Clube do Romance

A força de um desejo

por Harlequin Books | 28/03/2007

De Maureen Child. Da série Harlequin Desejo. Edição 46.


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A força de um desejo

CAPÍTULO UM
Jake Lonergan não estava acostumado a ter tanta gente à sua volta. Há quinze anos, era um ser solitário. Mudava-se a todo instante, pulando de uma corrida de motocross à outra. Não fazia amigos e tampouco falava com a família. A vida tornava-se mais simples assim. E, provavelmente, continuaria assim por mais quinze anos se não recebesse um telefonema dizendo que o avô, Jeremiah Lonergan, estava morrendo. Jake o amava e o velho fizera um único pedido: que os três netos passassem as últimas férias de verão juntos, em sua casa. Estava na Espanha quando soube da notícia. Levou tanto tempo de viagem a Coleville, na Califórnia, que receava por Jeremiah já estar morto e enterrado. Temia ter perdido a chance de se despedir. Só ao chegar é que descobriu que o avô pregara uma peça - ele era um dissimulado. O velho enganou Jake e seus primos, Sam e Cooper, e os trouxe de volta ao rancho.

Jake fez mais uma curva com a moto cromada preta, levantou-se e endireitou as costas. Olhou, então, para as portas do celeiro, na direção na casa, do outro lado do jardim. A luz brotava de todas as janelas do rancho e o murmúrio de conversas e risos flutuava no ar, antes silencioso. Mirando aquela casa, sentiu-se um completo estranho, como sempre. Evidentemente, isso era culpa sua. A consciência, porém, tratou de lhe corrigir.

- Não era culpa - resmungou. - Era uma escolha.

Voltara para o lugar que ainda assombrava seus sonhos e dera sua palavra de que ficaria até o fim do verão. Só precisava de um tempo. De paz, de espaço. Para pensar. Para descobrir o que fazer. Assim, afastou-se da casa, virando as costas para a família redescoberta. Encaminhou-se para o celeiro a fim de consertar a moto. Mexer em motores era uma terapia para ele. Sempre fora.

Jake estava aliviado por saber que Jeremiah continuava bem de saúde. E era ótimo ver Sam e Cooper de novo. No entanto, voltar a Coleville foi mais difícil do que imaginava. E ficou ainda mais, quando Jeremiah fez uma revelação bombástica. Lembrar-se daquelas palavras, deixou o sangue de Jake fervendo.

Tratou de dar uma última olhada na moto. Logo depois, ele se moveu. Tinha que se mover. Não podia ficar parado enquanto o cérebro rodopiava, acelerado.

Não conseguia pensar direito com aquelas lembranças invadindo a mente, dificultando a respiração. Meio tonto, saiu do celeiro, virou à direita e continuou a andar. No caminho, parou sem saber aonde ir. A lua brilhava no céu, iluminando o jardim da enorme propriedade, mas a mente de Jack, ainda turva, repassava a notícia. Donna Barrett voltou à cidade e trouxe com ela o filho de Mac. Ele recomeçou a caminhar, indo em direção à cerca, tentando manter o equilíbrio.

- O filho de Mac! - exclamou, baixinho.

Deixou a cabeça cair para trás, para olhar as estrelas distantes. A madeira da cerca roçava contra sua mão, causando uma sensação incômoda. Ao seu redor, terras não cultivadas. Os campos ficavam vazios nessa época do ano. A um quilômetro de distância, quadrados dourados delineavam as janelas do vizinho mais próximo de Jeremiah. E, ao longe, um cão latia. Ele respirou fundo, aspirando o ar frio da noite. Com o coração batendo forte, engoliu em seco e voltou os olhos para o Rancho Lonergan. Jake conhecia cada centímetro daquele lugar. Passara todos os verões de sua infância ali, correndo pelos campos com os primos. Quatro garotos da pá virada. Ele não podia acreditar. Já saíra de Coleville há quinze anos. Foi o tempo longe desse lugar, dos primos e do avô que tanto amava, porque não conseguira lidar com as lembranças daquele último verão.

