São 26 ossos, 114 ligamentos, 20 músculos e uma responsabilidade (literalmente) de peso: sustentar o nosso corpo. Mesmo com esta importante tarefa, os pés ficam sempre de lado nos nossos cuidados diários - recebem atenção, admitamos, somente nas idas à pedicure. Entretanto, essa é uma das áreas que mais acumulam tensão pois precisam enfrentar os saltos, sapatos de bico fino e apertados. No final do dia, o resultado é imediato: dores, bolhas, calos e unhas encravadas. Com o tempo, os problemas podem se tornar maiores como joanetes e outras alterações na estrutura óssea. Porém, com alguns cuidados é possível recuperar os seus pés, deixá-los macios e... inteiros!
Segundo o podoterapeuta Luiz Pedreira, dono da rede Spa do Pé, os cuidados com os pés existem desde o tempo das cavernas. Já naquela época existia a preocupação de cobri-los com talas de madeira e peles de animais. No decorrer da história da humanidade, vieram os especialistas para tratá-los. "Temos informações também que os egípcios, gregos, romanos e os mandarins chineses tinham pessoas especializadas para os cuidados com essa área do corpo, principalmente depois que surgiram os primeiros calçados", conta.
São mesmo os calçados os principais causadores dos males aos pés, em especial nas mulheres que, muitas vezes, preferem modelos bonitos aos confortáveis. Para que não seja necessário abrir mão do salto ou do bico fino, o podólogo Carlos Furtado, dono da Podoclínica, no Rio de Janeiro, dá a primeira dica: levar um sapato cômodo a tiracolo. "É muito comum nos Estados Unidos, por exemplo, as mulheres ficarem com pares confortáveis no horário de trabalho e trocarem ao irem à rua. Dessa forma, os pés são poupados durante o dia", sugere.
“Os pés precisam respirar. Eles acumulam produtos como cremes e talcos e isso contribui para o aparecimento de micoses”
E nada de usar o mesmo sapato por dias seguidos! Segundo os especialistas, os calçados precisam de, pelo menos, 24 horas para "respirar", isto é, impedir a proliferação de fungos. Ao retirá-los, é preciso pô-los em um lugar arejado com alguma solução pédica para evitar o surgimento desses fungos e de outras bactérias.
No banhoA limpeza dos pés, portanto, é fundamental. Luiz Pedreira ensina que durante o banho os pés devem ser escovados, principalmente na lateral e na matriz das unhas. Segundo o podoterapeuta, a composição das unhas é semelhante a dos dentes e passíveis de acúmulo de sujeira. "Os pés precisam respirar. Eles acumulam produtos como cremes e talcos e isso contribui para o aparecimento de micoses", exemplifica.
Depois do banho é preciso secar bem os dedos. A combinação calor e umidade é igual a chulé. Isso mesmo, engana-se quem pensa que o mau cheiro é natural da região. Ele surge com o atrito do sapato mais o suor do corpo. O resultado dá para sentir de longe. Evite calçados que tenham material sintético pois eles aumentam a sudorese dos pés. Luiz Pedreira não recomenda o uso de desodorantes e talcos. "O talco causa um ressecamento da pele e com o suor pode virar uma papa dentro do sapato. A minha dica é usar uma meia de algodão para que ela absorva a umidade e mais nada. Depois, é só arejar o sapato com a loção pédica direto nele. Tem que tratar o sapato e não o pé", ensina. Já Carlos Furtado afirma que não há problema usar um pouco de talco na área, contanto que se evite o excesso do produto.
Os cremes hidratantes são recomendados somente à noite. Durante o dia eles também aumentam a umidade do local. Antes de se calçar é preciso lavar bem os pés para evitar o aparecimento de micoses. Elas surgem com a decomposição desses produtos na unha e o tratamento é demorado e chato - é preciso que a unha cresça toda para que a pessoa fique curada, algo em torno de seis meses a um ano, além dos cuidados extras com os sapatos.
Mais matérias sobre
compartilhe esta matéria!
ou Cadastre-se