Amor

Os três lados da traição

por Fernando Puga | 23/12/2006

A vítima, a liberada e o privilegiado: assim é o triângulo adúltero


anterior 1 2 próxima


Os três lados da traição

No adúltero mundo mágico da monogamia, dois conflitantes personagens refletem duas interessantes figuras de mulher: a traída e a traidora. De um lado, a santa, limpa e enganada, mártir do amor e da confiança. Do outro, a vulgar ninfomaníaca, perversa e fatal destruidora de lares. E entre elas, o homem, a se julgar possuidor de ambas em seus dois universos muito diferentes, separados por corpo e coração. Mas o que será que acontece quando esses três personagens se confrontam em uma realidade única? Culpa, raiva e orgulho transitam em meio a acusações e discussões sobre verdades e mentiras.

Ana Tereza*, 32 anos, tinha 26 quando se envolveu com um colega da faculdade de odontologia, casado. Ele era cinco anos mais velho e, segundo Ana, com muito mais experiência afetiva e sexual do que ela, então uma garota do interior com apenas um namorado de adolescência no currículo. Ela sabia, desde quando se conheceram, do estado civil do rapaz e era até comum, durante os quatro meses que passaram juntos, ouvir falar da mulher. "Eu não gostava de pensar muito nela, de ouvir que existia, porque me sentia culpada. Eu me colocava um pouco no lugar e ficava desconfortável. Quando imaginava, me vinha mais à cabeça a relação que ele dizia que tinha com ela, fria, cansada. Como ele era muito carente, pensava em uma mulher apagada, sem vida, distante, tanto que nem conseguia idealizá-la", conta Ana Tereza, que se apaixonou pelo amante e acabou vendo-o sumir no mundo. "Um belo dia, ele parou de me atender, de me ligar. Foi de um dia pro outro. Fiquei péssima", lembra.

A agora dentista tem algo em comum com a jornalista Joana*, 28 anos. Ela também foi amante de um homem casado por quase um ano, amigo de amigos seus. "Era uma relação muito quente, carnal. Predominantemente sexual, mesmo", define. Joana conta que tinha poucas informações sobre a esposa de seu companheiro de encontros obscuros pelos motéis da Zona Sul do Rio de Janeiro e que, talvez por isso mesmo, se pegava inúmeras vezes tentando imaginar como era essa mulher. "Pensava sempre naquela figura que não compreendia o marido, pensava numa pessoa difícil, com uma visão muito fechada da sexualidade. Mesmo porque entre nós era tudo muito liberado, sentia que ele se realizava mesmo na cama só comigo. Ele chegava sempre muito fogoso, como se tivesse que se reprimir em casa e tinha em mim uma chance de se liberar, fazer o que realmente queria", aponta ela.

“ Nunca deixei de querer muito a minha mulher por ter amantes, eventualmente”


Atualmente separado, mas com um casamento de oito anos nas costas - devidamente permeado por experiências além-cerca - o advogado Thiago*, 37 anos, contabilizou algumas amantes durante a vida. Ele se justifica, com absoluta sinceridade: "É como uma moto. Quando a gente quer alguma coisa mais movimentada, vai com ela para não sujar o carro, no caso, a esposa". Ter outra, para ele, não significa amar ou desejar menos a esposa, muito pelo contrário. "São coisas muito diferentes, portanto. Nunca deixei de querer muito a minha mulher por ter amantes, eventualmente. Ocupam lugares distintos, para mim", afirma.

Mas foi justamente uma pulada de cerca mal dada que acabou minando seu casamento. "Alguém contou para ela que eu estava no motel com outra, ela me ligou no momento e eu não tive coragem de dizer que não. Fui para casa conversar, tentar me expor, mas ela não quis me entender, nem me ouvir. Foi-se embora um casamento de dez anos por conta de um episódio desses", revela Thiago, sem esconder que ainda sente falta da ex-mulher.


anterior 1 2 próxima


Mais matérias sobre

compartilhe esta matéria!

Siga o Bolsa de Mulher no twitter



últimos comentários (25)

ver mais
  • Mila_sol
    Mila_sol comentou:
    22/06/2011 | 11:52

    Após 10 anos de casados descobri que meu marido me traiu. Desconfiei, pois depois do nascimento de nosso primeiro filho ele não me procurava mais e se esquivava para não ficar em casa e me ajudar com o bebê. Um dia joguei uma olhada em seu celular e descobri mensagens suspeitas, até que cheguei a uma mensagem onde o descarado "informava a pessoa que no outro dia somente iria ligar para ela depois que sua esposa embarcar de viagem e perguntando, qual chocolate que ela mais gosta". Questionei-lhe e "o pobre coitado" me deu a desculpa que havia emprestado o celular para um amigo, sendo que ele é uma pessoa que não desgruda do celular. Até que me confirmou que saiu com essa pessoa e deu a desculpa que foi somente uma vez, quando eu estava viajando e que era uma garota de programa. Procurei em sua conta de telefone e descobri que ele mantinha contato com essa pessoa há 5 meses, e ligava quase todos os dias pela madrugada e após o trabalho, ligações com tempo absurdo.
    Hoje não consigo olhar para ele, pois fico lembrando que no momento que mais precisei de sua colaboração e carinho ele estava saindo com outra pessoa e não tinha tempo para a família. Ainda me pede para pensar em nosso filho e nos anos de casamento, quando o mesmo não levou em consideração.


  • Simonhead II
    Simonhead II comentou:
    25/04/2011 | 15:47

    Sinto muito ler esses desabafos. Não tenho nem como argumentar acerca de perdão com o que acontece com a Islene e a Katiuse. Desejo o melhor para ambas ao enfrentarem tão estranha situação... .


  • yaluzinha
    yaluzinha comentou:
    25/04/2011 | 15:33

    pior que e nem prestei atenção na data


  • novo comentário

    Você
    :D


    Avise-me quando houver novos comentários nessa matéria




Bolsa Mobile

Receba as notícias e atualizações na rede do Bolsa no seu celular.
Saiba como.