Agora, descobriu haver ainda mais coisa acontecendo na época. Era demais para uma pessoa só. Querendo ou não, as recordações lhe dominavam a mente, de tal modo que era capaz de impedi-las.

Os dias eram longos e o sol ardia no céu. Os verões duravam para sempre e não havia nada mais com que se preocupar, além de saber quem ganharia o desafio do dia no lago. E Jake sempre vencia. Gostava de vencer. Era bom nisso. Nessa última manhã, eles se enfileiraram no cume da pedra, em cima do lago. A competição feita entre os garotos Lonergan era simples: saltar de lá e ficar submerso, segurando a respiração o maior tempo possível. Jake sentiu a água gelada correu pelos longos cabelos, descendo por seu peito. Olhou de soslaio para a luz do sol a brilhar na superfície do lago e procurou bolhas de ar. Agitado, desejou que começasse uma tempestade, enquanto esperava a vez de Mac. O salto dele fora igual ao de Jake. Agora, só lhe restava ficar mais tempo debaixo da água. Mas ele não conseguiria. Nenhum deles segurava a respiração igual a Jake.

Maldição!

Sam estava preocupado. Disse que deviam ir atrás do Mac, pois ele nunca ficara tanto tempo submerso.

- Deixe-o por mais um minuto, Sam - Cooper pediu.

- Ele quer bater o Jake. E eu também quero que ganhe. Mac está indo bem. Deixe de ser chato. A calma de Jake desapareceu e ele gritou todos os palavrões que conhecia. Não acreditava que Mac pudesse realmente vencê-lo. Maldição!

- Vamos dar mais trinta segundos - disse Sam, sorrindo maliciosamente. - Se ele continuar assim, vai ganhar do Jake.

Cerrou os punhos contra a cerca e sentiu uma farpa da madeira apertar-se contra sua mão. A dor trouxe Jake de volta das lembranças. Melhor assim. Não gostava de reviver esse dia. Porém, sonhava freqüentemente com isso. As emoções agitavam-se de tal modo que mal podia identificá-las, mas sabia que elas o estrangulavam. Olhou para a casa, de novo. A luz continuava a transbordar das janelas. Através da cortina da cozinha, viu a família, aparentemente ainda chocada com a revelação de Jeremiah. Jake devia ter ficado com eles e conversado sobre o assunto. Mas não havia nada mais a discutir. Nada a resolver.
Mac tinha um filho. E ponto. Enquanto pensava nisso, a porta dos fundos do celeiro se abriu. Sam e Cooper entraram. Levaram apenas um instante para vê-lo e irem ao seu encontro. Jake largou a cerca, virou-se e encostou-se ao parapeito.

A farpa ainda ardia em sua palma, mas ele cruzou os braços e esperou que os primos se aproximassem. O ventou soprou e levantou poeira, fazendo-a se espalhar um pouco antes de assentar.

A cadelinha de Jeremiah, Sheba, cruzou velozmente a porta e desceu as escadas, em direção à lama. Correu atrás de Sam e Cooper e esquivou-se, alegre, quando Sam inclinou-se e a agarrou. À medida que se aproximavam, Jake observava seus rostos, notando com os três eram parecidos - sua avó, a falecida esposa de Jeremiah, dizia que eles tinham " as feições dos Lonergan" . Cabelos negros, olhos escuros, rosto obstinado e mãos fortes. Os primos eram tão apegados quanto irmãos. E os quinze anos que ele passou sem ver Sam e Cooper foram os mais solitários de sua vida. Ainda assim, não tinha vontade de falar. Nem mesmo com eles.

- Vim para cá para ficar sozinho - disse Jake, mesmo sabendo que isso não adiantaria. Seus primos só sairiam dali se quisessem, como sempre fizeram.

