Acorda às sete, toma banho, se arruma, bota o café da manhã na mesa, sai pro trabalho. Trânsito, reunião, discussão com o chefe, almoço no quilo, pilha de coisas pra resolver, liga para a operadora para reclamar da conta do celular, faz as unhas, passa no mercado, borra a unha do dedo indicador. Chega em casa, jantar, banho, novela, cachorro pra passear, livro pra ler, conta pra pagar... E o marido? No meio da correria da vida de uma mulher moderna, sobra tempo para se dedicar ao relacionamento amoroso?
Diz o ditado que tudo tem a sua hora. Será que tem mesmo? A vida agitada às vezes rouba tempo justo daquilo que mais gostamos: namorar. A usuária do Bolsa de Mulher Mari TCBH acha que o corre-corre do dia a dia atrapalha o casamento. "Hoje a tolerância e o companheirismo estão mais difíceis por culpa da vida que temos. Muitas vezes, o casal só tem ‘intimidade' no sexo: transa, vira pro canto e dorme. Não tem mais aquele tempo pra conversar, ver filme abraçados, tomar café da manhã juntos".
[olho]Com uma dedicação cada vez maior à vida profissional, as mulheres sentem que deixam de lado a vida pessoal, o que traz uma série de culpas e angústias[/olho]
Mari acha que, com o ritmo alucinado, o casal vai se afastando aos poucos. "Hoje é muito difícil alguém abrir mão dos seus interesses em prol da relação. A carreira fica em primeiro lugar, o dinheiro, e assim segue: muitas prioridades particulares e nenhuma prioridade em comum. Aí vai tudo por água abaixo", acredita Mari.
Dá um tempo!
Se só o trabalho e os afazeres da casa já comprometem a rotina a dois, imagina como fica com a chegada dos filhos. A usuária Gia SP tem duas filhas que ela ama de paixão e deu um jeito de 'se dividir' da melhor maneira possível. "Decidi fazer o seguinte: um tempo pra elas em que me dedico 100%, mas também um tempinho para minha pessoa porque senão não vou ter energia para nada", conta Gia, que procura fazer suas coisas, dar um trato no visual. E, claro, para as questões do coração. "Sempre arrumo uma hora pra namorar porque senão não dá", conta ela , que diz se virar do avesso para dar conta de tudo: "Tem que saber conciliar".
A usuária Cris Ornelas acha que o casal costuma deixar o romantismo de lado muitas vezes por conta dos filhos, do trabalho e dos afazeres da casa. "Por isso, eu e o meu amor temos um trato: quando percebemos que algo nos falta ou que estamos deixando o romantismo ir água abaixo, falamos. A verdade é que precisamos dos nossos momentos de mimos juntos", revela.
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Especialista em gestão do tempo e produtividade e autor do livro Você, dona do seu tempo (Editora Gente), Christian Barbosa afirma não conhecer uma pessoa que não reclame que o tempo está curto demais. "Alguns imploram por um dia de 48 horas, mais equilíbrio entre vida pessoal e profissional e menos estresse", lembra Christian, acrescentando que uma pesquisa realizada pela Triad PS com 5 mil mulheres com idade média de 35 anos mostrou que 78% delas não têm dedicado tempo para o sexo e os relacionamentos.
"O volume de atividades urgentes (atividades com prazo estourado, que provocam estresse ou tensão na sua execução) a que a mulher do século XXI está submetida pesa quando a questão é o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Com uma dedicação cada vez maior à vida profissional, as mulheres sentem que deixam de lado a vida pessoal, o que traz uma série de culpas e angústias", explica Christian, salientando ter ouvido muitas queixas sobre a rotina em que suas vidas se transformam. "Isso causa frustração, insatisfação e a sensação de que a vida está indo rápido demais, não porque o tempo está adiantado, mas porque estamos colocando poucas coisas importantes em nossa agenda", afirma Christian.