Deixar a porta do banheiro aberta, avisar que o nariz está sujo, pedir para espremer um cravo, isso tudo é só para os íntimos. Da mesma forma, abrir o coração para ele, mostrar um ponto fraco ou ficar em silêncio por mais de 15 segundos sem que haja constrangimento são alguns sinais de muita intimidade. No início do relacionamento, era "por favor" pra cá, "dá licença" pra lá, rodeios de várias falas até perguntar o que realmente se queria saber. Depois - ah, depois! - vocês dois foram ficando mais chegados, perderam a vergonha, tornaram-se mais francos, enfim, ganharam aquela intimidade. Isso é bom demais, ruim à beça ou trata-se de um exemplo clássico de é-bom-mas-é-ruim?! Vejamos, portanto, o lado bom, seguro e cúmplice e lado meio invasivo, nojento e remelento de se ter intimidade com o parceiro.
Assim como mulher para se arrumar e homem para pedir a mão, a intimidade de verdade demora - não aparece assim de um encontro para o outro. Sua falta, típica de início de namoro, é celebrada por alguns e temidas por outros, como pela arquiteta Daniela A., 27 anos, para quem essa fase é cheia de tensões. "Bom mesmo fica mais tarde, lá pelos três meses de namoro, quando já se sabe como agir com o namorado, o que fazer, até onde ir. Antes disso, por não ter intimidade, eu fico sempre apreensiva, com medo de não agradar", conta ela, que não gosta de pisar em ovos e rima falta de intimidade com insegurança.
Mesmo depois de meses, seis, oito, um ano de namoro, acontece de a intimidade ser colocada à prova diante de um novo passo do relacionamento. "Eu achava que éramos 100% íntimos como namorados. Agora que moramos juntos, vejo que não, que ter de dividir a pia do banheiro, a cama e as contas, requer uma intimidade ainda maior", diz ela, já imaginando que a mesma sensação vai pintar quando surgir a gravidez, e depois o que mais o destino reservar para o casal.
“Quando a gente começou a namorar, eu levantava para ir ao banheiro assoar o nariz. Mas hoje em dia, quase três anos depois, ele já viu de tudo”
A conquista da intimidade já fez muita gente morder a língua, como a publicitária Fabiana C., 26, que sequer assoava o nariz na frente do namorado e jurou que jamais o faria. "Quando a gente começou a namorar, eu estava super-resfriada e levantava para ir ao banheiro sempre que precisava assoar o nariz. Mas hoje em dia, quase três anos depois, ele já viu de tudo: até já segurou meu cabelo pra eu vomitar!", diz Fabiana, tratando o tema com toda naturalidade possível, vivendo uma relação em que se preza, e muito, a intimidade.
Os dois combinaram: arrotos e flatos devem ser evitados, já o xixi de porta aberta é bem aceito. "Número dois nem pensar! Se não, não dá, né? Perde o encanto", conta a publicitária, descontente com as freqüentes infrações às regras cometidas pelo par.
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