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Algumas gostam de ser paparicadas e outras preferem menos grude, algumas são controladoras e fazem marcação cerrada do parceiro, enquanto outras, tranqüilas, não esquentam a cabeça. Existem muitas formas de amar e cada um tem o seu jeitinho especial de demonstrar o carinho por quem ama, mas a questão é a seguinte: e quando a paixão vira obsessão, como vemos no nosso FÓRUM? Aí mora o perigo! É ótimo cercar e ser cercada de cuidados, mas tudo em excesso pode ser ruim, até mesmo ela: a paixão.
O que você seria capaz de fazer por amor? Faça o teste!
A própria palavra tem uma origem, por si só, muito curiosa. Do latim passione, ela significa tudo de bom - amor ardente, entusiasmo muito vivo - mas, investigado um pouquinho mais a fundo e chegando à sua raiz grega, vemos que pathos significa doença. Quem nunca viu o amor associado à loucura? Todo mundo já disse, pelo menos uma vez, "sou louca por você" para o parceiro. "Os apaixonados são meio exagerados mesmo, isso faz parte do que é o sentimento", explica Magdalena Ramos, professora de psicologia da PUC-SP. Cuidado para não levar a expressão loucura ao pé da letra!
Por amor
Juliana Cerqueira, publicitária, já foi capaz de tudo por quem ela acreditava ser o homem da sua vida. "Nunca fiz tanta coisa por uma pessoa só", diz. E conta: "Ele não me levava a sério, porque não chegamos exatamente a namorar. Foi um romance de carnaval, mas que, para mim, marcou por muito mais tempo. Quando voltei para o Rio e ele, para o Sul, fiquei louca atrás dele", lembra Juliana, que passou dias e dias procurando vestígios do amado em sites na Internet
"Um dia ele me ligou e foi aí que começamos a nos ver. E nisso foram quatro anos de pura loucura! Fiquei tão apaixonada por ele que cheguei a comprar uma aliança e, para onde quer que eu fosse, lá estava ela no meu dedo. Eu até dizia para as pessoas que eu estava noiva, de tão obcecada que fiquei por ele", relembra Juliana.
Mas o que, hoje, a faz rir, no passado trouxe muitas lágrimas. "Ele me traía, eu sofria, mas preferia não levar a sério". Como o amado viajava muito, Juliana conta que se sentia muito angustiada por não poder controlá-lo, por não saber exatamente onde ou com quem ele estava. Aí o jeito era mesmo abstrair. E ficar colada ao lado do telefone esperando algum sinal de fumaça. Quando ela precisava sair, deixava mil recados com o pessoal de casa. E ai de quem não anotasse tudo direitinho! Para Juliana, o importante era estar com o amado 24 horas por dia, mesmo que em pensamento.
Tudo bem, pensar no parceiro e querer cuidar dele é normal, porque, afinal, paixão é isso mesmo. Mas se o sentimento está caminhando para uma paixonite aguda, talvez seja o momento de parar, pensar e observar se o excesso não está te fazendo mal, levando, quem sabe, à paixão patológica, aquela que arrebata num sentido negativo, porque aprisiona. "A pessoa se funde à outra, deixando de enxergar si própria", afirma a psicóloga Patrícia Gugliotti. Ela dá um exemplo: "Se o namorado se matricula na academia, a namorada vai atrás e faz o mesmo. Ainda que não goste, ela acaba se obrigando a gostar, esquecendo de si mesma, das suas próprias vontades".
Paixão-problema
Só conhecendo as histórias de quem já sofreu na pele uma paixão dessas para entender até que ponto as coisas podem chegar num amor que não conhece os limites entre o "eu" e o "outro". Janaína Nascimento, advogada, sofreu horrores antes de dar a volta por cima. Ela conta que namorou durante cinco anos e meio um homem por quem se apaixonou perdidamente. "Foi uma relação muito perturbadora, porque deixei de prestar atenção em mim mesma, me anulei para viver em função apenas dele".
Ela deixou de dançar, de sair com as amigas e de fazer coisas que gostava para ficar com o namorado. "Lembro que ficava madrugada afora digitando minha monografia para, no dia seguinte, mesmo cansada, poder ficar com ele", conta. E, mesmo não sendo respeitada e não tendo o valor reconhecido pelo esforço e dedicação por ele, Janaína achava que estava tudo bem.
Chegou até a fazer dieta porque o namorado insistiu. "E olha que eu não me sentia mal com o corpo que eu tinha. Mas eu achava que, se ele estava pedindo, eu tinha que obedecer. Fiz a dieta com o maior prazer, nem cheguei a parar para pensar ‘ele deveria gostar de mim como eu sou, como eu me sinto bem'", conta. Além disso, após ser instigada várias vezes a sentir ciúme, Janaína passou a ter um ciúme doentio do namorado e foi se tornando uma pessoa cada vez mais retraída, porque se deixava dominar pelo amado e pela paixão que sentia por ele.
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