O mito da mulher boa de cama

Nada de malabarismos ou coleção de recordes. Apesar das diferenças, homens e mulheres concordam: a mulher boa de cama é aquela que se adapta às circunstâncias, e sabe que carinho é bom, mas que um tapinha também não dói.
por admin

Povoada por homens e mulheres infalíveis e insaciáveis, a mitologia sexual é recheada de mistérios. Uma dessas lendas mais intrigantes é a da mulher boa de cama. Quando resolvemos descobrir quem é essa criatura capaz de arrancar aplausos em suas performances e de, com elas, manter homens eternamente encoleirados e efeitiçados, descobrimos peculiaridades nas opiniões de homens e mulheres. Muito mais do que uma mera curiosidade, o assunto acabou suscitando uma discussão quase tão antiga quanto a nossa própria sociedade. Mas, no final das contas, acabamos descobrindo que, entre quatro paredes, o que vale mesmo, para homens e mulheres, é ganhar intimidade e se soltar.

Para eles, a mulher boa de cama é aquela que se despe não só das roupas como também dos pudores. “Para mim, tem que ter muita sacanagem, gosto de uma coisa meio selvagem. Aquelas carinhas de ‘vem me pegar’, com os cabelos jogados na cara. Fico doido”, diz o webdesigner Wandher Souza. É exatamente o mesmo tipo que também deixa o engenheiro Gilberto Santhiago subindo pelas paredes. “Gosto daquela mulher que impressiona, toma a iniciativa em posições, idéias, que seja fogosa, muito safada. Que não tenha medo de se liberar, de soltar o lado puta”, explica. O publicitário Bruno Xavier lembra ainda de um outro detalhe que ele julga importante: “Além de ser absolutamente despudorada, a mulher boa de cama tem que deixar a gente saber o que está acontecendo. O que ela tá gostando, o que ela está fazendo. Não basta sentir, tem que dizer. Adoro ouvir aquelas sacanagens”, conta.

Mas será que é esse o personagem que as mulheres querem vestir na cama? Para elas, apesar do medo de se surpreender consigo mesma, o importante é transitar por todas as zonas. Literalmente. “Soltar os pudores e ser ‘a puta’ é legal, mas nem sempre. Às vezes, o clima pede isso, outras, pede um tipo de envolvimento diferente. A graça é poder fazer de tudo. Pra mim, a mulher boa de cama é aquela que sabe ser puta ou santa, na hora certa”, acredita a jornalista Tereza Coutinho. A empresária Luísa Penteado faz um alerta e afirma que a receita de sucesso dada pelos próprios homens é um tiro que pode acabar saindo pela culatra. “O homem diz que quer ter uma mulher bem descarada na cama, bem safada. No entanto, se ela chega entrando de sola na primeira noite, ele se assusta, acha que ela é uma desqualificada na vida. É uma hipocrisia”, reclama. O economista Fernando Amaral defende a classe e, sem esquecer que para levar uma mulher para cama é preciso agradar, resume o jogo: “A mulher boa de cama é aquela que sabe o quê, quando e quanto o outro está a fim. Tem que ajudar a criar uma intimidade e, depois disso, à vontade, não ter preconceito, nem muito pudor. Saber que carinho é bom e que um tapinha não dói”, define.

A sexóloga Sandra Jablonski acredita que essa discussão, na realidade, vai muito além da brincadeira e da curiosidade natural. Para ela, o assunto reflete uma manipulação social sobre o comportamento feminino. “A mulher vive nesse dilema de personagens entre a santa e a puta. A santa é aquela cujo comportamento sexual não gera suspeitas, que é digna de confiança e de respeito e que tem valor suficiente para ser escolhida como esposa e mãe dos filhos de um homem. Já a puta não é aquela que troca o sexo por dinheiro. É toda aquela mulher que não se encaixa no padrão de santa. Por isso, esse tipo de classificação acaba fazendo com que as mulheres tenham medo da própria liberação e independência sexual, fazendo de tudo para manter um comportamento como manda o figurino social”, acredita. No entanto, ela comenta que, por ora, seja qual for o papel assumido pela mulher, o homem precisa dos dois para se satisfazer completamente. “A mulher que vai fazê-lo feliz é aquela que vai entender de quem ele está precisando em cada momento, seja no sexo ou no relacionamento como um todo. Sentindo essa segurança, ele vai retribuir, os dois vão deixar os personagens de lado e ganhar em intimidade e prazer”, garante.

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