Os três lados da traição > Os três lados da traição

A vítima, a liberada e o privilegiado: assim é o triângulo adúltero

por Redação

No adúltero mundo mágico da monogamia, dois conflitantes personagens refletem duas interessantes figuras de mulher: a traída e a traidora. De um lado, a santa, limpa e enganada, mártir do amor e da confiança. Do outro, a vulgar ninfomaníaca, perversa e fatal destruidora de lares. E entre elas, o homem, a se julgar possuidor de ambas em seus dois universos muito diferentes, separados por corpo e coração. Mas o que será que acontece quando esses três personagens se confrontam em uma realidade única? Culpa, raiva e orgulho transitam em meio a acusações e discussões sobre verdades e mentiras.

Ana Tereza*, 32 anos, tinha 26 quando se envolveu com um colega da faculdade de odontologia, casado. Ele era cinco anos mais velho e, segundo Ana, com muito mais experiência afetiva e sexual do que ela, então uma garota do interior com apenas um namorado de adolescência no currículo. Ela sabia, desde quando se conheceram, do estado civil do rapaz e era até comum, durante os quatro meses que passaram juntos, ouvir falar da mulher. "Eu não gostava de pensar muito nela, de ouvir que existia, porque me sentia culpada. Eu me colocava um pouco no lugar e ficava desconfortável. Quando imaginava, me vinha mais à cabeça a relação que ele dizia que tinha com ela, fria, cansada. Como ele era muito carente, pensava em uma mulher apagada, sem vida, distante, tanto que nem conseguia idealizá-la", conta Ana Tereza, que se apaixonou pelo amante e acabou vendo-o sumir no mundo. "Um belo dia, ele parou de me atender, de me ligar. Foi de um dia pro outro. Fiquei péssima", lembra.

A agora dentista tem algo em comum com a jornalista Joana*, 28 anos. Ela também foi amante de um homem casado por quase um ano, amigo de amigos seus. "Era uma relação muito quente, carnal. Predominantemente sexual, mesmo", define. Joana conta que tinha poucas informações sobre a esposa de seu companheiro de encontros obscuros pelos motéis da Zona Sul do Rio de Janeiro e que, talvez por isso mesmo, se pegava inúmeras vezes tentando imaginar como era essa mulher. "Pensava sempre naquela figura que não compreendia o marido, pensava numa pessoa difícil, com uma visão muito fechada da sexualidade. Mesmo porque entre nós era tudo muito liberado, sentia que ele se realizava mesmo na cama só comigo. Ele chegava sempre muito fogoso, como se tivesse que se reprimir em casa e tinha em mim uma chance de se liberar, fazer o que realmente queria", aponta ela.

Nunca deixei de querer muito a minha mulher por ter amantes, eventualmente

Atualmente separado, mas com um casamento de oito anos nas costas – devidamente permeado por experiências além-cerca – o advogado Thiago*, 37 anos, contabilizou algumas amantes durante a vida. Ele se justifica, com absoluta sinceridade: "É como uma moto. Quando a gente quer alguma coisa mais movimentada, vai com ela para não sujar o carro, no caso, a esposa". Ter outra, para ele, não significa amar ou desejar menos a esposa, muito pelo contrário. "São coisas muito diferentes, portanto. Nunca deixei de querer muito a minha mulher por ter amantes, eventualmente. Ocupam lugares distintos, para mim", afirma.

Mas foi justamente uma pulada de cerca mal dada que acabou minando seu casamento. "Alguém contou para ela que eu estava no motel com outra, ela me ligou no momento e eu não tive coragem de dizer que não. Fui para casa conversar, tentar me expor, mas ela não quis me entender, nem me ouvir. Foi-se embora um casamento de dez anos por conta de um episódio desses", revela Thiago, sem esconder que ainda sente falta da ex-mulher.

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