O carnaval é a maior caricatura

Hora de tirar a fantasia do armário e se preparar para cair na folia
por admin

Ela vem toda de branco, coroa e paetês. Fantasiada de Princesa, é confundida com Noiva - veja bem, toda noiva tem seu dia de princesa, mas nem toda princesa chega à noiva. Um rapazinho se aproxima e lhe pede a mão em casamento, dizendo-se apaixonado, ajoelhado, concentrado, aflito.

Mais à frente, torcendo pelo "não", o amigo bate a palma na testa e reclama:

- Ah, seu prego, você não vai querer namorar agora, né?

O carnaval nem começou mas já se espalha pelas ruas da cidade.

Alzira, a Enfermeira, estará de plantão nesse carnaval. Veste macaquinho branco. Usa o estetoscópio como colar. Quando passa, os foliões desfalecem: - Estou passando mal!

A Odalisca é batizada de Jade. Quando julga um pretendente possível, toma-lhe a mão e lê seu futuro:

- Está escrito que você conhecerá a mulher da sua vida no terceiro dia de uma manifestação popular profana, em que a grande massa pulará ao som do batuque de bumbos, chocalhos e tamborins.

- Ãh?

Pan, a Pantera cor-de-rosa, dá entrevista para o jornal. Diz que comprou suas orelhas na Senhor do Passos; a barriga, no Palácio das Pelúcias; o vestido é do acervo pessoal e o tênis, All Star. Faz sucesso: os rapazes, com o devido respeito, gostam de balançar o rabo comprido de Pan. Tomam cuidado, que é pra não estragar a fantasia.

O carnaval nem começou e as asas de anjo e os chifres do diabo desfilam pelas ruas da cidade. Há cinco anos, quando ninguém ousava usar nem um colar de havaiana, quem se metia a Chapeuzinho, Fada ou Colegial tinha que fazer carão. Hoje, passa vergonha quem não exibe sequer um adereço de última hora.

Alzira, a Enfermeira, estará de plantão nesse carnaval. Veste macaquinho branco. Usa o estetoscópio como colar. Quando passa, os foliões desfalecem:

- Estou passando mal!

Alzira coloca o termômetro de plástico debaixo do braço de cada paciente - paciente que só ela. Segundo a Enfermeira, estão todos febris. O jeito é dar uma injeção - no braço ou no bumbum.

Gislaine, a Doméstica, não gosta de ser chamada de Marinete. Recebe ofertas de emprego fixo, salário alto e carteira assinada. Gislaine diz que lava, passa e ainda prega botão. É cozinheira de forno e fogão. Folga só no fim de semana e acha os patrões, esses sim, um bando de folgados.

Os óculos escuros chamam atenção: o dia está nublado, mas noventa por cento dos gatinhos e gatinhas (sem orelha de pelúcia) só se deixam ver da metade da bochecha para baixo. Me pergunto se querem se esconder, se pretendem se alinhar às tendências da moda ou se querem paquerar sem dar na pinta. Ou, o mais provável, são todos estrábicos.

E o carnaval nem começou.

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