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São marcas da vida que podiam estar só na memória, mas acabaram grudadas na pele. Certas cicatrizes se incorporam à personalidade, vide estrelas de Hollywood, como Humphrey Bogard, Harrison Ford e Joaquin Phoenix. Mas você se lembra de alguma superfamosa que ostenta uma cicatriz? Pois é, anônimas também fazem de tudo para apagá-las - que, claro, nem sempre agradam os homens. Infelizmente ainda não foi inventada uma técnica que possa eliminar completamente as cicatrizes, entretanto alguns tratamentos ajudam a minimizá-las, por maiores, mais altas ou vermelhas que sejam.
Espinhas, queimaduras, arranhões, cortes e cirurgias. Seja a causa que for, as cicatrizes são provenientes de lesões na pele e resultado da cicatrização, maneira pela qual nosso corpo tem de se proteger de sangramentos e infecções depois de ser ferido. Nesse processo se formam novos vasos sanguíneos e células enquanto os antigos são inativados. O organismo também produz fibras de colágeno para fechar os ferimentos. São justamente essas fibras que muitas vezes dão aspecto feio à cicatriz, tornando-as hipertróficas (ou queloideanas) - altas e que coçam.
De acordo com o cirurgião dermatológico Aldo Toschi, o processo de cicatrização depende muito da natureza de cada pessoa. Ele explicou que essa tendência individual também está ligada à cor da pele: negros e orientais costumam ter mais problemas. A família também é fator determinante, já que pais que cicatrizam mal costumam ter filhos com a mesma tendência. A idade também é, de certa maneira, um fator decisivo. Segundo o cirurgião, pessoas com disposição para má cicatrização não mudam quando envelhecem. No entanto, a pele dos idosos é mais fina e mais flácida. Como a cicatriz é gerada por tencionamento, as características da pele envelhecida privilegiam melhores resultados.
Não quero cicatrizes!
Bem, ninguém quer! Para haver uma boa cicatrização e reduzir marcas futuras é fundamental que o organismo produza colágeno. Cuidar da alimentação ajuda muito nesse processo. A nutricionista Cláudia Stela Gonzaga explica que vitamina C é uma das principais substâncias utilizadas pelo organismo na produção de colágeno, por isso devem ser incluídas duas frutas ricas em vitamina C na dieta, como acerola, laranja, goiaba e manga. "E também é importante parar de fumar. O cigarro diminui a absorção de vitamina C pelo organismo", alerta.
Cláudia acrescenta que ferro e outros minerais também são fundamentais para auxiliar no processo. Carne em quantidade suficiente é recomendável. Portanto, os vegetarianos devem ter o dobro de cuidado. "Sementes, castanhas, leite integral, queijo, vegetais verde-escuros e amarelos devem constar na dieta para boa cicatrização", diz a nutricionista. Ela explica ainda que a vitamina A precisa de gordura para ser absorvida. Então, uma salada de brócolis, rúcula ou cenoura funciona muito melhor se acompanhada por azeite extravirgem.
O cirurgião dermatológico Aldo Toschi enfatiza que é muito importante que se tenha cuidado logo que arranhões, queimaduras ou cortes aconteçam, por mais simples que sejam. Portanto, não banalize pequenos machucados e evite infecções. "Vá ao médico e dê ponto sempre que for necessário. No caso de arranhões profundos, tão comuns em crianças, não é bom deixar formar aquelas cascas grossas porque elas geram cicatrizes muito feias no futuro. Pomadas antibióticas são indicadas. Buscar um dermatologista logo é o melhor que se pode fazer", ensina.
Cicatrizes cirúrgicas
Apesar dos fatores pessoais, cuidados com lesões e pós-operatórios são essenciais para melhores resultados. No caso de cicatrizes cirúrgicas, Toschi explica que além da técnica de sutura, o médico deve se preocupar em fazer curativos úmidos, com pomadas, e que os pontos devem ser retirados precocemente, depois de três ou cinco dias. "Manter o ponto por muito tempo gera aquelas cicatrizes muito marcadas, como as do Frankenstein. A atenção do médico no pós-operatório imediato pode fazer com que a qualidade da cicatriz seja muito melhor", afirma.
