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Diz o ditado que em briga de marido e mulher não se mete a colher. Mas quando o relacionamento adoece não faltam talheres para ajudar a garfar a crise. Um deles é a terapia de casais, em que os problemas da vida a dois são confrontados sob a mediação e a condução de um psicoterapeuta especializado. Mais do que uma espécie de UTI do casamento, a experiência tem como principal objetivo reestruturar o que é considerado a base para uma relação sustentável: o diálogo.
A linha sistêmica de terapia familiar e conjugal acredita que a "doença" do casamento nasce da dificuldade de comunicação do casal, que pode estar fechado para si e aberto para o mundo ou fechado para si e para o mundo. "Muitos ainda conversam, mas o discurso chega ao ouvido do outro com grandes distorções. Cada um diz o que quer e ouve também o que quer", comenta Ana Christina Cury, psicóloga da área. A terapia não tem um período determinado para durar. Normalmente se estende até que o casal se entenda - segundo o jargão da área, "re-case" -, ou desfaça de vez a relação.
Chegar até o consultório, entretanto, não é nada fácil. "É muito comum virem os filhos primeiro, com seus problemas, encaminhados pelos pais. À medida que o caso é analisado, vem o convite para que o casal compareça e trabalhe questões que estão sendo assimiladas pela criança ou o adolescente. Mas há os que chegam porque, mesmo casados, se sentem solitários. Essa é a principal queixa primária", comenta a psicóloga. Ela acrescenta que as sessões, a princípio, são realizadas individualmente e só depois o casal se encontra para a terapia em conjunto.
O perfil de quem procura esse tipo de ajuda especializada é o de classe média-alta, com idade entre 25 e 40 anos e cerca de 15 de relacionamento. Os casais mais velhos costumam ser mais resistentes à terapia porque já estabeleceram entre si uma forte relação de dependência e, muitas vezes, têm a figura feminina associada à submissão.
Segundo Cândido Protásio, outro profissional da área, também se pode traçar um perfil psicológico das relações desgastadas. "Há o tipo de relação em que um necessita da dependência do outro para se punir, há o que tem sua energia baseada na dependência do outro para se sentir forte, há as inversões de papel masculino e feminino e aqueles que extinguiram a libido dentro da relação. Esses são os quadros mais corriqueiros", acrescenta ele.
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