Tem gente que diz que não existe mais romantismo. Reclama que a vida corrida, a falta de dinheiro e a superficialidade dos relacionamentos, hoje em dia, impedem o envolvimento e a dedicação a uma outra pessoa. Os mais pessimistas acham que o egoísmo é mais patente e a maioria das mulheres desistiu definitivamente de encontrar o príncipe encantado. Mas, acreditem, nem tudo está perdido! Algumas pessoas assumem o seu lado romântico, sem medo de serem feliz. E o mais incrível: são eles, os homens, os mais românticos.
Alguns casais aguardam ansiosos o dia 12 de junho e se preparam para comemorar o Dia dos Namorados em alto estilo. Não poupam esforços para surpreender e agradar a pessoa amada e não ligam se são chamados de melosos. A geógrafa Catarina Ribeiro recebe sempre cartas e poemas de amor do namorado, o professor universitário e poeta Eduardo Soares. Aliás, a tradição de receber poemas vem de longa data. Os dois
ficaram quando ainda estavam no colégio. Tudo não ia passar de uma diversão, se não fosse um poema que ele deixou na mesa dela ao chegar à sala de aula na segunda-feira. Nele, ele se declarava para Catarina. "Naquele dia, eu descobri que o Edu gostava de mim há muito tempo. Mas eu sempre achava que era só amizade mesmo", relembra.
Palavras Catarina ficou completamente seduzida pelas belas palavras e, logo em seguida, os dois começaram a namorar. O relacionamento já dura dez anos e eles se preparam para subir ao altar no fim do ano. O pedido de casamento também foi uma surpresa para ela. Eduardo combinou com uma colega de trabalho da namorada para ajudá-lo a viabilizar o pedido. A cada dia, durante duas semanas, ela encontrava na mesa do trabalho uma frase junto com um presente, que variava entre flores, bichinhos de pelúcia, desenhos, chocolates e uma indicação para ela montar o poema. No último dia, veio a frase final do texto - "Quer casar comigo?" - junto com uma aliança. "Quase caí para trás. Pensei que fosse uma comemoração do nosso aniversário de 10 anos juntos, mas era o pedido. Foi lindo. Ele consegue me surpreender sempre. Só quero ver o que ele vai aprontar no dia da cerimônia", diz ela, curiosa.
Eduardo admite que é romântico. Tímido, ele prefere se expressar através de palavras. Mas garante que Catarina também faz algumas surpresas de vez em quando. "Cada um ao seu modo, né? Ela, uma vez, no dia dos namorados, preparou um jantar especial em um barco. Jantamos e depois namoramos à luz do luar. Foi especial e surpreendente. Eu não teria criatividade e coragem para fazer uma coisa dessas", admite. Os dois sempre mandam recadinhos no celular, tentam se encontrar no meio do dia simplesmente para matarem a saudade um do outro. Mas, ainda dá para ser romântico, mesmo depois de tanto tempo? "Claro! Senão não duraria tanto tempo!", afirma Catarina.
Seja criativo Ninguém precisa possuir dotes artísticos como os de Eduardo para declarar o seu amor. Os médicos Clara Magalhães e Felipe Neto preferem usar a criatividade, e afirmam que romantismo é o que não falta entre eles. "E não pode faltar mesmo, senão a vida e os problemas nos engolem. Temos que ser criativos sempre. É assim que um relacionamento se sustenta", ensina Felipe. Para manter a chama acesa, ele não poupa esforços. Às vezes, surpreende com uma viagem inesperada ou com um jantar em algum lugar diferente - de preferência com comidas exóticas, bem ao gosto dos dois.
Clara não fica atrás. Como os dois trabalham juntos no mesmo hospital, passando praticamente o dia inteiro colados, ela tem que abusar da criatividade para não deixar que a rotina atrapalhe o romance, que já dura quatro anos. "Um carinho inesperado, um presente, alguma declaração no meio de um plantão agitado surpreendem. São nessas pequenas coisas que reforçamos o nosso sentimento", explica. A médica afirma que, por mais romantismo que haja entre o casal, admiração pelo outro é também fundamental. "É você olhar para ele e dizer que aquela pessoa realmente vale a pena, vale todo o seu esforço e dedicação. E o Felipe é esse cara para mim. Além de excelente médico, é um cara incrível", derrete-se.
Comemorações especiais Quem não deixa passar uma data festiva sem uma comemoração à altura é o casal Lúcia e Denis Barreto. E dizem que este é o segredo deles para um relacionamento feliz. Eles estão juntos há cinco anos, mas casados há apenas um ano e meio. Os dois comemoram aniversário de namoro, aniversário de casamento (ambos mensalmente), dia de São Valentim (14 de fevereiro, considerado o dia dos namorados em grande parte do mundo) e, finalmente, o 12 de junho. Bem, é claro que por restrição de orçamento, as comemorações mensais resumem-se a apenas uma lembrança, para não deixar passar em branco. "Ah, mas quando vamos comemorar o ano mesmo, não poupamos esforços. No nosso primeiro ano de casados, fomos para Buenos Aires dançar tango e beber vinho", relembra Lúcia.
Denis tem uma justificativa para tanto romantismo. "Antes de começarmos a namorar, já nos gostávamos, mas ambos estavam em outros relacionamentos. Quando ficamos juntos, e isso demorou uns dois anos, queríamos celebrar cada momento", justifica-se. Uma das excentricidades do casal é tirar uma foto em cada dia especial e colocar em um álbum. Os dois querem que os filhos vejam como foi o relacionamento desde o início. "E, no fundo, queremos dar uma educação em que eles entendam que a entrega, o respeito, a admiração e o romantismo é fundamental para um casal. Queremos ter também uma história para contar durante muitos anos", afirma Denis. "Uma história feliz, de preferência", completa Lúcia.
Meu coração, não sei por quê... O economista Elias Barcelos diz que é tímido. Mas, em um Dia dos Namorados, preparou uma serenata para a historiadora Mônica Correia, sua namorada. Ela, que mora numa vila, amanheceu ao som de Cartola e Pixinguinha, as preferidas de Mônica. A historiadora, claro, morreu de vergonha. Elias, então, nem se fala. Mas, porque uma serenata no meio de tanta timidez? "Porque ela merece. É uma mulher especial, companheira, perfeita para mim. E eu sou romântico. Queria fazer algo que fosse inesquecível e que ela nunca pudesse imaginar que eu seria capaz. Acho que deu certo", diz ele, entre risos.
Mônica, que tinha mais costume de mostrar seu romantismo para o namorado, afirma que ficou chocada quando viu a cena. "O Elias cantando
Carinhoso para mim às oito da manhã? Nem nos meus melhores sonhos!", diverte-se. Ela tentou retribuir a declaração, só que não deu certo. "Não tenho talento nem criatividade. Fico mais no arroz com feijão - cartinhas, torpedos, jantarzinhos", revela.
Declare o seu amor Todos os homens garantem que as declarações sempre surtem o efeito desejado. "Você vê o brilho no olhar da outra pessoa. É um momento único, especial. Vale o investimento", argumenta Denis. Eduardo vai além. Ele sugere que as pessoas comecem a se entregar aos sentimentos e deixem as vontades e emoções rolarem. "Hoje, as pessoas estão muito tímidas, comedidas. Parece que têm medo da reação do outro. Se isolam e não conseguem viver a intensidade do sentimento. Simplesmente, não sabem o que estão perdendo", filosofa.
E você? Preparada para o dia 12 de junho? Ainda dá tempo!
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