Xampu, condicionador, creme fortificante, silicone e leave-in. Na hora de lavar os cabelos, a preocupação é enorme. Mas basta sairmos do chuveiro para colocarmos todo o cuidado a perder. É no momento de secar que erramos na mão. Os secadores de cabelo, com suas altas temperaturas e ventos fortes, fazem o favor de detonar todas as melhorias que os produtinhos promovem. Lavando - e secando – as madeixas quase que diariamente, não há fio que resista. Mas existem muitos cuidados que podem ser tomados para preservar a saúde e beleza dos cabelos.
O salão de beleza Cristal Care, localizado na zona sul do Rio de Janeiro, investe pesado nos equipamentos. A proprietária Ivani Werneck foi a Paris em setembro conferir o que há de mais moderno no mercado. "Estamos utilizando os secadores ionizados. Eles tiram a estática dos fios, deixando-os mais lisos e uniformes", explica ela. Além disso, ao escolher o produto que utilizará no salão, Ivani leva em consideração a praticidade. ”Quanto mais leve, e maior a potência, melhor para nosso profissional. Tentamos optar por secadores com peso inferior a meio quilo, assim, eles não se cansam. A potência é pelo mesmo motivo. Quando é alta, basta usar por pouco tempo. Dessa forma, eles conseguem maior mobilidade na hora de secar”, diz.
Para quem não pode se dar ao luxo de recorrer a um cabeleireiro para a secagem, e faz o trabalho sozinha em casa, ter um aparelho leve é fundamental. “Segurar o secador enquanto puxo o cabelo com a escova não é mole. Se não tem ninguém em casa para me ajudar, fica bem complicado. Acabo usando, então, o de viagem, que é menor e bem mais leve”, conta a advogada Claudia Queiroz. Os modelos para viagem são, além de leves, mais baratos. A Britania possui o modelo Travel, com duas velocidades e bocal. Leve – pesa apenas 300 gramas – e compacto, o secador tem preço de mercado sugerido de R$ 49. Acessível para qualquer bolso, esse não nos deixa de cabelos em pé.
Já quem tem força no braço e quer se ver livre dos terríveis fiozinhos que ficam pairando sobre nossas cabeças vale testar os ionizados. O dermatologista Valcenir Bedin aprova a novidade: “Se tiver que usar, dê preferência ao de íon. O íon e um elemento químico que deixa as cutículas do cabelo mais maleáveis. Assim, elas não ficam abertas após a manipulação. Nos testes que realizamos, a parte do cabelo secada com os aparelhos ionizados ficou com uma penteabilidade consideravelmente melhor. São mais caros, mas compensam”. Pode doer no bolso, mas encare como um investimento. É gastar agora para economizar depois nas hidratações.
Mônica Passos, escovista do Cristal, concorda com o dermatologista. Adepta dos secadores ionizados, aconselha seu uso. “Independentemente da marca do aparelho, o íon ajuda bastante na escova. O resultado são cabelos mais lisos, que atenuam as marcas dos fios”, garante Mônica. Apesar de não recomendar o uso diário do secador, a escovista dá algumas dicas para quem não tem tempo a perder. “Passar um bom leave-in ou um protetor térmico antes de secar ajuda a proteger os fios. O ideal é lavar dia sim, dia não. Dá para disfarçar prendendo o cabelo, amarrando um lenço ou colocando um chapéu. Agora, quem não agüenta, tem que fazer uma hidratação de vez em quando, porque o ressecamento é certo. Além disso, é fundamental evitar o contato direto com o cabelo. Por melhor que seja o secador, ele sempre danifica. Quanto mais distante, melhor”, afirma.
Mas, afinal, qual é a distância necessária entre o aparelho e as madeixas? Mais uma vez, recorremos ao especialista em cabelos, o dermatologista Valcenir Bedin. “O secador é um aquecedor. Quanto mais próximo do cabelo, mais quente estará o ar que chega aos fios. Quando é utilizado muito perto do cabelo, seca rapidamente, o que faz com que a água que está dentro da haste do fio vaporize, criando uma bolha de ar no seu interior. Se você escova o cabelo nesse momento, pode causar danos à estrutura. Portanto, a distância ideal é de 30 centímetros”, esclarece. Parece muito? E é! Acostumadas a termos os fios queimados no salão por cabeleireiras apressadinhas, acabamos repetindo o erro em casa. Só que ainda dá tempo de mudar. “Ao comprar um aparelho, fique atenta à temperatura máxima. Não adianta aquecer menos do que 120 graus, porque a secagem será muito demorada, nem mais do que 200, o que é um exagero. O fio agüenta bem até 140 graus, e as embalagens devem disponibilizar esta informação”, aconselha o dermatologista.
Para quem procura por novidades, a sensação do mercado é o Líssima. Dois em um, o aparelho da Arno seca e alisa simultaneamente. Com três temperaturas e duas velocidades, além de um botão de resfriamento que ajuda a fechar as escamas do fio, o aparelho promete facilitar a escova feita em casa. O Líssima ainda conta com um dispositivo de proteção contra superaquecimento, para desligar o aparelho automaticamente caso haja obstrução da entrada de ar. O preço sugerido é de R$ 190. Recentemente, a Arno lançou sua versão ionizada. Como diriam, “um pouco mais cara, mas muito melhor”.
Ainda na linha das inovações, a Philips oferece o SalonPro (R$ 230). A proposta é garantir o mesmo efeito que se alcança após uma visita ao salão. O sistema de aquecimento do SalonPro é cerâmico, o que protege do ressecamento. Comparado aos difusores comuns, o cerâmico causa baixa fricção quando passado nos cabelos. O lançamento da Philips também conta com a ionização, ativada através de um botão. Com três ajustes de calor e três de velocidade, a única desvantagem do SalonPro é o preço salgado.
Além do preço, das funções e do peso, existem outras diferenças menos relevantes entre os aparelhos. O tamanho, o barulho emitido (alguns são praticamente silenciosos), as cores e o design. Coisas de mulher... Afinal, quem não gostaria de um secador que combinasse com os azulejos do banheiro?
Laura Cavallieri  
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