Na semana do Dia Internacional da Mulher, o Bolsa presta a sua homenagem a esse sexo tão forte e, paradoxalmente, tão delicado. Para representá-lo, mostraremos mulheres que são mães, esposas, profissionais e, acima de tudo, guerreiras. A primeira dessa lista é a dermatologista Ligia Kogos, que, na vida, escolheu lutar pela beleza – de todas nós!
Doutora vaidadeEla não diz a idade de jeito nenhum. E nem precisa! Exibindo um rosto perfeito, um coração onde sempre cabe mais um, e uma simpatia contagiante, não há quem ouse perguntar. Responsável pela vaidade de 37 mil mulheres, Ligia Kogos foi escolhida pela mais exigente clientela do país como a melhor dermatologista que se pode ter. Para lidar com tanto assédio, só mesmo tendo uma rotina de muito, muito trabalho.
Pela clínica, localizada na cidade de São Paulo, passam pelo menos cem pacientes diariamente. "Consigo ver em torno de vinte, mas faço a supervisão de todas as fichas. Como os computadores são interligados, posso entrar na receita de um paciente enquanto ele é atendido por outro médico", conta Ligia Kogos, que acabou ganhando de sua equipe o apelido de Big Brother.
Com uma rotina de provocar olheiras nas menos cuidadosas, ela não está nem perto de parar. "Chego às 10 da manhã e fico até terminar", diz, deixando bem claro que, quando o assunto é trabalho, toda hora é hora. "Costumávamos virar a noite trabalhando. Alguns pacientes vinham até de pijama! Certa vez, saí da clínica às 4 da manhã, mas felizmente isso não acontece mais. Era comum ver o estacionamento lotado à meia-noite. Atualmente, consigo deixar a clínica antes das 22 horas", recorda Ligia Kogos, que chegou a ter uma lista de espera de dez meses para uma consulta. "Ainda existe espera para marcar consultas comigo, mas nossa equipe é grande. Atendemos prontamente a qualquer necessidade", acalma as mais afoitas.
Um belo dia...Sua iniciação no mundo da dermatologia não poderia ter sido mais por acaso. "Estava na dúvida se faria engenharia ou medicina, mas minha mãe sempre quis que eu optasse pela segunda. Como passei para os dois cursos, cheguei a freqüentar algumas aulas de engenharia", recorda Ligia. Para nossa sorte, o desejo da mãe prevaleceu. Já a dermatologia entrou em sua vida por outra forte influência: seu marido. "No quinto ano da faculdade, casei-me com o Waldemar, na época meu professor de ginecologia. Foi ele quem me incentivou a optar pela dermatologia", conta a médica.
Mãe, mulher e profissional Casada com Waldemar há 25 anos, Ligia concilia a medicina e a vida familiar como poucas. Mãe coruja de um menino de 19 anos – é ela quem prepara o café da manhã do filho –, esposa dedicada e profissional consagrada, ela é "tudo o que você quer ser", e ainda de carne e osso.
Diferente da garota-propaganda da Mattel, Ligia não vive nas estantes da vida. Definitivamente, ver a vida passar não é com ela. "Na clínica, não temos rotina, é sempre um caso diferente do outro. Acabo me envolvendo com a história dos pacientes. Considero meu trabalho uma fonte de juventude e de muita emoção", conta Ligia Kogos, que, não satisfeita com a pesada carga horária, lançou há cinco anos sua própria linha de cosméticos. "Começamos com 17 produtos. Hoje, estamos com 39. Todas as fórmulas são minhas, e faço questão de testar tudo", diz a dermatologista, que arruma tempo em meio à correria do dia-a-dia para supervisionar a produção no laboratório e desenvolver a embalagem dos cosméticos.
Espelho, espelho meu Trabalhando em prol da beleza feminina, Ligia Kogos sabe o quanto a aparência mexe com nosso humor. Portanto, os cuidados estão presentes até nas palavras. Para ela, mulher feia não existe nem mesmo em seu vocabulário. "Mulheres de todas as idades, bonitas ou menos bonitas, independentemente da classe social, todas têm seus dias de lagarta e de borboleta. Vivemos um constante desejo de agradar, o que é comovente. Nem as mais inatacáveis escapam. Isso é típico da natureza feminina. Vejo as mulheres como lagartinhas, esperançosas por virar borboletas", poetisa Dra. Ligia, com a mais pura sinceridade.
Com essa mesma sinceridade, a dermatologista expõe seu desejo. "Não devemos perder nosso lado frágil. Ele é uma suavidade de nossa natureza. Fico triste ao perceber que as mulheres tenham endurecido tanto. A feminilidade faz parte de nossa essência. Não falo de uma feminilidade infantil, mas sim da feminilidade adulta, que faz com que os homens virem os pescoços", comenta, lamentando um romantismo que já se foi.
Mais matérias sobre
compartilhe esta matéria!
ou Cadastre-se