Aquela inimiga da estética que se infiltra no seu corpo para detonar sua beleza, e atende pelo nome de celulite (argh!), recebe hoje o que merece: o contra-ataque da tecnologia. O arsenal para destruir essa intrusa, que devasta suas pernas e bumbum, reprovando você no teste da areia, está se tornando cada vez mais poderoso. Hoje, as mulheres contam com diversos tratamentos que, dependendo de fatores como idade, predisposição e manutenção dos cuidados, são satisfação garantida.
Pode até parecer exagero feminino, mas a celulite não só abala a estética, como a auto-estima. Principalmente quando ela alcança o estágio fatal de fazer com que aquela cruzada de pernas “a la Sharon Stone” surta o efeito contrário: afugente a presa, ao invés de atraí-la. No entanto, a maioria das mulheres só lembra dessa malfeitora da beleza quando o verão se aproxima. Só que como quem avisa amigo é, resolvemos dar um basta na velha máxima “o que os olhos não vêem, o coração não sente”. A gente sabe que é nesse período que a celulite se mantém camuflada no figurino de inverno, mas se a sua pele está mais parecendo a superfície lunar – cheia de crateras – a hora de começar o serviço de contenção é agora. E como a melhor defesa é o ataque, a estratégia é traçar um plano-verão, para que ninguém precise ficar “muçulmanamente” vestida quando o calor chegar. Até porque a novela acabou e o estilo Jade vai sair de moda.
A vendedora Débora Menezes, 32 anos, garante que se cuida o ano todo. “Tomo diversos cuidados. Bebo bastante água, pratico atividades físicas e controlo a alimentação. Mesmo assim tenho celulite. Acho que celulite e mulher é igual a unha e cutícula”, brinca ela. Débora acertou. A celulite é uma inimiga implacável e cerca de 95% das mulheres são vítimas dela. Problemas hormonais, má circulação, sedentarismo, tabagismo e até o famoso DNA colaboram com a danada.
Segundo especialistas, o combate tem que ser feito a partir de uma combinação de tratamentos, reeducação alimentar e exercícios aeróbicos. A diretora da Sociedade de Medicina Estética do Rio de Janeiro, a endocrinologista Dra. Eliane Pupin, afirma que o tratamento tem que ser de dentro para fora. “O fundamental é a paciente passar por uma consulta médica para o profissional avaliar todos os fatores que podem estar desencadeando o quadro de celulite. Assim como o exame, uma mudança de hábitos também é necessária. Exercícios aeróbicos, como caminhar ou jogar tênis, por exemplo, ainda são as principais armas contra a celulite, que, apesar de não ter cura, pode ser atenuada, dependendo da pessoa, em até 80%”, garante.
Clínicas oferecem tratamentos cada vez mais cientificamente aprovados e comprovados. A consultora de estética da clínica Vip Clinique Gávea, no Rio, Isabel Ramos, defende uma combinação de tratamentos como indermoterapia, mesoterapia (agora intradermoterapia), ultra-som e drenagem linfática. “O tratamento tem que ser feito em no mínimo dez sessões e a assiduidade é imprescindível. Dependendo do grau, três sessões por semana é o ideal”, afirma. A administradora de empresas Lígia Ramos, 34 anos, já se submeteu à intradermoterapia e aprovou o resultado. “Meus nódulos das pernas melhoraram muito e a aparência da pele ficou mais homogênea. Mas malho e procuro beber bastante líquido e não comer fritura para tentar manter o resultado. Agora faço só a indermoterapia”, comenta.
Na Clínica Dra. Eliane Pupin, a paciente conta também com a eletrolipolise, um tratamento com agulhas bem fininhas com pontas diamantadas que, ligadas a um aparelho que transmite uma corrente de ondas de rádio modificadas, são inseridas no tecido afetado. “A corrente desestabiliza a célula gordurosa fazendo com que ela se abra e jogue na circulação produtos da queima da gordura, para serem eliminados pelas vias urinárias. Além disso, ela também estimula a circulação de endorfina, que é um hormônio vasodilatador (aumenta a oxigenação do tecido) e anestésico”, explica a médica, ressaltando que o tratamento é contra-indicado para quem tem hipertensão severa e insuficiência renal. “Por isso o exame clínico é tão importante. O tratamento deve ser feito por um médico especializado na técnica ou que seja membro da Sociedade de Medicina Estética”, aconselha.
O laser é outro mecanismo de combate à celulite que vem ganhando adeptas. A fisioterapeuta dermato-corporal da Clínica Fisiobelle, Bianca Ribeiro, esclarece que o laser tem a mesma fisiologia do ultra-som, melhorar a circulação local. “O ultra-som de 3 MHZ é superficial. É feito com gel de cafeína ou centella para promover uma drenagem. O laser é uma luz que é aplicada em varredura ou pontual, sem a utilização de creme”, diferencia. Na opinião da Dra. Eliane, o tratamento com laser ainda precisa de muito estudo. “Os resultados são muito aquém do desejado”, afirma.
No meio desse arsenal pesado, a dermatologista Mirella Brito Moraes, da Clínica Stockli, em São Paulo, lembra que os singelos creminhos também têm seu valor, mesmo os não específicos para a celulite. “Os cremes atingem dois objetivos importantes: o de hidratar e ativar a circulação. O simples ato de passá-los já é uma massagem e isso é ótimo. Os cremes próprios para celulite possuem componentes que facilitam a penetração na pele como a cafeína, aviatiacoside e fisilane, proporcionando uma drenagem local”, garante.
A verdade nua e crua é uma só: se você não faz parte daqueles 5% de felizardas que não carregam essa praga como tatuagem, é melhor correr atrás. Aliás, não só correr, mas também malhar, adestrar o estômago, escolher tratamentos...
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