Luana Piovani, Hugh Grant, Brad Pitt, e até sua vizinha. Mais dia, menos dia, escutamos uma fofoca sobre um novo caso. Quem é que nunca traiu? Há quem garanta que não, e morra de orgulho de ser fiel. Apesar de cada vez mais rara, a fidelidade ainda faz a cabeça de muita gente. Gente que vai na contra-mão do oba-oba, que pisa firme pela monogamia e preza a exclusividade entre quatro paredes. É ela quem mantém um relacionamento de confiança, e cheio de respeito entre duas pessoas. Mais do que um ato de amor, ser fiel é sinal de sinceridade para consigo mesma. Já parou para pensar nisso?
Antes de sair buscando justificativas para a pulada de cerca, escute os ensinamentos da professora de pompoarismo Regina Racco. A favor da sinceridade entre um casal, Regina dá algumas dicas para fazer com que um relacionamento dê certo - sem precisar recorrer à diversidade! "Para não trair, um casal deve basear sua relação na amizade. Isso porque, se prestar atenção, vai ver que há muito menos traição entre amigos do que entre amantes. Viver junto, ou estar comprometido com alguém, deveria ser uma decisão baseada na parceria. Ficariam juntos enquanto se sentissem bem, e fizessem bem um ao outro. Quem se sente completo no amor que dá e recebe não trai", acredita.
E não vá pensando que isso é papo de mulherzinha. O produtor de eventos Alexandre Coelho assina embaixo. Com algumas dezenas de casos no currículo, o produtor garante que é tudo uma questão de respeito. “Antes de enganar o outro, você está enganando a você mesmo. Portanto, da mesma forma como não gostaria de ser traído, não trairia. Se concordo em estar vivendo um relacionamento sério com uma pessoa, é porque estou satisfeito”, diz Alexandre. Mas e quando falta um ”algo mais”? Se o brilho no olhar vai embora, o produtor garante que ele vai junto. “Quando eu percebo que falta alguma coisa, é sinal de que estou com a mulher errada. Aí, termino, e vai cada um pro seu canto. Melhor do que fazer a pessoa sofrer. É uma falta de respeito e de consideração. Se a pessoa trai, é sinal de que não gosta do outro. De que está junto por comodidade”, afirma Alexandre.
Faz sentido, mas na prática, não é todo mundo que consegue seguir os conselhos de Regina. A publicitária carioca J. S., 26 anos, sabe o quanto é difícil ser fiel. “Traí todos os namorados que tive, e não foram poucos. Com o tempo, começo a ver que minhas expectativas quanto ao outro não estão sendo atendidas, ou pior, que nunca serão. Acabo me prendendo à segurança da relação, mas simultaneamente busco em outras pessoas aquilo que falta. Na maioria das vezes é a atração sexual que já sumiu no relacionamento. Tenho medo de ficar sozinha, e também de me arrepender de terminar. Por isso começo a testar novas relações sem ter que abrir mão do que tenho. É como se fosse um investimento sem risco”, compara a publicitária. O problema é que, em um relacionamento, dois mais dois nem sempre são quatro, tornando o saldo do investimento um tanto quanto negativo.
Novos tempos, novos comportamentos
As juras de fidelidade que os noivos trocam continuam presentes na reza do padre, mas, na prática, fica até parecendo que ser fiel saiu de moda. “Nas últimas décadas, houve uma mudança em nossa sociedade. Tudo começou com a inserção feminina no mercado de trabalho. A mulher assumiu papéis masculinos, deixando de depender financeiramente do parceiro. As que suportavam a infidelidade, o faziam devido à incapacidade de se sustentar. Hoje, dois motivos fazem com que uma mulher se mantenha em um relacionamento infiel: dependência financeira ou dependência emocional”, explica o psicólogo Luiz Gonzaga Leite, doutor em psicologia pela PUC-SP, e coordenador do Departamento de Psicologia do Hospital Santa Paula, em São Paulo.
O medo de enfrentar a vida sozinha continua sendo um forte motivo para fechar os olhos diante das puladas de cerca. Mas não são apenas elas que sofrem. Eles também penam para encontrar uma parceira fiel. “O nível de infidelidade subiu entre as mulheres, e existem razões antropológicas para explicar isso. Viver numa cidade grande, como São Paulo, facilita este comportamento. A Igreja também vem perdendo seu poder controlador”, cita Dr. Luiz, acrescentando que o comportamento infiel sempre esteve presente nos relacionamentos. “Os valores éticos e morais da sociedade não têm a rigidez que se imagina. Eles se adaptam à forma de viver. A diferença é que hoje não se usa mais a palavra adultério, mas, sim, caso. O termo foi abrandado, como se tratasse de uma questão menor. Tanto que a infidelidade é mais aceita do que antigamente. Uma mulher que há dois mil anos traísse o marido acabaria apedrejada”, compara o psicólogo. Não é preciso ir tão longe. A infidelidade feminina já foi motivo para divórcio, garantido por lei, fazendo com que a mulher perdesse seus direitos.
Aprendendo a não trair
Mais cedo ou mais tarde, todo casal passa por problemas. Aliado à monotonia que alguns anos ao lado da mesma pessoa trazem, a grama do vizinho acaba parecendo mais verde. Para driblar o problema, a consultora em relacionamentos Rosana Braga sugere que o casal dê espaço às fantasias: “Vivemos em uma sociedade castradora, na qual os casais têm medo de dividir seus pensamentos. Há pessoas que preferem manter relações paralelas, causando sofrimento e dor ao outro. Por que não assumir seus desejos perante si mesma e seu parceiro? Se fossem vividas sem tantos tabus, as fantasias poderiam evitar muitas situações de infidelidade. Além, é claro, de dar uma apimentada nos casamentos mornos, nos quais a excitação já não encontra espaço”, aposta.
Para isso, antes de mais nada é preciso tirar a culpa da cabeça. “Fantasiar não é o mesmo que realizar. Um casal pode fantasiar experiências que nunca se tornarão reais. Os homens sentem-se livres para isso. A maior prova disso é o sucesso que as revistas de mulheres nuas fazem entre eles. Já as mulheres vivem a culpa. Mas acolher a fantasia do parceiro aumenta a cumplicidade, a intimidade e confiança. O que, antes, era sentido como ciúmes ou desconfiança passa a ser encarado como uma gostosa brincadeira, esquentando a relação, e oferecendo mais chances de alcançar o prazer”, garante Rosana Braga.
Na opinião da professora Regina Racco, a melhor saída é deixar tudo em pratos limpos. “Os casais deveriam sentar, ouvir e falar do que realmente desejam. A traição é um comportamento contrário ao que foi acordado. Mas quais foram essas bases? Aquelas que todos deveriam discutir, mas nem sempre fazem. O que fugisse das regras da relação, aí sim, seria traição”, explica Regina. Portanto, é bom deixar claro que deseja exclusividade. Caso contrário, não vá reclamar depois.
Serviço:
- Regina Racco
www.pompoarte.com.br
pompoar@pompoarte.com.br
- Rosana Braga
www.rosanabraga.com.br
falecomigo@rosanabraga.com.br
- Psicólogo Luiz Gonzaga Leite, coordenador do Departamento de Psicologia do Hospital Santa Paula, São Paulo.
Consultório: (11) 3040-8001
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