"Grande afeição de uma pessoa por outra. Afeição, grande amizade, ligação espiritual. Carinho, simpatia. Desejo sexual". Assim é definido o amor no dicionário. Mas como explicar um sentimento tão complexo? Muitos escritores, poetas, filósofos tentaram, arduamente, traduzir o intraduzível em palavras. Camões, por exemplo, afirmou que o "amor é fogo que arde sem se ver / É ferida que dói e não se sente / É um contentamento descontente / É dor que desatina sem doer".
Já o escritor português Camilo Castelo Branco (1825 - 1890) disse que "o amor é a primeira condição da felicidade do homem". As definições são muito complexas e diferentes, mas será que a compreensão deste sentimento muda ao longo do tempo? Para tentarmos responder a essa questão, selecionamos mulheres de diversas faixas etárias e histórias amorosas bem distintas para tentar entender o que é o amor.
Acordando para o amor
Ah, a juventude! Época de tantas descobertas, conflitos, dissabores e muitas ilusões. Nada como ter vinte e poucos anos e poder sonhar e desenhar o futuro. Nesse comecinho de vida temos mais expectativas e devaneios que verdades e constatações, principalmente acerca deste sentimento. Foi assim com a jornalista Juliana Resende, 25 anos. Depois de sete anos e meio de relacionamento, ela já consegue definir e explicar o amor de uma forma diferente. "No início, acho que a visão é mais caricata, como se fosse de novela. Você imagina que terá sempre romance, sonhos compartilhados, que o homem será perfeito. Hoje acho que o amor não precisa ser intempestivo, ele, na verdade, é mais calmo, mais companheiro", diz.
“Já sofri muito, mas amar não é sofrer. A gente espera muito do outro e acaba se frustrando. O certo é não ter expectativas.”
A jornalista acha que existem diversas formas de amar e, talvez, a mais consistente seja com base na amizade. O que Juliana aprendeu, mesmo com a tenra idade, é que o outro não precisa ser exatamente como a imaginação projeta, mas sim uma pessoa com interesses comuns. Ela, entretanto, tem dúvidas se realmente vai encontrar esse amor. Pessimismo? "Não, realismo. A relação homem e mulher se transforma muito com o tempo", afirma ela, que, definitivamente, não acredita em alma gêmea.
Mesmo com essa visão, Juliana percebe que as mulheres de sua idade continuam tentando encontrar o grande amor, ainda que se escondam sob a imagem de mulher independente e bem-resolvida. "Elas continuam procurando, mesmo estando felizes independentes. Ainda lhes falta isso", afirma a jornalista, atualmente solteiríssima.
Menos sonhos, mais realidade A gerente de marketing Alessandra Orrico, 32 anos, compartilha a opinião de Juliana: existem várias formas de amar e ela é um bom exemplo disso. Aos 19, teve o primeiro amor, mas hoje admite que "foi mais paixão que amor", porque na época idealizava muito a relação e o sentimento. Chegou a ficar noiva do rapaz, mas aos 23 anos, já à beira do altar, jogou tudo para o alto por causa de traições e mentiras. "Já sofri muito, mas amar não é sofrer. A gente espera muito do outro e acaba se frustrando. O certo é não ter expectativas", ensina.
Tempos depois do noivado, viveu um romance com um grande amigo. Os dois não quiseram assumir nenhum tipo de envolvimento, mas Alessandra garante que existia amor. "Era uma relação mais adolescente, que você sabe que não é para sempre. É a curtição do momento. Só que ele é meu amigo e o sentimento é distinto, mas existe", explica. Já com atual namorado, com quem está há sete anos e pretende casar, Alessandra afirma que a relação é mais madura, sadia, fraternal. "O Alex é um cara que eu não quero perder nunca, que eu confio e quero envelhecer juntinho", derrete-se.
Mesmo mais descolada em assuntos amorosos, Alessandra acredita em amor eterno, sim, senhora! E diz que o relacionamento perfeito é aquele que o companheiro está junto para tudo, apoiando em todas as decisões. O principal, segundo ela, é que ambos não criem expectativas em relação à união, nem busquem no outro algo que ele não pode ser.
Alessandra garante que é muito bem-resolvida sobre o tema. Acredita que as mulheres balzaquianas, de uma forma geral, não conseguem lidar bem com a situação. "Mulheres de 30 são bem complicadas. Algumas são mais realistas e param de idealizar. Outras não, ainda querem o príncipe encantado. Eu estou no grupo das bem-resolvidas. Me desiludi muito cedo", conta.
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