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Fazendo certo
Para o psicólogo Paulo Bonança, a "segunda vez" pode, sim, ter um final feliz, principalmente porque o casal está mais maduro emocionalmente e já consegue perceber seus erros e acertos na primeira relação. "O rompimento é como um luto, em que os parceiros podem refletir sobre o que aconteceu durante o relacionamento. Este momento serve para que eles se perguntem qual a participação de cada um naquilo que não teve sucesso. Com isso, ocorre um crescimento, o casal 'se atualiza', o que até facilita a reaproximação, e pode até pensar: 'Peraí, temos tudo para dar certo'", observa Paulo, que afirma que é comum a pessoa tentar solucionar algo seu no outro.
Segundo ele, o relacionamento é um processo que envolve aspectos regressivos que podem pesar demais no desenvolvimento da relação: "Quando se inicia este processo, muitas coisas vêm inclusas, como fatores atuais, fatores do passado e espectativas para o futuro. O parceiro vai ter que lidar com reações da sociedade, com a família e com o passado do outro. O casal pode se gostar muito, mas não se dá conta do que é o conviver, de que ambos trazem facilidades e dificuldades que a vida lhes deu anteriormente, e muitas vezes tudo isso prejudica o avanço da relação", explica.
É fato que algumas pessoas, como Íngrid e Nádia, se magoam com determinadas atitudes dos parceiros e acabam dando uma nova oportunidade para a relação na esperança de que o outro mude seu comportamento ou até mesmo sua personalidade. "Nesse caso, é preciso se perguntar se gosta do parceiro do jeito que ele é, ou se gosta de como ele poderá ficar depois que mudar. Muitas vezes é esta pessoa que deseja a transformação do outro que precisa mudar seus padrões de felicidade e de escolha", ressalta o psicólogo.
Paulo Bonança destaca, ainda, que a chave para o sucesso de quem quer tentar novamente ser feliz com o ex (ou mesmo com um novo par) é sempre o diálogo: "Conversar é fundamental. Mas é preciso conversar de verdade. Muita gente se fala, mas não se comunica. Finge que sabe tudo do outro e que o outro sabe de tudo também, e fica por isso mesmo. Assim, assuntos sérios que devem ser abordados acabam virando tabus. O casal não pode ter medo de conversar sobre qualquer tema, principalmente quando o tema envolve os dois. E ter a ver com os dois é ter a ver com cada um", completa.
* Os nomes foram alterados a pedido dos entrevistados.
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