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Seu casamento já não é mais aquele do primeiro mês. As brigas, cada vez mais freqüentes. A paciência está miúda e o amor, cadê ele? Crise. Quem é casado sabe que, mais cedo ou mais tarde, ela chega. Às vezes, dá vontade de jogar tudo pro alto. Mas e o bebê pequeno? E o papel assinado? E a casa comprada em conjunto? E o cachorro? E o papagaio? O Bolsa conversamos com algumas mulheres para saber se isso tudo segura o casamento, adia o fim ou se, não tem jeito: chega um ponto em que nada é motivo para continuar casada.
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Só no tempo das nossas avós é que filho segurava casamento. Hoje em dia é absolutamente normal ser filho de pais separados e repetir o comportamento no futuro. O fato é que os filhos podem não ser garantia de matrimônio eterno, mas que dificultam o divórcio, ah, dificultam. E como! A publicitária Ana Cristina diz que quase se separou do marido em um momento de crise. Nessa hora, o que a fez contar até mil foi seu bebê de colo. "Um filho precisa de um pai e eu quero fazer de um tudo para garantir esse direito ao meu. Por ele, sou mais tolerante, cedo mais, passo por cima de certas coisas pra que meu casamento sobreviva", diz Ana, que não pretende separar e, sim, fazer os ajustes necessários.
Construindo obstáculos
Segundo a psicóloga especialista em relacionamento amoroso Mariana Mattos, nada concreto (casamento no papel, filhos, apartamento em comum etc) tem a capacidade de impedir o término de um relacionamento. "Servem apenas como argumentos para manter uma relação, possivelmente pela dificuldades de ambos em dar fim a algo que não vai bem", explica a psicóloga.
No entanto, Mariana Mattos destaca que os vínculos contam bastante quando se pensa em separação. "É muito mais fácil, em geral, terminar um relacionamento com alguém que conhecemos há um mês do que com alguém com quem ficamos por 10 anos, e, conseqüentemente, tivemos uma história mais longa. Mas, ainda assim, o que faz com que a pessoa tente solucionar dificuldades ou até protele um fim inevitável não são os vínculos concretos, mas o que há de subjetivo por trás deles", explica a psicóloga.
Ou seja, o que o que realmente importa não é, por exemplo, o imóvel em si, mas a história de sua compra, o que ele representou nos últimos anos e o fato de terem sido feitos planos juntos. "Quando o casal realmente optar pela separação, o que parecia ser obstáculo deixa de ser, e as soluções, aos poucos, são criadas", finaliza.
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