Temporada das virilhas

Ela passa o ano exposta apenas aos olhares mais íntimos e condescendentes. Mas, no verão, a virilha, sujeita à apreciação pública, é justamente aquela que pode detonar seu biquíni e sua reputação com manchinhas e pêlos encravados.
por admin

Durante o ano todo, ela fica sujeita apenas aos olhares mais íntimos que, por sorte, muitas vezes costumam absolver certos descuidos. Mas, no verão, é só sapecar o biquíni que ela está lá, para quem quiser ver, no estado em que estiver: a virilha. Desde que a roupa de banhou subiu as cavas, ela se transformou em preocupação constante dessa época do ano, detonando uma verdadeira corrida para colocar sua aparência devidamente apresentável. Ou será que você nunca perambulou pela praia ou pela piscina reparando na horripilante quantidade de virilhas roxas e mal depiladas acabando com a reputação de qualquer uma? Mas, como tudo na vida, bastam apenas alguns poucos cuidados para mantê-la em boas condições de saúde e exibição pública.

A virilha é uma região do corpo especialmente delicada. Com pele fina e sensível, é também uma área de dobra, sempre quente e úmida devido à transpiração. Mas se fosse só isso, tudo bem. A questão é que ainda restam os pêlos, que a maioria das mulheres depila, com maior ou menor sacrifício. “Muitos dos problemas da virilha só surgiram de cinqüenta anos para cá, quando os biquínis e os maiôs começaram a exigir uma depilação mais ampla e freqüente”, comenta a dermatologista Ligia Kogos. É essa a principal causa dos problemas de pele na região, inclusive da amedrontante virilha escura.
A dermatologista Tereza Satielo também aponta a predisposição genética, além do atrito causado pela gilete, a irritação da depilação com cera e o uso de calças ou calcinhas apertadas, como os grandes responsáveis pelo escurecimento da área. “São fatores que estimulam a produção de melanina nessa região, que fica ainda mais potencializada no verão, com a exposição solar. Quem se bronzeia fácil, quase sempre tem esse problema. É o mesmo mecanismo de defesa que faz esse tipo de pele escurecer quando surge uma espinha ou uma picada de inseto”, explica ela.

Em alguns casos, além do escurecimento, em função das condições locais de calor e umidade, há também uma proliferação de microorganismos, como fungos e bactérias, o que pode causar coceira e uma leve descamação. “Existem alguns segredinhos para evitar o aparecimento desses problemas, como não usar a lâmina a seco, por exemplo, e evitar a depilação com cera antes de tomar sol. Aliás, se a pele estiver muito irritada, é melhor dar um tempo na cera e usar a gilete, sempre aplicando depois hidratantes com propriedades calmantes como azuleno, silicone, alantoina ou aloe vera. E se a pele estiver irritada por qualquer motivo, muito cuidado porque expô-la ao sol pode criar uma mancha”, recomenda Lígia. Além disso, aproveite a ocasião do calor e desfile suas saias e vestidos. Calças jeans apertadas, definitivamente, podem ser grandes inimigas do seu visual verão. “Se a mancha já estiver instituída, o clareamento pode ser feito com produtos à base de hidroquinona, óxido de zinco, ácido kójico, entre outros. O produto é aplicado pela manhã e à noite e é indicado pelo dermatologista”, acrescenta Tereza.

Outro drama das virilhas é o famoso pêlo encravado. Com a irritação constante causada pela depilação, a pele engrossa em reação de defesa, tornando mais difícil a saída dos pêlos. “Aí, começam a surgir pequenas crostas, bolinhas vermelhas, pequenos nódulos doloridos que são inflamações e infecções em torno dos pêlos que estão presos dentro da pele”, explica Tereza. Ela garante que a depilação com cera é mestra em deixar esse tipo de vestígio. “É preciso muito cuidado para evitar os pêlos encravados. O ideal é usar, na depilação, os aparelhos elétricos que puxam os fios que, se usados corretamente, não causam o problema”, diz ela.
Além disso, Lígia Kogos explica que como esses aparelhos não conseguem arrancar os pêlos muito curtos, podem também ser uma ótima opção para os intervalos entre as depilações com cera ou lâmina, para que a freqüência destas últimas seja cada vez menor. “Para quem sofre muito com o problema de pêlos encravados, a melhor solução é a depilação com laser Light Sheer, que resolve o problema definitivamente em poucas sessões. Como, nesse processo, quanto mais grossos os pêlos, mais rápido o resultado, é justamente na virilha que ele apresenta os melhores desempenhos. Mas para uso cotidiano, entre a gilete e a cera, se usada com cremes deslizantes, a primeira ainda causa bem menos problemas”, reforça. Mas, se o problema já for fato, o tratamento do pêlo encravado deve ser feito com cremes secativos, esfoliantes e, às vezes, antibióticos, como explica a dermatologista Denise Steiner. “O médico deve ser consultado sempre. O pêlo encravado não deve ser cutucado, pois poderá ocorrer uma infecção e piora do quadro, deixando manchas e cicatrizes. Mas para quem tem tendência, a melhor coisa a fazer é mesmo evitar a cera e optar pelo laser”, orienta ela.

Lígia lembra ainda que existem casos de inflamações de glândulas da região, que pioram na época menstrual, com bactérias que penetram por pequenas feridas deixadas pelas depilações e irritações consecutivas. “Surgem grandes nódulos de um a três centímetros, doloridos, com saída de pus e grande desconforto. É o que os dermatologistas chamam de hidradenite, que é uma inflamação das glândulas sudoríparas misturadas aos pêlos encravados”, comenta ela. Nesses casos, o tratamento costuma ser feito com antibióticos orais e injeções de corticóides com antibióticos nos nódulos, para dissolvê-los e eliminá-los. Porque, afinal de contas, virilha maltratada não há virilidade que agüente.

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