- Muito bem - começou Sam, levantando o queixo para escapar das lambidas da cadela. - Você não está sozinho. Então, acostume-se.

- Precisamos decidir o que fazer - disse Cooper.

Não era surpresa ouvi-lo falar isso. Cooper sempre gostou de bons planos. Isso deve tê-lo ajudado a escrever suas histórias de terror. Os livros de Coop estavam na lista dos mais vendidos há alguns anos e, provavelmente, eram responsáveis por metade dos pesadelos nos Estados Unidos.

- O que precisamos decidir? - perguntou Jake, afastando-se da cerca. - Mac tem um filho. O menino é um Lonergan, um de nós.

- Relaxe - recomendou Sam, colocando a cadela no chão. Olhou para Jake. - Só falei que não devemos nos apressar em receber o menino na família.

- E por que não? - Jake começou a ficar nervoso, mas tentou se controlar. - Devemos isso a ele. Devemos ao Mac.

- Que droga, Jake! - explodiu Sam. - Você não é o único a se sentir péssimo aqui, sabia? Mas isso não significa que vamos nos intrometer na vida da Donna e forçar nossa entrada na vida do filho dela.

- Quem falou em forçar? - argumentou Jake. - Só estou dizendo que devemos falar com ele. Contar sobre o Mac, sobre nós. O que há de mal nisso?

- Meu Deus, Jake! Talvez o menino nem tenha conhecimento que é um Lonergan - disse Cooper.

- Não sabemos o que Donna lhe disse. Ao ouvir isso, parecia ter sido atropelado por um caminhão. Respirou fundo e segurou o ar nos pulmões, como se se preparasse para mais um salto no lago. Claro que Donna teria falado de Mac para o menino. Ou não? Passou a mão pelo rosto e soltou o ar que estava retendo.

- Tudo bem. Vou ver Donna.

- Quer dizer, nós vamos ver Donna - corrigiu Sam.

- Quero dizer eu, sozinho - devolveu Jake, encarando os primos, para garantir que os dois haviam entendido. - Eu vou falar com ela.

- E por que você foi o escolhido? - indagou Cooper.

- Você e Sam têm outras coisas para fazer. Ele é médico e você deve estar no meio de outro livro.

- E daí? - insistiu Cooper.

- Daí que você tem que pensar em Maggie e Kara também. E eu não - era uma desculpa péssima, mas foi o que pôde pensar no momento.

- Vou visitar Donna e o menino. Depois, nós três resolvemos o que
fazer.

Seus primos o observaram atentamente e assentiram.

- Tudo bem - concordou Sam. - Mas não converse com o menino sem nós. Estamos nisso juntos.

Juntos era uma palavra esquecida no vocabulário de Jake durante os últimos quinze anos. Um homem sozinho fazia o que queria, quando queria, sem se preocupar com mais ninguém. No entanto, agora estava de volta a Coleville e as coisas haviam mudado. Pelo menos por um tempo.

- Como assim você tem um encontro? - Donna Barrett olhou espantada para a mãe.
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últimos comentários (5)

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  • Patricia_Primo
    Patricia_Primo comentou:
    14/11/2007 | 14:55

    Olás
    Eu tentei baixar um livro, e fica somente códigos. Tenho que configurar como para poder baixar certo?

    Bjs e ótimo feriado á todas


  • Patricia_Primo
    Patricia_Primo comentou:
    14/11/2007 | 14:55

    Olás
    Eu tentei baixar um livro, e fica somente códigos. Tenho que configurar como para poder baixar certo?

    Bjs e ótimo feriado á todas


  • leka@leka
    leka@leka comentou:
    14/11/2007 | 09:53

    oi amiga entra neste site acho q irá encontrar.
    bj nao é virus ok?
    http://livrosgratis.sites.uol.com.br/entrada.html


  • novo comentário

    Você
    :D


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