempo. Ela ficara mais empolgada e nervosa do que de costume quando recebeu o telefonema, ciente da importância da El-Etra Investiment Firme de tê-los como clientes de sua empresa de consultoria, que, apesar de gozar de um certo sucesso, ainda não atingira o seu potencial.

A paciência, entretanto, deu lugar a uma explosão inexplicável de raiva. Ela possuía sucesso, era procurada e tinha uma boa reputação no mundo dos negócios e não estava acostumada a ser tratada como uma enteada mal-educada.

- Srta. Martin - o assistente piscava os olhos de nervoso.

- Tenho certeza...

- Não, sr. Kadid, eu tenho certeza que o título do seu chefe é da maior importância para você - com as mãos na cintura, ela se virou para o homem ainda ao telefone.

- Mas confie em mim, eu não dou a mínima para o apelido do qual você o chama, embora tenha certeza de poder inventar uns por conta própria.

Ela virou a cabeça de modo arrogante.

- Agora, se me permite, não tenho tempo para pormenores. Diga ao sheik que sinto muito - disse ela, dando uma ênfase maior do que a necessária ao título dele ao caminhar na direção da porta.

- Diga a ele que quando tiver interesse sobre o seu negócio, me telefone. Até então, não se incomode em gastar o meu tempo - Balbuciando xingamentos, Faith partiu para a porta que ainda estava aberta.

- Srta. Martin - a voz grave, com um leve sotaque pegou Faith de surpresa, paralisando-a.

Ela hesitou por um instante, enquanto a voz parecia reverberar pelas suas terminações nervosas como uma carícia indesejada. Ela tremeu e se virou para olhar. Ele desligou o telefone e estava de pé, com toda sua altura e elegância. Faith resistiu à vontade de dar um passo para trás. Ela teve de inclinar a cabeça para enxergá-lo por inteiro. Magnético foi a primeira e única palavra que lhe veio à mente, sobrepondo-se a todo o resto. Com uma postura nobre e pele morena, a sua presença era notável, incrivelmente masculina e magnética. Magnífico foi a segunda palavra que lhe veio à mente.

Ele era um homem muito charmoso e magnífico. Naquele momento ele também parecia irritado, a julgar pela expressão de seus olhos castanhos. Ela levantou o nariz. Que pena.Ela também parecia.

Determinada a não se intimidar pela beleza dele ou por sua postura, Faith aproximou-se. Ela estava irritada demais há poucos minutos para notar suas feições, mas agora, podia perceber que ele era mesmo incrível. Muito mais elegante e charmoso do que nas fotos das colunas sociais, onde sempre aparecia com alguma mulher de mente vazia, agarrada em seu braço.
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