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No início deste mês, a funcionária pública Janaína de Freitas da Silva, de 34 anos, morreu durante uma cirurgia de lipoaspiração num hospital, no Rio de Janeiro. Um dia antes, a professora Luciene Gomes Leitão Bueno, de 43 anos, havia sido submetida à mesma operação, em São Paulo. A diferença é que Luciene passou nove dias em coma por causa de complicações decorrentes da plástica, e acabou falecendo no último sábado. Apesar de não serem estes os primeiros episódios de problemas relacionados à lipo, o procedimento lidera o ranking dos mais procurados no país, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.
Todo mundo sabe o esforço que é para conseguir emagrecer ou mesmo manter o corpo em forma. Horas de exercícios físicos podem ser extremamente sacrificantes - seja pela falta de ânimo para malhar ou pela falta de tempo. O pior de tudo é quando você consegue, com muito suor, subtrair os quilinhos a mais e percebe que aquela gordurinha continua lá, "firme e forte". Felizmente, vivemos numa época em que a medicina nos permite recorrer a uma solução rápida: a lipoaspiração. A idéia que já passou pela cabeça de boa parte das mulheres, porém, ainda gera controvérsias e medo. Principalmente quando nos deparamos com casos de morte durante este tipo de procedimento, como os que aconteceram nos últimos dias no país.
Desenvolvida no final da década de 70, para muita gente, a lipoaspiração é um sonho. A técnica consiste em aspirar a gordura dos locais onde ela se encontra localizada, como, por exemplo, nos quadris, abdômen, costas, coxas e culotes. Tentador, não? Mas se submeter a uma lipo não é simples como fazer escova progressiva, limpeza de pele, ou qualquer outra técnica de embelezamento rotineira. Antes de tudo, ela é um processo cirúrgico – com anestesia, internação e pós-operatório. "As pessoas falam 'vou fazer uma lipo' esquecendo de igualá-la a uma cirurgia. É indispensável tomar os cuidados pré-operatórios, avaliar as condições clínicas do paciente, com exames laboratoriais, para saber se ele é um paciente apto a se submeter a uma cirurgia", esclarece Marcos Grillo, PhD em cirurgia plástica e professor da Universidade Federal do Paraná.
O procedimento cirúrgico
Os principais instrumentos utilizados nas lipoaspirações são as chamadas cânulas e o aspirador a vácuo. As cânulas são pequenos tubos, que variam de 2 a 4 cm de calibre e de 15 a 30 cm de comprimento, dependendo das regiões do corpo onde serão usadas. As cânulas são conectadas a uma borracha estéril que, por sua vez, é ligada ao aspirador a vácuo. Através de pequenos orifícios, de 1 a 3mm, feitos em locais pré-planejados da pele, se introduz a cânula, fazendo sua extremidade chegar até o meio do tecido gorduroso ou adiposo. O aspirador suga as células adiposas e, assim, se retira controladamente o excesso de gordura", explica o Dr. Marcos Grillo, enfatizando que o tecido gorduroso também tem um papel importante no equilíbrio do organismo, servindo de armazenamento de alimento.
Parece simples, não é? Mas cada etapa desse procedimento requer muito cuidado, planejamento e experiência. Em 2003, o Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou uma resolução fixando normas para a cirurgia de lipoaspiração. Se você está acima do peso e pensa na lipo como uma solução para fazer as pazes com a balança, desculpa, amiga, mas pode esquecer. Um dos pontos dessa resolução reiterou que a lipoaspiração não deve ser feita para fins de emagrecimento, e sim para melhorar a forma do corpo, exclusivamente. "Ela é indicada somente para gorduras localizadas", estabelece o cirurgião plástico Edmar da Fontoura. É proibido – e arriscado – aspirar um volume de gordura maior que 7% do peso corporal, assim como não se pode atingir mais que 40% da área do corpo. "Uma pessoa com vinte quilos a mais não vai fazer, até porque ela não vai ficar satisfeita com o resultado", diz Edmar.
Entretanto, se ponteiro da balança avança mais sutilmente, a lipo pode servir de estímulo tanto para emagrecer antes da cirurgia, como para manter o resultado atingido. "Quando o paciente está uns cinco quilos acima do peso, eu posso operá-lo, pois isso irá ajudá-lo a emagrecer", frisa Dr. Edmar. Uma vez feita a cirurgia, hábitos de vida saudável, como boa alimentação e exercícios físicos, são mais que recomendados. "Se o paciente não tomar esses cuidados, ele perde o resultado rapidamente. É importantíssimo saber manter a lipo", acrescenta Marcos Grillo.
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