Cirurgias plásticas, por mais perfeitas que sejam, também deixam suas marcas. Deusa Pires Rodrigues, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, lembra que os cirurgiões procuram minimizar os efeitos dos cortes, fazendo-os em locais pouco visíveis ou que coincidam com as linhas de forças naturais - marcas já existentes no corpo - ou ainda optando por locais cobertos por roupas de banho, pêlos ou cabelos. A médica reafirma que a cicatriz é inevitável e que médicos e pacientes devem discutir sobre o provável resultado das incisões: "É fundamental analisar bem se o problema que leva a cirurgia incomoda mil vezes mais que a possibilidade de uma cicatriz, mesmo que pouco visível", comenta a médica.
Até dois meses depois da cirurgia o organismo realiza um processo interno de ordenação das fibras de colágeno. Nesse período, o cirurgião dermatológico Aldo Toschi recomenda que se proteja o local da incisão. Como a cicatriz é um tecido muito frágil, recomenda-se que o paciente use curativos que funcionam como pontos falsos. É uma espécie de microporo que evita que se dê o alargamento das cicatrizes pelo tencionamento. O médico ensina o paciente a fazer esse curativo em casa.
Tratando marcas
Quando se sabe que há tendência à formação de cicatrizes hipertróficas ou quelóides é melhor fazer um tratamento preventivo. A radioterapia, já no dia seguinte à cirurgia, é uma boa opção. Conhecida como Betaterapia, é uma espécie de Raio-X, que penetra na pele por apenas 4mm e não oferece nenhum risco à saúde. O tratamento também é utilizado quando o paciente tem uma quelóide antiga. "No caso de grandes marcas dá um bom resultado operar novamente e tomar todos os cuidados para a nova cicatriz ser melhor", conta Dr. Toschi.
No entanto, muitos casos não precisam de solução cirúrgica. Existem diversos tipos de tratamento com laser que ajudam a reordenar as fibras de colágeno formadas em cicatrizes antigas. Os médicos também usam preenchedores, aplicando substâncias por baixo da pele, que levantam cicatrizes em baixo relevo. Também é comum que se utilizem pomadas com corticóides sobre as cicatrizes, utilizando placas de silicone para pressionar a região. Nos casos mais graves, o corticóide pode ser injetado. O melhor tratamento, claro, deve ser indicado por um médico dermatologista.
Acne: capítulo a parte
As cicatrizes de acne merecem cuidado específico: costumam ser muitas e multiformes. Elas só podem receber tratamento se a acne não estiver em atividade. Caso esteja, o paciente deve procurar um dermatologista que indicará medicação. Antes de se formarem as cicatrizes, recomenda-se associar os medicamentos com limpeza de pele realizada por um esteticista credenciado para que os comedões da acne sejam retirados. Esse cuidado evita a formação das cicatrizes.
Para o tratamento das marcas de acne, de acordo com Roberto Rodolfo Jr., diretor da Sociedade Brasileira de Medicina Estética, são muito indicados a subcisão e os peelings. O primeiro funciona de dentro para fora e é realizado com uma agulha especial que corta as fibroses por baixo das cicatrizes. "Com isso, a pele é levantada. No entanto, quando as cicatrizes são antigas é necessário utilizar preenchimentos para que o aspecto não fique enrugado e a pele pareça natural". Já os peelings provocam uma descamação, possibilitando a retirada da pele morta e estimulando a produção de novas células e a reorganização das antigas. O médico explica que no caso da acne apenas peelings médios ou profundos são capazes de resolver o problema. "A escolha por um ou outro tratamento depende apenas do critério e das experiências anteriores do médico", conclui Rodolfo Jr.
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