O Brasil é o país do sol, do samba e de boas mulheres (com toda a ambigüidade do sentido). Da conjugação desses elementos, surgiu a moda bem tropical de deixar tudo o que temos de belo à mostra e, claro, uma paixão platônica pelo bumbum. Não é à toa que nós, mulheres brasileiras, nos tornamos tão exigentes com o corpo. Também pudera, juntamente com as sinuosas curvas, vem a tendência a acumular gordura e seus derivados, como elas, as maiores inimigas da vaidade feminina, a poluição do cartão postal estético, os buracos no caminho de qualquer mulher: as celulites (ahhhh!). Essas danadas chegam de mansinho, sem convite, e resistem às incansáveis tentativas de expulsão do corpo que não as pertence. Mas, não se desesperem, existe revanche.
Lipodistrofia ginóide. Quem é ela?
Levante o mouse quem nunca ficou horas na frente do espelho, lamentando-se pelo queijo suíço em que algumas de suas áreas mais visadas se transformaram. Ou então as que jamais deixaram de usar (principalmente, não usar) alguma peça de roupa para evitar o comprometimento - ou constrangimento – da própria imagem. Tudo por conta desses malditos furinhos! A celulite é o resultado da gordura acumulada entre as traves fibrosas de regiões em que se concentram. Daí o nome científico lipodistrofia ginóide, no qual lipo é relativo à gordura, distrofia, a desordem nas trocas metabólicas do tecido, e gino, por se tratar de uma questão feminina, e óide, que significa forma.
Celulite em quatro estágios
Mas não pense você que a celulite, da forma que a concebemos visualmente, é assim desde seu início. Pelo contrário, quando a cratera cutânea já está formada, significa que outras fases se passaram. Um processo que atende pelo nome de paniculopatia edemato fibro esclerose (Pefe). Quatro palavras referentes aos quatro estágios da celulite. "Primeiro, é apenas um acúmulo de gordura imperceptível, mesmo que se apalpe. Depois, fica um inchaço já visível sem fazer força. O terceiro estágio é uma depressão visível, seguido do último, marcado pela morte do tecido e o comprometimento intenso da circulação", descreve a dermatologista Ana Carolina Rocha. Isso quer dizer que, a longo prazo, a retenção de líquido obstrui a passagem do sangue, que não consegue transitar adequadamente. “A pele condensa e vira um colágeno ruim, com o tecido duro, inelástico e sem nutrientes”, explica a dermatologista.
Causas e conseqüências
Esse acidente de percurso biológico, cujo nome nos recusamos a repetir nesta matéria, possui dois estímulos principais: o hormonal e o genético. O primeiro se dá graças ao estrogênio, o hormônio responsável por imprimir às mulheres características típicas do gênero feminino, como os seios e a tendência a gordurinhas na barriga e no quadril. “Apesar de termos o mesmo receptor de depósito e queima de gordura que os homens, concentramos células adiposas até por uma questão antropológica: suportar e suprir os filhos”, diz Ana Carolina Rocha. Outro fator determinante é a própria hereditariedade, que envolve desde a predisposição a acumular a gordura à própria estrutura do corpo. As causas externas também têm a sua parcela de culpa. São elas: o fumo, alcoolismo, sedentarismo, doenças, sobretudo a hiperinsulinemia, e traumas físicos que causam fibroses.
A mulher que carrega esse karma fica com a circulação cada vez mais comprometida. Existem diversas formas de tratamento, que variam com o grau de formação da vilã estética. Ainda assim, por ser um mal multifatorial, ou seja, causado por diversos motivos, não se pode escolher uma única arma. Ana Carolina Rocha recomenda drenagem linfática, massagem modeladora e estimulação russa para impulsionar a circulação e reduzir a inflamação local. As atividades físicas e uma boa alimentação são também essenciais para evitar o terror estético. Só que, atenção: elas podem até sumir, mas correm o risco de reaparecer se os devidos cuidados não forem mantidos.
A serviço da estética
No entanto, parece que a ciência está conspirando a nosso favor. E é melhor que ela esteja mesmo na banda de cá do hemisfério. Se, por um lado, as mulheres latinas foram abençoadas com um corpo bem-feito, por outro – e, diga-se de passagem, por conta da própria vantagem anatômica –, somos muito mais propensas a acumular gordura nos pontos estratégicos, fator que representa a porta de entrada para as maiores inimigas do mundo feminino. E com um público (e um alvo) tão grande, a tecnologia tem mesmo que se voltar para nós.
Os cremes se tornaram verdadeiras armas químicas para tentar ganhar essa guerra. “Os cremes à base de hormônios masculinos, como o oxandrolona são muito eficazes. E existem também outros coquetéis que levam cafeína, hormônios tiroideanos, centella asiática, substâncias que vão entrar na fórmula em maior ou menor concentração dependendo do grau da celulite”, informa Lígia Kogos. A dermatologista Liane Mazzarone explica que a função principal desses cremes é a de melhorar a vascularização no tecido afetado e auxiliar a lipólise. “O princípio ativo básico de muitos cremes é a cafeína nanosferizada ligada à molécula de silício orgânico”, revela ela, acrescentando que essa parceria das substâncias torna o creme muito mais eficaz. “O silício orgânico tem a identidade com as células do tecido, facilitando a penetração dos ativos que, por estarem em forma de nanosfera, são liberados lenta e gradualmente com o aproveitamento mais prolongado ”, diz Liane. Além desse arsenal cosmético, existem também aliados via oral, como os comprimidos de asiaticosídeo, pertencente à família da tradicional centella asiática. Agora, escolha suas armas!
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