comentários (3)Alguns se referem à paixão como um vício. Você sabia que a área ativada no cérebro pela paixão é a mesma da obsessão? Pois é, existe uma linha muito tênue entre uma e outra e, no final das contas, a paixão pode acabar se tornando uma droga sem a qual não se pode viver.
"Geralmente quem tende à paixão obsessiva são as mulheres que têm histórico de baixa auto-estima ou que já passaram por perdas afetivas muito grandes na vida", explica Patrícia Gugliotti. "Quando uma pessoa faz o possível e o impossível para agradar o outro, isso significa que ela é insegura e tem uma autoestima muito baixa, não só do ponto de vista amoroso, mas em todos os sentidos", completa a psicóloga Magdalena Ramos.
E para quem pensa que só as mulheres têm tendência a ficarem "doentes de amor", ledo engano. "Antes eram, de fato, as mulheres que se dedicavam mais ao amor", revela Patrícia, mas, segundo ela, nossa cultura mudou e a dona Amélia de antigamente hoje está dividida entre casa e trabalho. "A mulher está canalizando o amor também para o trabalho e os homens têm se tornado muito inseguros", conta Patrícia. Portanto, eles também podem adoecer pela amada, apesar de o contrário ser mais freqüente.
O que é saudável
"Foi preciso adoecer fisicamente para me dar conta de que aquele não era um relacionamento saudável. Precisei quase entrar em depressão para cair na real", desabafa a advogada Janaína Nascimento.
A paixão pode maltratar, mas você não precisa chegar a esse ponto. Ela pode ser muito bem um sentimento saudável, que não prende e nem machuca. Para início de conversa, é importante, segundo a psicóloga Patrícia Gugliotti, se livrar das idéias pré-concebidas de "alma gêmea" ou "você é a tampa da minha panela". "Cada um de nós é uma pessoa inteira, não existe essa coisa de metades". O importante numa relação, segundo ela, é justamente preservar a individualidade - o casal em sintonia sabe respeitar o espaço um do outro, porque senão se corre o risco de virar macaco de imitação ou "Maria vai com as outras". Nada mais prejudicial à autoestima!
Para a advogada Janaína Nascimento, que se privou do seu espaço e tempo pelo namorado, é essencial colocar si própria em primeiro lugar na vida. "Se a gente não se ama acima de tudo, quem é que vai amar?", questiona. E completa: "Amadureci e aprendi a ter amor próprio, a me colocar como prioridade, juntamente com a minha família e meus objetivos, que ficaram enterrados e esquecidos quando eu estava perdidamente apaixonada". A psicóloga Magdalena Ramos frisa justamente isso: para lidar com a paixão e com o amor, todos nós precisamos de maturidade e bom senso.
Lembre-se: obsessão é uma paixão negativa. E mesmo a paixão saudável tem lá seus riscos, porque ela cega. É por isso que a psicóloga Patrícia Gugliotti recomenda nunca se casar no auge da paixão - que dura, em média, de seis meses a dois anos - porque a realidade fica encoberta. É claro que vale a pena viver com toda a intensidade que o sentimento proporciona, mas sem exageros!
Sua relação pode ser, sim, muito linda e intensa, mas sem acabar como a de Romeu e Julieta. Dê espaço para a calmaria. "Depois da turbulência da paixão, vem a calmaria do amor", finaliza Patrícia. Para Janaína Nascimento, é de olho no coração - e também na razão - que podemos ser felizes.
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