Amor

Ilustre (des)conhecido

por Rosana F. | 26/01/2009

Quanto tempo leva até conhecermos de verdade o nosso parceiro?




Ilustre (des)conhecido

Roberto era atencioso, carinhoso, educado, promissor e... apaixonado. Muito apaixonado. O namoro foi romance puro, só podia dar em casamento – de conto de fadas. As amigas invejavam a sortuda noiva. Tudo corria bem, a felicidade parecia completa. Vieram os filhos, a prosperidade, a bela casa... Mas, um dia não muito belo, procuraram por Roberto. Sua mulher disse que ele tinha ido trabalhar. Mas não, não tinha. Sua loja estava fechada e Roberto, sumido. De lembrança para esposa e filhos, deixou dívidas, dúvidas e muito rancor. Até hoje a família não sabe dele. Caiu no mundo, com o dinheiro desviado dos negócios. Mas o que leva uma pessoa a se enganar tanto? O que leva a outra pessoa a mentir ou mudar tanto?

Conversamos com casais que já estão juntos há um bom tempo e com outros no início da relação. O que será que pensam sobre isso?

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Casos como esse impressionam. Mas o pior é que não são raros. Quantas vezes escutamos histórias de marido e mulher que simplesmente se revelaram verdadeiros vilões de folhetim. Intimidade e tempo de convivência muitas vezes não são o suficiente para evitar a desagradável supresa. “Mais do que ingenuidade de quem é enganado, existe a falta de amor, respeito e caráter de quem engana a tal ponto. O amor e a paixão cegam, nos deixam fazer vista grossa. Claro que essas pessoas dão indícios de que não presta”, afirma Maria Andrade. “Posso falar isso de cadeira, passei por essa situação. Meu ex-marido sempre aprontou, um dia, sumiu e me largou com uma mão na frente, outra, atrás e um filho para criar. Canalha. Mas eu não queria ver que ele não prestava. Tive que pagar o preço para comprovar”, desabafa.

Novas facetas do parceiro muitas vezes não são reveladas de forma tão drástica. A dona de casa Edith F. é casada há 39 anos. Depois de tanto tempo, imagina-se que ela conheça o marido como a palma da mão. Que nada! "Ele ainda me surpreende. Às vezes, espero uma reação dele e na hora vem outra. Hoje mesmo achei que ele fosse se aborrecer, mas acabou me fazendo mil declarações de amor - só você vendo!", conta Edith, que acha que ninguém conhece ninguém. "Eu também guardo meus segredos, todo mundo guarda. E o ser humano é imprevisível: depende do humor em que está, depende de como está no trabalho, com o resto da família...", pondera, dizendo que se nem ela sabe realmente quem é, como o marido vai saber?

A funcionária pública Leila F., de 35 anos, conheceu o marido há mais de dez anos. "Éramos colegas de trabalho e sempre tivemos grandes afinidades profissionais. Até que um dia nos encontramos numa noitada e, para minha surpresa, ele estava cheio de amor pra dar. Ficamos!", conta ela, que cerca de seis meses depois passou a dividir o teto com ele. "Até a primeira ficada, eu só conhecia o profissional. Depois conheci o homem. Morando junto, estou conhecendo o companheiro", diferencia ela, que dorme na mesma cama que o marido há três anos e acredita que já o conhece profundamente. E ela dá as dicas: "É preciso estar com os olhos bem abertos, prestar atenção nas reações dele, nas nuances de olhar, no tom de voz... E ele também tem que estar disposto a se abrir, a contar as intimidades e dividir os problemas", diz Leila, lembrando que, para isso, ter confiança no parceiro é fundamental.

“Eu também guardo meus segredos, todo mundo guarda. E o ser humano é imprevisível: depende do humor em que está, depende de como está no trabalho, com o resto da família...”

Há pessoas que são mais abertas e abrem o verbo logo no primeiro encontro. Outras são mais fechadas, como a jornalista Giovana L., 30 anos, que vira-e-mexe é chamada de esfinge. "Os homens me consideram misteriosa, porque prefiro observar a falar. Com isso, acabo conhecendo melhor o outro do que permito que o outro me conheça", diz a jornalista, admitindo sua dificuldade em se abrir. "Acho que isso atrapalha o desenvolvimento de um namoro, porque demoro muito para me sentir à vontade e mostrar minhas fraquezas. No fundo, tenho medo de ser abandonada e, por isso, prefiro não demonstrar meus problemas", confessa ela, que demora meses ou até anos para conseguir se expor.

Segundo a psicóloga e psicoterapeuta cognitivo-comportamental Thays Barbosa Lima Araújo, não há um tempo que se possa determinar até que se conheça bem o parceiro. "Podemos pensar em uma intimidade que se constrói no dia-a-dia, nas vivências compartilhadas pelo casal, seja no início da relação ou quando se está casado há mais de dez anos", explica ela, salientando que conhecer o outro também depende do quanto esta pessoa te dá espaço para que você a conheça. "Deve haver uma disponibilidade emocional para compreender o parceiro e se fazer compreendida. Estar sensível aos sinais e saber emiti-los é importante, senão o amor fica platônico. Isso envolve comunicação não só de palavras, mas de gestos, olhares e expressões que transmitam o que a pessoa sente e espera do outro", esclarece.

Para Thays, é possível, sim, conhecer alguém profundamente. "Mas temos muitos pensamentos, sentimentos e desejos que não compartilhamos, por medo, vergonha ou falta de diálogo. E isso não é de todo mal, afinal, preservar a individualidade no relacionamento é necessário", explica ela, lembrando ainda que o ritmo acelerado em que se vive hoje em dia pode até atrapalhar o processo de se conhecer alguém. "Damos tanta atenção ao trabalho e às conquistas materiais, que o tempo para conhecer e se dedicar à alguém fica prejudicado. Mas uma coisa é certa: todos nós precisamos conhecer alguém e em algum momento da vida desejamos ter alguém para compartilhar a vida", finaliza.




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últimos comentários (21)

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  • Menina_Mima
    Menina_Mima comentou:
    12/02/2009 | 11:37

    Acredito q vc nunca conhece uma pessoa inteiramente, mesmo q viva anos ao seu lado, ela, em algum momento, poderá lhe surpreender!!

    Amei ah matéria... BeijoOoS


  • mroselisantos@bol.com.br
    mroselisantos@bol.com.br comentou:
    12/02/2009 | 11:11

    Comigo não foi diferente, tive um grande amor em minha vida tambem fui deixada de lado.
    Quando era ainda bastante jovem, bonita cheia de vida...
    Conheci um cara espetacular, era tudo de bom. Mal sabia eu,... namoravamos, faziamos planos,etc...
    Paralelo a isto tudo, ficou noivo e casou com outra. Sofri muito, muito. Um belo dia, ele me conta a historia...
    Depois de um ano de choro e depreção, resolvi me dar uma chance, hoje tenho uma pessoa e sou extremamante feliz.

    Ah! o fulano, ainda casado, é um homem infeliz , tentou falar- me a respeito mas deixei claro que foi melhor assim
    e contrario dele sou feliz


  • milenev
    milenev comentou:
    06/02/2009 | 13:43

    os homens sao mesmo uns barbaros do tempo da era, onde so ver eles mesmo...mas na cama ele me servem direitinhos.rsrsrsrs


  • novo comentário

    Você
    :D


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